Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 25 de março de 2017

Noite de Natal


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminho para Deus de mãos erguidas,
olhos fechados e sorriso lento
Vou embrulhada em véus de sofrimento
Tristes memórias de horas mal vividas

Tristes memórias em mim sempre retidas
Tão dolorosas através do tempo
estão comigo em voz de desalento
Estão comigo, na alma, recolhidas

Caminho para Deus sem despedidas.
Não quero ouvir as vozes condoídas
que não me dão paz, amor, alento...

São estátuas de lodo construídas.
Quero ir a Deus com orações sentidas
Ardente como o Sol, ligeira como o vento.

Maria Helena Amaro
Natal, 2013.
  

sexta-feira, 24 de março de 2017

Poema para o vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Hoje
o meu poema
é para o vento que passa
que me foge...
Que me foge há tantos anos
e que passa por mim e não me leva...
Vento
leviano e louco
leva-me contigo
a outras praias certas
sejam de sol
de mar ou de cometas.
Leva-me contigo
em voo, em nado, em furacão,
mas leva-me contigo
vento amigo
antigo
toleirão...
Saudades de ti
na minha mão!

Maria Helena Amaro
Junho, 2014.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Saudades


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Saudades…
Saudade da frescura da manhã,
do cheiro a alecrim,
a mel e da castanha,
a lagar, a jeropiga,
a trevo e hortelã…
Do comboio da linha da Lousã
a dançar nos carris
em busca de Coimbra ou de Serpins…
Dos corvos a gritar
por cima de olivais…
Das cotovias, mochos e pardais
a namorar as azeitonas
caídas no terraço…
Do passeio de carro matinal,
até à vila da Lousã,
do pingo quente do café da esquina,
café da D. Lúcia
que nos servia gentilmente,
com o rosto fresco de menina…
Saudades…
Saudades da festa caloreira
em que banhávamos,
os corpos encharcados de suor,
nas águas cristalinas,
de godos cinzentos,
do velho Rio Ceira…
Saudades das noites estreladas,
do canto das cigarras,
que vinham até mim,
das luzes distantes do Trevim…
Saudades da festa da Pégada,
da chanfana, arroz doce, tigelada…
Dos espantalhos erguidos nos trigais…
Saudades…
Saudade de ti,
de mim,
de tudo
que foi a nossa vida
em aventuras tais…
E tal como o comboio da Lousã
Não vão regressar mais!?


Maria Helena Amaro
Novembro 2014

quarta-feira, 1 de março de 2017

Cartão de Boas Festas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Abram-me a porta!
Abram-me as janelas!
Eu quero ver o mundo
As montanhas gigantes
Os rios transparentes
O mar inconquistado
O céu sem dimensão
Os raios luminosos
Os faróis reluzentes
dos carros apressados...
Nesta cidade velha
de ruas tão cinzentas
e montras amarelas...
Eu procuro na noite
deste Natal sem Deus
um punhado de estrelas
a enfeitar os céus!

Maria Helena Amaro
Dezembro, 2013

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Humanidade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tudo vai, tudo passa, tudo esquece.
Morrem avós, tios, primos, pais.
Dizem adeus e não regressam mais.
A alma chora e o corpo estremece.

Veste-se a vida de saudade e prece.
As estações já são todas iguais.
Dias e noites são horas banais.
A morte lenta as suas teias tece.

Nasce uma esperança e outra já fenece.
Um sonho vinga, outro desaparece.
Em que novas estradas caminhais?

O pão de cada dia é a benesse
que Deus vos dá e a quem merece
um pouco de paz; porque a matais?

Maria Helena Amaro
Abril, 2014

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Dois mundos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Nasci numa territa à beira-mar,
mas sou filha de serranos beirões.
Tenho na gaveta aquelas certidões
que atestam bem, o que eu possa narrar.

Trago na alma noites de lua cheia,
chusmas de estrelas penduradas nos céus.
Preces e rezas nos altares de Deus.
Cheiros e risos de uma pequena aldeia.

Se me lembro do mar já sou sereia.
Já não me afogo nas ondas prateadas.
Já sei contar histórias de naufrágios.

Se me lembro de serra sou ceifeira.
Já não me perco em velhinhas estradas.
Já sei contar as lendas, os adágios.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2014

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Lágrima


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Há sempre uma lágrima
pendurada no céu
para cair nos olhos
de quem sofre e padece...
Desce no rosto
cai sobre o regaço
e relembra um amor
que a vida não esquece...

Há sempre uma lágrima
pendurada no céu...
Enxuga-a breve
não a dês a ninguém

Uma lágrima
pendurada no céu
é a tua Paz
que se desprende leve
e te protege bem.

Maria Helena Amaro
Maio, 2014