Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 6 de setembro de 2014

Rosas desfolhadas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Minhas ilusões são rosas desfolhadas
por mãos inocentes de crianças
pétalas brancas, soltas perfumadas
penas caídas de alvas pombas mansas

Minhas ilusões são rosas recolhidas
em tardes de magia e de calor
são restos de outras quimeras idas
que eu vivo agora neste «bouquet» de amor

Rosas belas que murcham ao sentir
da minha vida a anunciante dor
do meu peito o amor a ressurgir

Pobre de mim que só sinto o sabor
do perfume de rosas a florir
quando não sinto a ilusão do Amor!

Maria Helena Amaro
Esposende, 3/08/1953

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dia de anos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Minha mãe! Minha mãe! Quanta beleza
há nos teus olhos cheios de doçura
quanta compreensão quando sinto tristeza
quanto alívio quanto sinto amargura

Tu hoje brilhas mais que uma estrela
mais que um facho que ilumina meus passos
tens mais valor que uma jóia bela
quando busco refúgio nos teus braços

Hoje queria dar-te tudo quanto tenho
mas tudo que possuo eu desdenho
e tudo que me dás te dou também

Joias em ti não teriam valor
por isso dou-te estes versos de amor
a minha prenda de anos, querida mãe!


Maria Helena Amaro
Esposende, 2/08/1953

domingo, 31 de agosto de 2014

Eu sou...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu sou aquela sombra que ficou
duma imagem feita de luz e cor
sou a criança dum apagado amor
sou a lembrança de algo que passou

Eu sou peregrino errante que outrora
partiu em busca dum tudo que era nada
sou entre tantas uma desventurada
que a sorte abandonou pela vida fora

Sou um rasto do que fui, do que sonhei
no mundo vago que alto elevei
e que o destino cruel me derrubou

Sou aquela que pobre, anda à procura
da palácio da paz e da ventura
que um dia na dor arquitetou...

Maria Helena Amaro
Esposende, 23/07/1953

sábado, 30 de agosto de 2014

Sombras


(Ilustração de Maria Helena Amaro) 


Que saudade eu tenho desses dias
que passei, além, junto de ti
dos meus sonhos, das minhas alegrias
que me recordam o sonho que perdi

Que saudade eu sinto ao recordar
a tua imagem, um prodígio de cor,
a minha ilusão, o meu breve sonhar
e o despertar do meu primeiro amor

Que saudade! Que eterna amargura
são os meus dias vividos sem te ver
todos feitos de dor e de loucura! ...

Tu estás longe, eu sei! E o meu sofrer
é maior que nunca, é desventura
é o princípio de vida a perecer...

Maria Helena Amaro 
20/07/1953

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Primavera



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Hoje houve mais ânsia em cada peito
mais na linda luz da madrugada
mais fantasia em cada hora passada
mais esperança no sonho já desfeito

Tudo sonhar voltar de novo à vida
ser alegre, rir, ser tudo ardente...
Passam sombras que correm velozmente
a fazer parte duma estação perdida...

Tudo teve mais luz, muito mais cor
o sol bafejou com mais calor
tudo viveu momentos de quimera

Houve um concerto junto de cada ninho
e as flores disseram-me baixinho:
Irmãzinha! Chegou a Primavera! 


Maria Helena Amaro
Braga, 10/04/1953


domingo, 24 de agosto de 2014

Outrora fui rainha


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Outrora fui rainha... em meus castelos
feitos de pedrarias, de luar,
de nuvens e de espumas do mar
Eu reinei com os nobres: meus melros...

Outrora fui rainha... O meu reinado
feito de Paz, de Amor e de Prazer
feito de sofrimento e padecer
desfez-se como um sonho de noivado!

Reinei sem mágoa, coberta de riqueza
Tu eras o meu rei, o meu senhor
que cantavas as meus pés minha beleza

Mas o tempo destruiu sem dó, nem dor
o meu castelo  em que a tristeza
ocupou o lugar do nosso amor!

Maria Helena Amaro
7/01/1953

sábado, 23 de agosto de 2014

Desventura


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

No caminho da vida que percorro
neste mundo todo feito de maldade
só encontro dor e futilidade
e vozes tristes a clamar socorro

Socorro! Diz a minha alma angustiada
querendo como tantas de amargura
num mundo cruel de desventura
perseguida sem dó, acorrentada...

Vai-te amargura! Deixa minha alma assim
assim sozinha... Sozinha sem ninguém
deixa-a a chorar tão só, perto de mim...

Deixa-a viver a Esperança que tem
caminhando depressa para o fim
a encontrar os ideais do Bem!


Maria Helena Amaro
2/07/1953