Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Chuva de outono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Abro as janelas...
Há um punhado de folhas amarelas
pousadas no jardim...
No céu de outono,
sem alegria ou dono,
há clareiras de nuvens tagarelas
a sorrirem para mim...
As nuvens falam
e eu percebo as palavras delas...
- e são tão engraçadas! -
quando eu me distraio elas calam
e mandam sem recatos
umas fortes chuvadas!
Inundam os quintais,
as ruas, as estradas...
A minha rua é um grande oceano
onde molho os sapatos!

Maria Helena Amaro
17/11/2014

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Outono (2011)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

No entardecer do meu outono,
neste novembro tão triste e apagado,
caem folhas sem família, sem dono
no chão escuro, chuvoso, enlameado...

São tapetes tecidos de amarelo,
de castanho, de verde embaciado,
são como dias deste outono apagado,
que eu espio e não encontro belo.

Se as folhas do outono são de ouro,
de cor de fogo de braseira acendida,
e fazem tapetes tão coloridos.

Porque, então a dor é um tesouro
que se transforma em pó tão de seguida,
cheia de noite, de choro, de gemidos?

Maria Helena Amaro
16 de novembro 2011

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Sol de Outono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


O sol já tombou no horizonte
rubro, incandescente, arroxeado...
O rosto triste, o olhar cansado
Ele repousa no cinzento monte...

Já nos jardins de frio transidos
as folhas são pelo vento levadas...
E morrem todas... Pobre delas! Coitadas!...
Enquanto o Sol é sombra de gemidos...

Tal como o velho que chega ao fim do dia
a esvair-se numa velhice ingrata
com gestos jovens, de idade perdida...

Também o sol se vai no horizonte
cheio de cor, de dourados, de prata
e fica morto entre as sombras do monte!

Maria Helena Amaro
Braga, 10/10/1954  

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pomba perdida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Aquela pomba que partiu para além
em manhã fria de sombrio outono
não mais voltou, não mais soube ninguém
se acaso morreu ao abandono

Voou, voou no espaço azulado
mais cinzento, mais triste nesse dia
e não mais voltou ao passado
a sua alegre e linda moradia

Pomba formosa de extrema brancura
que um dia foste à cata de ventura
volta de novo ao teu antigo lar

Há quem espere chorando de amargura
a tua fuga alada à desventura
e a tua vida de neve a despertar...

Maria Helena Amaro
Braga, 20/12/1953

domingo, 12 de outubro de 2014

Outono


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Canção do outono que tanto me entristeces
vem embalar-me nas tuas nostalgias
põe-me na alma as loucas fantasias
com que à noite, em pranto, me enterneces

Quando à tarde à hora do sol por
quando a folhagem ciciar baixinho
mil lamentos e faltas de carinho
quero que tu me cantes só Amor

Canção do outono que à noitinha o vento
canta baixinho o tempo que passou
por entre as árvores já todas despidas

Canção de outono que é quase um lamento
daquelas folhas que o vento levou
e que agora são folhas já caídas.


Maria Helena Amaro
Braga, 18/12/1953 




sábado, 16 de junho de 2012

Outono III


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Que fazer da minha vida, que fazer?
Que montanhas ainda tenho a escalar?
Que tesouros ainda posso descobrir?
Que quimeras poderei sonhar?
Que dores e males poderei sofrer?
Que bons sorrisos poderei sorrir?

No meu passado,  foi tudo tão breve!
Tão diferente, tão etéreo, tão estranho
que já não sei, quem sou e donde venho

Não tenho fé que me alente e me leve,
e se a tenho, eu não sei se a tenho,
pois já não sei quem sou e donde venho.

Perdi o meu pastor, perdi o meu rebanho.
Não sei se perco a vida, se a ganho...
Mas, se eu não tive vida... quem a teve?

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro, 2004


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Outono (2)


O vento passa a chorar
Ao longo dos pinheirais...
Cai a chuva de mansinho
Na poeira do caminho...
- Ó vento, não chores mais!

Dançam folhas de arvoredo
Ao longo da minha rua...
As aves choram no ninho...
Os pobres pedem carinho...
- Ó vento, que Dor a tua!

A caminho da Escola
Passam crianças descalças
Uns levam rotas as calças
E outros a camisola...
Vão alegres, de mãos dadas,
A chapinhar os regatos.
Nunca usaram sapatos
Ou alpercatas bordadas...

- Ó Vento, pára um instante,
Deixa passar as crianças!
Deixa-as passar a sorrir...
- O que dizes em segredo
Às folhas do arvoredo
Elas não devem ouvir...
...........................................
...........................................
- Ó Vento, não chores mais!
A tua Dor é quimera!

Deixa passar as crianças
Nelas vai a minha alma
Toda vestida de Esperança
Sedenta da Primavera!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973 

sábado, 12 de novembro de 2011

Outono

Outono sem ti não é outono…
Perde aos poucos a cor e a grandeza…
Caem as folhas. Adivinho a certeza
de que os ninhos irão ficar sem dono.

No outono meus olhos se toldavam
de saudade e de melancolia,
junto de ti, ao acabar do dia,
ansiosos teus olhos procuravam.

Era a certeza de tua companhia,
preenchida de paz e de harmonia,
longe de confusão e de tormento.

Este outono sem ti, eu já sabia,
irá ser apenas nostalgia,
ao escutar a tua voz na voz do vento.

Inédito – Maria Helena Amaro
Braga, 23 de setembro/2010