Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Despedida (Curso 1982-1986)


(Fotografia de António Sequeira)

Descobrindo Portugal
estudámos Meio-Físico Social...

Era uma vez...
Foi assim que aprendemos Português.

Com teoria e prática
nós aprendemos Matemática.

Castelos, Museus, feitos de glória
nós conseguimos perceber a nossa História.

Com fogos, danças e Expressão Plástica...
nós misturamos aulas de Ginástica.

Cantando bem e mal
fizemos aulas de Educação Musical...

Visitas, experiências, teatro, habilidades,
nós inventámos actividades!

Já somos «uns doutores»!
Em sonho atravessámos a 
terra, o céu, os mares...
Carregamos às costas todos estes valores
e vamos invadir a Escola André Soares!

Ser gente...
Ser vivo...
Ser crente...
Ser igual...
Nós discutimos:
- Aulas de moral!

Maria Helena Amaro
Junho, 1986
Dedicado aos alunos do Curso 1982-1986 (Escola de S. Lázaro)

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Mãe


(Fotografia de António Sequeira)

Mãe
palavra pequenina
que aprendi a dizer
a ler
a escrever
ainda era menina...
Ficou comigo
cantada ou soletrada
em poemas de amor...
Mãe
mulher - amar
mulher - bem - querer
mulher - fazer
mulher - sofrer...
Mulher, sempre mulher
a toda a hora
Mãe violada
maltratada
espoliada
traída
mal amada
incompreendida
espiolhada
espancada
violentada
amada
idolatrada
bendita
abençoada
louvada
distinguida
Será sempre
mulher
mulher e mãe
E será sempre Mãe
Mãe
somente Mãe
nunca será mais nada!

Maria Helena Amaro
Maio, 2014


quarta-feira, 18 de outubro de 2017


(Fotografia de António Sequeira)

Não irei. Não vou nesse caminho,
dos que renegam o nome de Jesus.
Andam ceguinhos à procura de luz,
o corpo em fogo, a alma em desalinho...

Não vou com eles. Não consigo ir...
Eu me recuso a caminhar em vão.
Levo certezas na palma da mão...
É a cruz de Cristo que eu quero seguir

Venha comigo quem quiser cantar.
Quem acredita numa vida melhor
Quem é senhor de esperança e bondade

Não irei só, porque irei a rezar.
Fé e Esperança me levam com amor
Encontro rios de luz e de verdade.

Maria Helena Amaro
Maio, 2014

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Parabéns


(Fotografia de António Sequeira)


Desfolhei um malmequer
numa manhã, muito cedo
Desfolhei... sem o saber,
nasceu o meu filho Pedro.

Surpresa muito bendita,
filho de um amor seguro,
tive uma oferta bendita,
um medalhão d'ouro puro.

Já não tenho quem mo deu,
já não sinto a sua mão,
mas tenho um filho que é meu
para trazer no coração.

Uma frase me consola,
do papá, bem divertida,
tu foste o tal totobola,
que saiu na nossa vida.

Por tudo o que és e tens,
aqui ficam os parabéns!

Maria Helena Amaro
Abril, 2014

domingo, 15 de outubro de 2017

Caminhadas


(Óleo sobre tela de Maria Helena Amaro)

Faço caminhadas em busca do passado
nas estradas sinuosas de Esposende.
Vou em busca do tempo enamorado
em que a saudade me ilude e prende.

Avenida da Góios... Monte de S. Lourenço
A roupa branca a secar na ribeira
Mulheres da vila: saia, avental e lenço
O cheiro a maresia... o ronco da traineira...

Rapazes a correr de rosto tão sardento
Gritam gaivotas a enfrentar o vento
A velha ponte de Fão esburacada...

O nevoeiro desce denso e lento
Vou noutras datas ao encontro do tempo
Regresso ao d'hoje... Fico desapontada. 

Maria Helena Amaro
Março, 2014.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Onde está Deus?


(Óleo sobre tela de Maria Helena Amaro) 

Há palavras estranhas, esquisitas,
que o povo pronuncia e domina. 
Chama-lhes azar, sorte ou má sina,
praga, degredo ou muito desditas.

O fado é sorte, é tristeza maldita
Nasce connosco e vem desde menina.
Doenças, males que ninguém atina.
Existe a fé e ninguém acredita.

Horóscopos, profecias, previsões,
rezas e mitos, alucinações,
andam no mundo debaixo destes céus...

Estranhas seitas, tantas religiões,
descem à toa sobre as multidões.
Reinam na terra os laicos, os ateus.

Maria Helena Amaro
Março, 2014 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Primavera (2014)


(Óleo sobre tela de Maria Helena Amaro)

Chegou a primavera. Vem em pranto
que o planeta não merece rosas.
Esqueceu Deus e as leis preciosas.
Vive em guerra, dor e desencanto.

O filho ataca o pai; o pai o filho.
A insanidade tornou-se passageira.
A mentira é verdade lisonjeira.
A injustiça é toda luz e brilho.

Onde está a primavera prometida
terra de amor, de promessas, de vida,
com andorinhas pousadas nos beirais?

Os velhos são velhice desvalida.
A juventude anda louca, perdida...
E os que partem... Esses, não voltam mais!

Maria Helena Amaro
Março de 2014