Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 10 de dezembro de 2017

Lembranças


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quero guardar no tempo o sonho que finou
O caminho de luz por onde caminhei
O braçado de rosas que a vida me deu
Os momentos ditosos que na alma gravei.

Do meu velho baú escondido no peito,
eu vou tirando lembranças lés a lés.
São as belas lembranças de um amor perfeito,
que desdobro no tempo e me caem aos pés.

Não as quero caídas, não as quero pisadas,
quero mantê-las no baú, bem guardadas,
longe de tempestades, longe do vento norte.

Ajeito-as nas mãos de lágrimas molhadas
quero tê-las de perto nas noites estreladas
para que possa ver-te... no céu, além da morte.

Maria Helena Anaro
14/06/2014

sábado, 19 de julho de 2014

Ainda me lembro



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ainda me lembro... À hora do sol por
as avezinhas chilreavam baixinho
À hora da poesia e do amor
havia flores e risos no caminho...

Recordo crianças que brincavam
junto à estrada cheios de alegria
além nos campos se elevavam
vozes de homens rezando: Avé Maria!

Os sinos dobravam recordando
o fim do dia, a hora do sol pôr
enquanto nas searas namorando
as aves juravam ser amor

Das eiras vinha bulício de malhadas
canções de sonho, ditos engraçados
carros de bois chiavam nas estradas
de espigas de oiro carregados

O ruído aos poucos se finava
e a natureza cansada, esmorecida
em níveos sonhos minha alma acalentava
dando-me perfumes doutra vida

Nessa tarde, de sonho, que vivi
da natureza o labor, a magia
nessa tarde foi então que senti
pela primeira vez da vida a poesia! 


Maria Helena Amaro
Braga
26/11/1953

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ambíguo (lembranças...)



(Ilustração de Maria Helena Amaro) 

Caminhas a meu lado todo o dia
e todo o dia és a sombra maldita...
Não sei de onde vem a luz que me transmites..
Nem sequer o caminho que escolheste...
Caminhas a meu lado todo o dia
e quem te vê és rosa sem espinhos...
Mas eu sei quanto fazes doer...
se encontras alguém no teu canteiro...
Caminhas a meu lado todo o dia
e todo o dia és lembrança de fogo...
Como chama ardente e luminosa
és capaz de queimar só por prazer...
Caminhas a meu lado todo o dia
e tantas vezes eu procuro na noite
a solidão para tentar perder-te...
Mas, tu és como as silvas do caminho
cortadas, pisadas, perseguidas
voltam sempre na próxima alvorada
mais rudes
mais firmes
mais viçosas...


Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
Agosto, 1990




sábado, 29 de dezembro de 2012

Lembrança (09/07/1966)

(Fotografia de António Sequeira)
 
 
Se a dor vem, mas logo vai embora
a vida continua com esperança,
o gosto de esperar também não cansa
e a canção pode ser promissora.
 
Mas, se a dor se repete, não se cura
na chaga aberta que se abre na vida.
Um grande amor pode ser despedida,
e o ser mãe pode ser desventura.
 
Assim aconteceu no meu viver
Minha filha morreu quando nascia
sonho desfeito, dura realidade
 
 E vida fora eu não pude esquecer
o que eu mais desejava, o que mais queria
era ser mãe... Tremenda soledade!
 
 
Maria Helena Amaro
Inédito, julho de 2009

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lembrança - (22/01/1964)



(Fotografia de António Sequeira)


Enchia a vida de sonhos e promessas,
de projetos de fé e de candura,
vivia sem tropeços e sem pressas,
mãos estendidas em busca de ternura.

Encontrei o amor no meu caminho
e fiz de minha alma um coração,
sedenta de respeito e de carinho,
cantei vida fora uma canção.

Senti no meu seio a doce esperança
de acalentar nos braços a criança
que crescia em mim em harmonia.

Mas o pior da dor aconteceu.
Deus não quis. O meu filho morreu
e nunca mais vivi em alegria.


Maria Helena Amaro
Inédito, julho de 2009

domingo, 1 de abril de 2012

Lembrança (Ao Tono, lembrança, junho de 1961)


Vieste procurar-me
naquela manhã cheia de Sol
de vento norte
com cheiro a maresia
renovada...
O teu rosto dourado
num sorriso
prometia ventura.
Estendi-te os braços
num pedido de refúgio
estremecido.
Ficámos juntos
ali
a rir
a conversar
a prometer...
Não sei que sortilégio
tinha o Sol
que não queimava
que não cegava
que não ardia...
Naquela manhã de junho
apenas eu e tu,
no feitiço/ magia.

Maria Helena Amaro
Inédito, julho 1998

Nota da autora:  Recordação do regresso da Venezuela em junho de 1961 - de surpresa na Escola de Criaís - Apúlia (turno da manhã).  1963 -1998 (35 anos)