Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Momentos


(Fotografia de António Sequeira)

Esgota-se a palavra, a frase e a ideia,
o discurso, a promessa, o argumento.
Na alma a revolta se incendeia,
não há fé, nem esperança, nem alento.

Vão na rua vozes de sofrimento,
que reclamam pão e vinho, uma ceia.
Ninguém escuta a dor deste tormento.
Surgem novos e velhos, em cadeia.

Tudo se esgota. É uma maré cheia,
de mentiras, que alguém negoceia,
em nome de um povo sem sustento.

Onde vamos nós nesta alcateia
enredados em tenebrosa teia.
Em busca doutra gente, doutro tempo?

Maria Helena Amaro
18/05/2013




segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Momentos


(Fotografia de António Sequeira)

Tão longa a caminhada
o rumo tão incerto
a dor e a saudade estão por perto
em cada esquina
em cada encruzilhada...
A vida é um deserto...

Calaram-se as guitarras
morreram as canções
os olhos são de prece
os lábios orações
e as vozes de grilos cigarras
são gritos e pregões...

Procuras estrelas apagadas
nos céus pardacentos do outono...
Corpo cansado e a alma sem dono
caminhas só, no rumo tão incerto
a dor e a saudade estão por perto
em lágrimas salgadas.

Maria Helena Amaro
Novembro, 2011

domingo, 28 de setembro de 2014

Momentos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Há uma traineira ancorada no cais,
vazia de sonhos, repleta de mágoas;
Anda a boiar na lentidão das águas,
sabe que ao mar não voltará jamais.

Há um pescador sentado na calçada,
esfrega as mãos, de afunilados dedos,
rosto tostado e neve nos cabelos,
camisa rota, velha, desbotada.

Tanta onda, tanta fome, tantos medos
tantos barcos batidos nos rochedos
tanta barca na praia naufragada!

Vida sofrida de suspiros e ais,
ao mar azul não voltará jamais.
Fica sentado a ver... Vida parada!

Maria Helena Amaro 
Esposende, Agosto, 2014
Inédito
  

domingo, 1 de dezembro de 2013

Momentos



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Estás tão só
e tens tanta pessoa
à tua volta...
Gostas das pedras
das areias, dos fetos...
Chamas de nome
às silvas calcinadas
e até as cobras vêm dançar para ti!

Ser primeiríssimo

do primeiro mundo
não sei com quem conversas
tantas vezes
nem sei o nome da tua solidão...

Vens de outro mundo

que não é teu...
Procuras outro ser que conheces
ensaias linguagem
que ignoras...
Ninguém sabe da tua solidão...
Ninguém conhece o teu perfil talhado.
Ninguém encontras, nem ninguém procuras...

Mas a Esperança

vai andar na rua
e na próxima esquina
da cidade
tu vais encontrar o som cadente
da viola encantada...


Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
Agosto, 1990

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Momentos I















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Hoje,
na Assembleia da República,
os partidos políticos
vão discutir
por qualquer motivo,
mas, nenhum deles
será o que escrevemos
sobre a Reforma do Sistema Educativo...
Hoje,
todos os sindicatos
vão mostrar ao governo
os sinais mais e menos,
mas nenhum deles
vai dizer aquilo que escolhemos...
Hoje,
a Rádio e Têvê
talvez deem ao Ensino
no noticiário,
um tempo todo inteiro,
mas, nenhum locutor
irá explicar
que ser Primário
é estar primeiro...
Hoje,
o Sr. Ministro da Cultura
vai estar muito ocupado
entre contas e bens...
E nem sequer nos vai mandar
os parabéns...
Hoje,
os grandes pedagogos
vão dizer
que as crianças são inteligentes
e se não são melhores,
é porque nós não somos excelentes...
Hoje,
o nosso aluno precisado
do ensino especial,
vai fazer-nos sofrer
e nós vamos cansar... Cansar... 
E só Deus irá saber...
Hoje,
2 de fevereiro
talvez a data nem venha nos jornais,
entre anúncios, entrevistas, coisas tais
e o Professor
não passe de um vulto passageiro...
Por isso,
em nome da Criança e do Amor,
deixa-me colocar,
hoje,
na tua secretaria,
apenas uma flor.

Maria Helena Amaro (professora)
Inédito, Braga, 2 de fevereiro de 1988.

domingo, 7 de outubro de 2012

Momentos II


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Passaram vinte anos
e a flor não murchou,
ficou metida numa jarra de Esperança
pousada num papel,
onde alguém escrevera
um texto de louvor...

Vinte anos longos
a semear Amor!


Onde guardaram as arcas do Saber?
Onde meteram as tábuas da lei,
as leis justas e certas?
Onde estão as vozes,
onde estão os senhores
que não respeitam Escolas/Professores,
e posições corretas?
Vou pelas ruas
e leio jornais
escuto alunos
e desatos tais,
que não devo calar o Desencanto!

Vejo esfarrapada a palavra Fazer...
Vejo arruinada a tal Escola/Encanto...
Vejo insultado o nome do Saber...
Um grito e um protesto em cada canto!

Que te fizeram professor?
Que te fizeram?
Que em todo o lado
só ouço o teu clamor?

Não desanimes Professor,
não desanimes,
faz da sala de aula a tua liça
de facho aceso em nome da justiça
sem medo, sem peias, sem enredo.
E dessa tua luta
não guardes segredo!
Senão,
como há vinte anos,
terei de voltar
a colocar
na tua secretária
apenas uma flor!


Maria Helena Amaro
Inédito, 8 de novembro de 2008.

sábado, 26 de maio de 2012

Momento II

(Fotografia de António Sequeia)


Vai pela vida fora
com o teu riso
de criança irrequieta
Vai pela vida fora
mas não fiques parado
sentado na valeta

Vai pela vida fora
com uma chama nos olhos
e nos braços
o violino escolhido

Dança
canta
toca
grita
revolta-te
ama
sê tu mesmo

Vai pela vida fora
desprende o barco ancorado
na margem do riacho
Vai
mas volta sempre
Regressa
ao sonho interrompido

Vai, vai pela vida fora
Se encontrares a lua no
caminho
pede-lhe a aurora

Se encontrares a noite
na estrada
pede-lhe sol

Mas, se nada encontrares
regressa
ao ponto de partida
pois foi aí
que começou a Vida!

Maria Helena Amaro
Inédito, agosto 1999




sexta-feira, 4 de maio de 2012

Momento I (Ao Tono)

(Fotografia de António Sequeira)

De repente
o eco musicado
traz-te à memória
os dias do passado...

De repente
és um velho
de alma e coração
À música e à Vida
dizes Não!

De repente
Onde te sentes?
Apenas as memórias
são lanças ardentes.

Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 1999