Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Saudade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Distante, ausente, morto, embora
de quem se amou nunca ninguém se esquece.
O rosto da pessoa permanece
pelos dias, sem conta, vida fora.

Como se vivesse, em nós, em cada hora
e nos pedisse cada dia alguma prece,
vem a saudade que não esmorece
e entra em nós como dona e senhora.

A saudade é o amor que fica,
de tudo que vivemos com ventura,
na idade que tudo ri e tece…

A saudade é amor que se dedica,
a quem nos deu abraços de ternura
e, embora morto, o nosso amor merece. 

Maria Helena Amaro
26/01/2015

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O que me falta?


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O que me falta, amor, são os teus beijos,
o teu olhar de paz e de harmonia.
O teu sorriso ao desejar bom dia.
as conversas, os sonhos, os desejos.

O que me falta são as nossas caminhadas
junto do mar nas manhãs de agosto.
O vento fresco a beijar o meu rosto
os pés metidos nas ondas rendilhadas.

O que me falta é a tua companhia.
O abraço de ternura que eu sentia,
nos momentos cruéis de sofrimento.

O que me falta? É acreditar
que a minha alma um dia há-de voar
ao encontro da tua, aí, no firmamento.

Maria Helena Amaro
Esposende, julho (12/07/2014) 


sexta-feira, 10 de março de 2017

Saudades


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Saudades…
Saudade da frescura da manhã,
do cheiro a alecrim,
a mel e da castanha,
a lagar, a jeropiga,
a trevo e hortelã…
Do comboio da linha da Lousã
a dançar nos carris
em busca de Coimbra ou de Serpins…
Dos corvos a gritar
por cima de olivais…
Das cotovias, mochos e pardais
a namorar as azeitonas
caídas no terraço…
Do passeio de carro matinal,
até à vila da Lousã,
do pingo quente do café da esquina,
café da D. Lúcia
que nos servia gentilmente,
com o rosto fresco de menina…
Saudades…
Saudades da festa caloreira
em que banhávamos,
os corpos encharcados de suor,
nas águas cristalinas,
de godos cinzentos,
do velho Rio Ceira…
Saudades das noites estreladas,
do canto das cigarras,
que vinham até mim,
das luzes distantes do Trevim…
Saudades da festa da Pégada,
da chanfana, arroz doce, tigelada…
Dos espantalhos erguidos nos trigais…
Saudades…
Saudade de ti,
de mim,
de tudo
que foi a nossa vida
em aventuras tais…
E tal como o comboio da Lousã
Não vão regressar mais!?


Maria Helena Amaro
Novembro 2014

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Humanidade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tudo vai, tudo passa, tudo esquece.
Morrem avós, tios, primos, pais.
Dizem adeus e não regressam mais.
A alma chora e o corpo estremece.

Veste-se a vida de saudade e prece.
As estações já são todas iguais.
Dias e noites são horas banais.
A morte lenta as suas teias tece.

Nasce uma esperança e outra já fenece.
Um sonho vinga, outro desaparece.
Em que novas estradas caminhais?

O pão de cada dia é a benesse
que Deus vos dá e a quem merece
um pouco de paz; porque a matais?

Maria Helena Amaro
Abril, 2014

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Alma


(Fotografia de António Sequeira)

O meu estado de alma é português.
Vive de riso de mágoa, de saudade.
A poesia é a sua verdade.
Cada hora, cada dia, cada mês.

O meu estado de alma é lusitano.
Crê na vida, na coragem, na nobreza.
Dá o nome de Deus à natureza.
É judeu, cristão, samaritano.

O meu estado de alma é mareante.
Lança no mar uma nau navegante
e lá se vai a marear no fundo.

O meu estado de alma é caminhante
Caminha sempre em busca de levante
Perde-se todo nas ruelas do mundo.

Maria Helena Amaro
Maio 2013


sábado, 4 de junho de 2016

Saudade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tanto mar, na minha vida, tanto mar.
Tanta onda de espuma, tanta onda.
Tanto céu que o meu olhar alonga.
Tanta praia de sol e de luar.

Tanto banco na barra a naufragar.
Tanto grito de velha carpideira.
Tanta roupa a secar na ribeira.
Tanto vento no rosto a sibilar.

Tanto cais de despedida sem chorar.
Tanta luz do farol a cintilar.
Tanta noite de chuva e desencanto.

Tanta rua estreita a palmilhar.
Tanta gaivota faminta a planar.
Tanta saudade nos poemas que canto.

Maria Helena Amaro
Abril, 2013 

domingo, 1 de maio de 2016

Idade

,

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Envolves-te numa manta de retalhos
que a tua avó tecera noutros tempos
entre risos, gargalhadas, ralhos,
dividida entre negros sentimentos.

Envolves-te na manta da saudade
entre retratos, gravuras e mensagens,
dividida entre a mentira e a verdade,
vives apenas de sonhos e miragens.

Rasga essa manta. Deita fora os pedaços:
Acolhe um pouco de calma nos teus braços.
Sê como o mar na sua imensidade.

Já nada existe na rota dos teus passos,
nem presenças, nem apertar de laços.
É no futuro que está a tua idade.

Maria Helena Amaro
Fevereiro de 2013

domingo, 3 de abril de 2016

Saudades


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tenho saudades das «minhas crianças»,
dos filhos dos outros que eu amei.
Das lições que aprendi e dei,
dos cantares, dos risos e das danças.

Tenho saudades das meninas de tranças
e dos miúdos, garotos, já sem lei;
Dos conselhos e regras que ensinei,
dos passeios, das visitas, das andanças.

-«Não recordes mais... porque te cansas»
Guarda na alma as mais doces lembranças
Escuta uma voz, que, donde vem, não sei...

-«Esquece as lutas, as guerras, as vinganças,
Recorda só os sonhos, as esperanças»,
Obrigado coração!  Isso farei!

Maria Helena Amaro
Outubro, 2012

sábado, 12 de dezembro de 2015

Saudade (2015)


(Quadro a óleo de Maria Helena Amaro)

Da vida que vivemos,
não quero recordar,
a dor, o desalento, o prejuízo...
De tudo que vivi,
nada ficou,
na pobreza da minha soledade
apenas restou,
o teu sorriso...

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2015.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Deserto


(Quadro a óleo de Maria Helena Amaro)

A vida é um deserto que atravesso
mãos cheias de silêncio e de saudade,
de tristeza, de mágoa, soledade
que não quero, não aceito, não mereço.

No tear das minhas mãos eu teço rendas,
a preencher o tempo que se esvai,
mas o teu nome do meu peito não sai,
e nesta vida é a melhor das prendas.

Não mais te esqueço, jamais te esquecerei
tão grandes anos aqueles que te dei,
tanta ventura que vivemos, que vivi...

Peço a Deus coragem e clemência,
para suportar em paz a tua ausência
até que a morte me leve para ti.

Maria Helena Amaro
Julho, 2010

domingo, 5 de julho de 2015

Partir...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



As andorinhas andam nos beirais
à hora doce do entardecer...
Ó quem me dera partir e nunca mais
as escutar e nunca mais as ver...

Mas eu não posso partir sem um adeus
às doces aves que moram no meu ninho
E no azul escuro das nuvens dos Céus
ficaria só, perdida no caminho...

E se eu partir qual judeu errante
em busca dum Deus desconhecido
de Redenção, da Terra Prometida

Terei saudades do canto murmurante
das doces aves do seu gorgeio querido
Do teu olhar, a luz da minha vida!


Maria Helena Amaro
18/01/1956

  

sábado, 22 de novembro de 2014

Saudade...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Saudade...
Saudade da frescura da manhã
do cheiro a alecrim
a mel e a castanha
a lagar a jeropiga
a trevo e hortelã...
Do comboio da linha da Lousã
a dançar nos carris
em busca de Serpins...
Dos corvos negros a gritar
por cima de olivais...
das cotovias
mochos e pardais
a namorar
as azeitonas caídas no terraço...

Do passeio matinal
até à Vila da Lousã
do pingo quente
no café da esquina
café da D. Lúcia
que nos servia gentilmente
com o seu rosto tão fresco
de menina...

Saudade...
Saudades da sesta caloreira
em que brincávamos
os corpos encharcados de suor
nas águas cristalinas
de godos reluzentes
do velho Rio Ceira.

Saudade...
Saudades das noites estreladas
dos cantos das cigarras
que vinham até mim...
e as luzes distantes do Trevim.

Saudade...
Saudades da festa da Pégada
da chanfana
arroz doce
tigelada...
dos espantalhos erguidos nos trigais...

Saudade...
Saudades de ti
de mim
de tudo que foi a nossa vida.
Em aventuras tais
e que não regressam mais!

Maria Helena Amaro
Braga, novembro, 2014.

sábado, 16 de agosto de 2014

Saudade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Saudade é o que vai, é o que foge
o que passa por nós sem nos levar
É uma vida antiga a recordar
"saudade é amanhã o dia de hoje..."

É o fumo que se esvai, que se desprende
de nossa vida em sonhos a reflorir
Saudade é o passado a ressurgir
na vida que passa e se defende...

Saudade é viver já sem ter vida
É uma folha dum livro já caída
que nos faz recordar uma novela...

Saudade é o que vivemos ontem
o que o dia de amanhã contém
e o que hoje nos torna a vida bela!

Maria Helena Amaro
9/03/1953


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Finda-se o dia


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quem não viu o oiro do sol pôr
nunca sentiu na vida uma saudade
que nos fala do carinho e do amor
que nos fala duma felicidade

Nuvens cruzam-se no ar devagarinho
o sol aos poucos vai desaparecer
tudo isto nos fala de carinho
tudo isto nos faz talvez sofrer

Os passarinhos cheios de harmonia
cantam baixinho a última canção
sinos tangem lembrando o fim do dia
e em breve surgirá a solidão.

Ouvindo os sinos tocar suavemente
meu jeito amargurado de saudade
pede a Deus baixinho docemente
que o sol traga só felicidade!

Maria Helena Amaro
Esposende, 10/03/1951 

domingo, 25 de maio de 2014

Saudade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Saudade é o reviver da vida
é sentir no peito um sofrimento
saudade é rever no pensamento
a visão de uma quimera perdida

Saudade é sentir no coração
o passado que se sonha reviver
saudade é tudo... e é sofrer...
... E penar a vida numa ilusão!

Saudades de mentiras e verdades
duma vida que já possui brilho
saudade que a mãe tem por um filho
É a mais pura e santa das saudades!

Maria Helena Amaro
Esposende, 5/10/1951

domingo, 15 de setembro de 2013

Saudade (Concurso Jovens Poetas)
















(Fotografia de António Sequeira)

Ter saudades,
mata-las
enterra-las
(em vão!)
e dizer aos outros
que não... que não... que não...

Ter alma
fecha-la
tapa-la
rasga-la
(em vão!)
e dizer aos outros
que não... que não... que não...

Maria Helena Amaro
outubro, 1983
 
Concurso Jovens Poetas


quarta-feira, 27 de março de 2013

Ausência


















(Fotografia de António Sequeira)

Tão linda a nossa casa,
mas sem ti,
já tudo se transforma...
Nada tem alma
esplendor
ou forma...
É um deserto de areia
que atravessa
alma descalça
e coração avesso
envolvida em dolorosa teia...
Ai se viesses amor,
logo à noitinha,
ouvir a música que era tua e minha
como seria bom,
encantador...
Sei que não vens...
Que grande a minha dor!

Maria Helena Amaro
Inédito, 12 de março 2010

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Saudade (escola)


(Fotografia de António Sequeira)


Noutro tempo, noutra era
eu também fui professora.
Acolhi a toda a hora
nos meus braços, primavera.

Em cada dia um sorriso
uma cara prazenteira
uma conversa brejeira
sem castigo ou prejuízo.

No percurso de canseiras
uma aula, uma cantiga,
um gesto de mão amiga
entre crianças fagueiras.

Foi o tempo tão veloz...
-Nem sequer o vi passar.
Tanto ano a trabalhar
com alma, ternura e voz!

Ficou-me a alma dorida,
morreram os sonhos meus.
Até logo! Disse adeus
ao melhor da minha vida.

Recordo com afeição
esses tempos que passaram
e os rostos que me amaram
enchem minha solidão.

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro 2008. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Memória (À Alice Sequeira Pedroso)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Meu pai falava-me de ti
como se falasse de uma flor:
É radiosa
altiva
independente
Minha mãe, tua madrinha,
dizia-nos
a sorrir:
É inteligente
gentil e donairosa
tem jeito de senhora
e porte de rainha,
é uma rosa.
Mas um dia partiste
sem dizer um adeus
sem fazer despedida...
Também eles partiram...
mas ficaram comigo
no Amor toda a vida
E tu, tal como eles, nunca foste esquecida.

Maria Helena Amaro
Inédito, novembro de 2005.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Saudade (Alice Sequeira Pedroso)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Deus sempre Põe Seu dedo
naquilo que cintila,
ofusca, brilha...
Naquela tarde pardacenta
estendeu-te os braços
e Chamou:
- «Vem minha filha!»
Tua alma fez voo de condor
e nós ficámos
na Esperança de uma Ressurreição
nesta incontida Dor!


Maria Helena Amaro
Inédito, 19 de novembro 2005.

Nota: 5º Aniversário de Falecimento de Maria Alice Modesta Sequeira Pedroso