Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Carta/poema


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminhaste tantos anos,
na planície longa
à procura da flor azul...
Encontraste a papoila
vermelha, esfuziante,
mas não a colheste
porque vestia de vermelho
e o vermelho para ti
chamava o conflito...
Encontraste o lírio meigo e roxo,
mas não era o sonho
que tinhas procurado...
Encontraste o malmequer sadio,
mas o malmequer era amarelo
e o teu sonho tinha de ser azul...
Na planície longa 
só encontravas rosas,
violetas, narcisos,
ignotas flores...
A busca foi dura e demorada,
mas numa manhã de sol
na planície longa
entre a erva daninha
encontraste a flor
a flor azul
azul e tão azul
que te cegou de luz...
Não foste capaz de a cortar...
Não foste capaz de a guardar...
Deixaste-a ao relento
ao sol
ao vento
à tempestade fria
e ela resistiu...
E tu? Que fizeste tu da
busca interrompida?
Não te deram a flor
e sentes pena? ...
Deixa lá! A flor é a vida
e esta carta tornada
num poema!


Maria Helena Amaro
Março, 2015

terça-feira, 20 de junho de 2017

Poemas velhos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Meus poemas... espalhados no espaço,
foragidos do baú da minha vida,
onde escondo tanta coisa perdida,
tanta coisa que penso, sonho, faço.

Poemas velhos causam-me embaraço,
são estrofes sem cor e sem medida,
gritos loucos de alma combalida,
pendurados na curva do meu braço.

Pego neles, rasgo, risco, traço,
faço deles um enorme maço
e vou deitá-lo ao mar, numa corrida.

O mar, a rir, procura o meu abraço,
lança-o de volta para o meu regaço
e eu recebo-os e choro enternecida.

Maria Helena Amaro
22 de junho de 2014.


domingo, 21 de maio de 2017

Ser poetisa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me chamem poetisa que eu não gosto.
Ser poetisa é um estado bem medonho.
Dos pesadelos posso fazer um sonho.
Nasço na aurora e morros ao sol-posto.

Dou em versos aos outros o que é meu.
Ando inteira assim de mão em mão.
Dou em versos a alma e o coração
e a poesia que anda a bailar no céu.

Maria Helena Amaro
Outubro 2014

domingo, 13 de abril de 2014

Poema da distância



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O poema da distância
é feito de saudade
duma saudade que nasce, que cresce
que nunca há de morrer...

O poema da distância
é feito dos meus sonhos
desses sonhos que são espuma branca
no mar da minha vida...

O poema da distância
é feito da tristeza
dos dias que se finam
das ilusões que partem
e nunca mais regressam...

O poema da distância
és tu e eu
e a certeza serena
angustiosa e grande
de caminharmos sós
de mãos estendidas no escuro
em ruas paralelas
que jamais se chegarão a encontrar!

Maria Helena Amaro
2 janeiro de 1960
  

sábado, 1 de junho de 2013

Poema (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Escrevo com os lábios no teu rosto
o mais belo de todos os poemas...
Guarda-o bem Amor!
Nas tuas mãos estreitas
cabe o mundo onde nasci e onde vivo
onde espero morrer...

Escrevo com os lábios no teu rosto
o mais belo de todos os poemas...
Perdoa as lágrimas que uso para o ler...
Perdoa os sonhos que vejo destroçados
Perdoa tudo...
Que a vida em si é toda feita em Dor
Que a vida em si é feita de bocados
que eu vou unindo aos poucos para viver...
Dá-me a tua mão,
olhos nos olhos, deixemo-nos nascer...


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
19/08/1968


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Poema III

(Fotografia de António Sequeira)


Regresso
à terra onde nasci
no desencanto do tempo que perdi
na sensação de ter
rimado em vão.

Quem me escuta
quem me fala
quem me vê
não sabe
não supõe
e ignora
que de estrelas já não sou senhora
pois
na minha fruição
também perdi
o estro
o violino
e a canção.

Maria Helena Amaro
Inédito, maio de 2008.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Poema (Ao Tono)


(Fotografia de António Sequeira)
Há um poema que nunca escrevi
que não disse a ninguém

Há um poema perdido na distância
a flutuar
entre a luz e a sombra

Há um poema que foi retirado
dum lado do luar

Há um poema que é uma utopia
que não vou dizer
que não vou registar
que ninguém vai saber

Há um poema um começo/fim
uma nostalgia
uma recordação

Há um poema.

Maria Helena Amaro

Inédito, agosto, 1999

sexta-feira, 16 de março de 2012

Poema (II)



O meu filho chegou
Faço dos braços berço
E vou embalando a alma
Em quimeras de luz…

Olho-o e não sei
Não sou capaz, Senhor
De o sentir bem meu…
Ele traz nos olhos
Rasgados como o mar
Um pedaço de céu…

O meu filho chegou.
Deixai-mo entre beijos embalar…
Ela há de ser poeta
Ele tem de sonhar
E acreditar
No dia da amanhã que vai chegar
Deixai-o sorrir
De duro
Bastam as horas más
Que a vida lhe há de dar!...


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

terça-feira, 6 de março de 2012

Poema de Matinas


Vens ter comigo
Na Esperança de cada alvorecer
E ficas comigo todo o dia
No deslizar das horas que não voltam
Na saudade dos dias que se foram
Nas ilusões do tempo que hão de vir…

Vens ter comigo
E bates docemente à minha porta
A mendigar um sonho que não tenho…
Amor, que te hei de dar?
Trago dentro da alma
Madrugadas que não chegaram a nascer
Clareiras brancas
Que tens de povoar a vida toda…
Certezas mentirosas
Que tens de ajudar a transformar

Em verdades de Fé…

Mensagens de ternura
Infindas como o céu
Profundas como o mar…
Há cidades de luz dentro de mim…
- Quem as vai conquistar? –

Vens ter comigo
Na Esperança de cada alvorecer
E as minhas mãos vazias
- Vazias talvez de tanto dar –
São pombas mortas
Caídas no caminho
Onde tens de passar…


 Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Poema

Ainda que tenha de beijar o chão
E chamar mãe à calçada da rua
E afagar a Dor de te não ter
Tu hás de viver dentro de mim
Na suave lembrança
Daquela Primavera...

Ainda que a Vida seja Inverno
E me transforme a alma toda em lama,
Por entre a chuva da desgraça
Tu hás de ser o Sol da minha Esperança
A sorrir no firmamento escuro
Numa promessa branca...

Ainda que a Vida seja toda
Um vendaval sem luz e sem Ventura
Sem Aurora a romper,
Tu hás de morar dentro de mim
Hoje
Amanhã
Com as ondas do mar mora a espuma
Sempre, sempre a crescer!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os meus poemas d'oiro

Quando eu morrer
Os meus poemas d’oiro
Ninguém os há-de ler…


Falam de ti em tardes repousantes
Quando o sonho adormece
A embalar a Vida…
Falam de ti os meus poemas d’oiro
De ti que não entendes
A linguagem muda
Das frases que se cruzam
Nos meus olhos parados…

Quando eu morrer
Os meus poemas d’oiro
Ninguém os há-de ler…


Se falam só de ti,
Quem os vai entender?


Maria Helena Amaro
In «Maria Mãe», 1973