Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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terça-feira, 22 de maio de 2018

Busca


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Que fizeram da guitarra de meu pai
que trinava nos serões de Esposende?
É um queixume que de minha alma sai,
que me afaga, que me doí e que me prende.

Que fizeram da nossa sala de jantar
onde o bem e o mal se discutiam?
Pelas janelas nos entrava o luar
e pela porta um cheiro a maresia...

Que fizeram do terraço cimentado
todo o ano florido, ornamentado,
de caixotes de salsa e erva cidreira?

Andava neles o vento atormentado,
tonto de sol, do cheiro perfumado,
dos cravos róseos e da rubra sardinheira.

Maria Helena Amaro
12 de abril 2015.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Busca


(Fotografia de António Sequeira)

Ando a procurar no céu
as sumidas estrelas...
Quero agarrá-las
e metê-las
nas minhas mãos
de velha entontecida
que acredita
que por seu bem
ainda são tão belas...
Quando era pequenina
acreditava
que as estrelas eram as alminhas
dos que morriam sem pecados...
O céu enorme tinha muitas janelas
e então
Deus colocava-as a brilhar
em todas as janelas
para guiar na terra
os transviados...
Eu preciso urgentemente
de uma estrela
pousada na janela...
Estrela do Oriente...
Estrela de Alva...
Estrelinha do Norte...
Estrela dos Reis Magos...
Qualquer uma pode guiar-me bela
eu quero
eu preciso...
eu sinto...
eu quero tê-la.
Perco-me muito...
Tanto... nada... pouco...
a olhar o céu desesperada
que a vida se torna em labirinto
de dores e de procelas
sem estrelas...
num mundo meio louco.

Maria Helena Amaro
Novembro de 2014.  

terça-feira, 7 de junho de 2016

Busca


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ando perdida a desvendar o céu,
onde te foste naquela madrugada.
Fiquei sem ti e não me resta nada.
Eu nada tenho e esse nada é teu.

Vou pela rua descalça... erro meu,
que os meus pés vão sangrar na calçada.
Busco o teu rosto na bruma da alvorada.
Busco o teu corpo que a morte perdeu.

Dor, desencanto, tristeza... que sei eu?
Deus tirou-me tudo aquilo que me deu.
Tão dura é na noite a caminhada...

Ando perdida a desvendar o céu.
Fiquei sem nada já que tudo morreu.
Mendigo amor na eterna pousada.

Maria Helena Amaro
25/04/2013

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Busca


(Ilustração de Maria Helena Amato)

A noite veio... Na densa escuridão
vão-se meus olhos perdendo pouco a pouco
Eu tento ver, mas é esforço louco
porque sou cega. O que vejo é em vão...

Busco-te ansiosa por entre a multidão
das mil sombras que há ao meu redor
Onde estás tu? Onde estás tu, Amor?
Eu já não sinto bater o coração...

Olho o Céu escuro onde a brilhar
há mil estrelas que não posso alcançar
e para mim são uma tentação...

Eu chamo... grito... e não vejo nada!
Vejo apenas a minha alma cansada
e tu não vens! Maldita sedução!

Maria Helena Amaro
13/12/1954

domingo, 10 de junho de 2012

Busco


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Procuro-me
e não me encontro.
e se me encontro
não quero
aceitar do meu encontro
o que parece sincero...

Ando à procura de mim
e perdi-me na estrada
sem rumo
lá vou assim
como o vento como o fumo
atrás de tudo
e de nada...

Sou como a pedra da rua
no solo, desencontrada...
não encontro
o meu buraco
e se o encontro
não quero
ser de novo emparedada...

Tenho asas e não voo
apenas sei
rastejar
e se ensaio um voo novo
não sou capaz
de voar...

Se estendo a minha mão:
não sei o que procurar...
Só sei
que o meu coração
está preso no batelão
onde se vai afogar...

Devagar... devagarinho
estendo o corpo no chão
talvez encontre o caminho
deitada no meu caixão.

Maria Helena Amaro
Inédito, maio, 2004