Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 26 de maio de 2018

Regresso


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Que é feito de vós minhas meninas,
minhas meninas da Escola de Criás?
Olho as fotos e não vos reconheço...
Só lembro bem os vossos olho ledos,
cheios de luz, de pureza de paz!
Que é de vós meninas de soquinhas,
de avental e saia quase até aos pés?
Que é de vós alegres pequeninas,
atrás de mim em voo de andorinhas
a arrastar, presas, sempre as minhas mãos?
Passaram tantos anos! Tantos... Tantos...
Já sois, talvez mamãs, até avós.
Já vós crescestes em graça e em encantos!
Mas eu não me esqueci... de todas vós.
Vivo ainda e por entre desencantos
olho as vossas caritas encantadas...
Branquinhas de luar... Morenas como a noz
e fico-me a pensar...
Ai Criás, da minha mocidade...
Meu Deus, tanto amor, tanta saudade!

Maria Helena Amaro
Abril, 2015


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Sono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quando chega a noitinha, eu estremeço.
A noite é longa , como o dia, como a tarde...
Abro os olhos... Fecho os olhos... Adormeço...
Envolvida no meu manto de saudade...

Aos vinte anos, em sonhos, eu regresso
tão cheia de fé, luz e verdade.
Tenho tudo; à vida nada peço.
Sou tão feliz na minha mocidade!

Amo o sol, as flores, as crianças
Faço do meu cabelo longas tranças
e flutuo no céu como um balão...

Sou filha da fortuna, das esperanças
A vida inteira é ritmo de danças...
Então, acordo... Saudades... Solidão...  

Maria Helena Amaro
17/04/2015


quinta-feira, 24 de maio de 2018

Amor perfeito


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Amor-perfeito foi o meu amor
feito de fé, de luz, de esperar.
Abriu em junho como uma flor
e foi nesses abraços se aninhar.

Amor-perfeito foi o meu amor,
puro e viçoso, róseo, cor de âmbar,
envolto em rendas, em brilho, riso, cor.

Amor-perfeito foi o meu amor
Quando o agosto o fez de sombra e dor
e o desalento o veio conquistar...

Amor-perfeito foi o meu amor
do infinito buscou o seu senhor
e nunca mais, nunca mais irá murchar. 

Maria Helena Amaro 
16 de abril 2015


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Convite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Anda ver as azáleas floridas
e as camélias viçosas em flor
Traz contigo o amor das nossas vidas
naquele tempo sem desalento ou dor.

Anda ver o sorriso dos teus netos,
o barulho que preenche o nosso lar
Vem conhecer o melhor dos afetos
Vem dar-lhes colo e a luz do teu olhar.

Vem conhecer o meu cão Labrador
que o Tó me deu por companheiro
nestas horas de luto e solidão...

Traz-me uma estrela, um anjo ou uma flor
que o tempo breve corre tão ligeiro
e está velhinho este meu coração!

Maria Helena Amaro
15 de abril, 2015

terça-feira, 22 de maio de 2018

Busca


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Que fizeram da guitarra de meu pai
que trinava nos serões de Esposende?
É um queixume que de minha alma sai,
que me afaga, que me doí e que me prende.

Que fizeram da nossa sala de jantar
onde o bem e o mal se discutiam?
Pelas janelas nos entrava o luar
e pela porta um cheiro a maresia...

Que fizeram do terraço cimentado
todo o ano florido, ornamentado,
de caixotes de salsa e erva cidreira?

Andava neles o vento atormentado,
tonto de sol, do cheiro perfumado,
dos cravos róseos e da rubra sardinheira.

Maria Helena Amaro
12 de abril 2015.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Dia de anos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Para mim foste sempre
na vida que vivi...
Mais que um filho-totobola
que Deus me deu
como prémio de consolação
pelos outros que perdi...
Foste o sol, a alegria, o sonho
que nasceu inesperado...
Obrigada amor pelo que és
por aquilo que és e que conténs.
Neste dia de cor
Parabéns! Parabéns e uma flor!

Maria Helena Amaro
14/04/2015


domingo, 20 de maio de 2018

Ai esta primavera!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Este mar tão salgado de saudade
Esta esperança de que estás à minha espera.
Desse outro lado na luz da eternidade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Esta certeza, esta dura verdade.
Esta solidão tão crua e tão severa
a que chamo tristeza, dor, maldade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que me alegra, me magoa, me venera,
que me traz o teu rosto sem idade...

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que já me lembra que não sou o que era.
Que me recorda a nossa mocidade!

Maria Helena Amaro
Março, 2015