Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 17 de novembro de 2012

Reflexão VII





















(Fotografia de António Sequeira)


Houve tanta opção na minha vida
Perguntas, sem resposta, ideias sem sentido,
versos escritos em forma de gemido,
sonhos, loucuras, tanta coisa perdida.

Caminho nua nesta longa jornada,
as mãos vazias, o corpo esfarrapado,
rasgo em pedaços as folhas do passado,
vivo esta noite que não tem madrugada.

Se me perguntas onde vou não sei
onde estão esses a quem tudo entreguei
e dos quais nem risos recebi.

Nesta procura, de mim nada salvei,
nesta amargura negra, mergulhei...
Quem vem salvar-me? Quem me tira daqui?


Maria Helena Amaro
Inédito, março 2009 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Reflexão VI

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Isola-te
não contes a ninguém
a dor cruel
que te preenche o coração...


Ninguém deve saber
ninguém deve sonhar
ninguém deve dizer
ou proclamar
que estás só
e perdeste a razão...

Faz da solidão
a tua companhia
do silêncio a tua arma secreta
busca em Deus a paz
e a alegria
Procura a sua Mão
confia Nele
que nunca te Diz "Não"!

Maria Helena Amaro
Inédito, fevereiro de 2007

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Reflexão V


(Fotografia de António Sequeira)

Se estás triste,
se tens a alma ferida,
não estás só!
Há na alma
cicatrizes mais ardentes que as estrelas,
dores mais numerosas
do que as gotas de água
de imensos oceanos...
Não estás só!
Há homens e mulheres
que têm na alma
abismos como o mar
horizontes de mágoas
e fulgores como o céu.
E quem sabe que existem?


Maria Helena Amaro
Inédito, 2010


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Reflexão (IV)


(Fotografia de António Sequeira)


Passei os anos da vida
em acesa discussão
juiz de causa perdida
sem certeza e sem razão.

Fiz da palavra uma lira
e cantei serenidade
mas a verdade é mentira
e a mentira é verdade

Perdi-me em tanto atalhos
à procura da planura
mas só encontrei os ralhos
que me encheram de amargura

Agora velha cansada,
busco a porta de saída
A vida não vale nada
e eu tanto amei a Vida!

Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 2004

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Reflexão (III)

(Fotografia de António Sequeira)

Troquei-te por um Sonho
apenas uma vez
eu sei...

Troquei-te por um sonho
numa substituição
de uma  joia perdida
que eu não encontrei...

Troquei-te por um Sonho
apenas uma vez
eu sei...

Convencida
que no meio da jornada
a luz pode ser sombra
e a sombra será luz...

Ai de mim
que tanto ecureceu
na minha vida...

Agora
é só a sombra
que eu encontrei
aqui.
Foi-se a luz
mas não fui eu que a apaguei
troquei-te por um Sonho
apenas uma vez
eu sei...

Maria Helena Amaro 
Inédito, julho, 1998

quarta-feira, 14 de março de 2012

Reflexão (II)


Perdoa se fui má
Mas os sonhos mais belos que sonhei
Aos poucos vou perdendo
Hoje um outro amanhã em fuga louca
A minha alma é toda chaga aberta
E esta boca
Que Deus traçou em jeito de beijar
Contrai-se às vezes num rictus de tristeza
E põe-se a murmurar canções de dor…

Bateste à porta e eu abri…
E nunca mais fui só…
Mas custa tanto Amor
Sentir a Vida toda a saber a pó
E ter de caminhar
A rir e a cantar
Como se a jornada fosse breve
E as estrelas nunca se apagassem
Na rota que seguimos…
- Ó meu Amor e a dor que sentimos?

Perdoa se fui má
Dá-me a tua mão anda daí
Não me deixes morrer na tempestade…
Não quero ser peregrina
De caminhos perdidos…
Perdoa se fui má…
E dá-me a tua mão
Vamos viver felizes e unidos?



Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Reflexões


Só sei
só sei que nada sou
que nada tenho…
Os sonhos que vivi
também desdenho.
Na lembrança que vai
na lembrança que vem
as coisas que perdi
são de ninguém…
Ninguém as quer
ninguém as tem…

Da vida nada sei,
nas ruas que escolhi
não sei
quando ou onde
me perdi.
Por onde caminhei
apenas sei
que tudo partilhei
e quando me encontrei
estava solitária
separada de ti.

Das loas que cantei
poemas que escrevi
não sei, não sei,
se os guardei
perdidamente em mim

ou os perdi…
Por onde caminhei
apenas sei
que tudo partilhei
e quando me encontrei
estava solitária
separada de ti.

Inédito, Maria Helena Amaro

 Março, 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reflexão

Procuras na vida uma miragem,
do melhor que a vida pode dar,
mas já sentes cansaço na viagem,
e o coração demente a suspirar


Extensa caminhada não te interessa,
as luzes da ribalta também não.
De viver a vida não há pressa,
nem sequer há gozo ou ilusão.


Esquece a dor que houveras sofrido.
Abre a janela a Deus, à luz diz sim,
não mergulhes a alma em desamor.


A tua vida só terá um sentido,
se fizeres dela um imenso jardim,
onde todos possam colher uma flor…

Inédito, Maria Helena Amaro
Braga, 27/09/2011