Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A chuva na cidade


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cai a chuva lenta, docemente,
sobre a cidade de cinzento vestida.
Estão vazios os bancos da avenida,
sem crianças, sem velhos, tristemente.

Os dias são escuros, ocos, frios,
os rostos das pessoas são tristezas.
Não há risos, simpatias, gentilezas...
A cidade sobrevive em arrepios...

O outono na cidade é aguarelas.
Não há roupas penduradas nas janelas...
Nem corridas, nem passeios, nem baloiço...

O bairro é alcatifa de folhas amarelas.
Andam vultos sem nome nas vielas...
A chuva cai... São lamentos que oiço.

Maria Helena Amaro
Novembro, 2013

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A cidade


(Fotografia de António Sequeira)

Vou na cidade vestida de cinzento,
pois de cinzento se veste esta cidade.
Cidade velha, cansada, sem idade,
com gente nova, agreste, em movimento.

Vou pelas ruas e canto o desalento,
o desemprego e a mendicidade...
E o aparato de tanta mocidade,
entontecida, correndo atrás do vento...

Eles correm contra o curso, em espavento
como se a vida não tivesse tempo,
como se o curso fosse eternidade.

Vou na cidade vestida de cinzento.
Acho tão triste este meu passatempo
que me recolho toldada de saudade.

Maria Helena Amaro
Outubro de 2013

sábado, 14 de setembro de 2013

A casa do citadino


(Fotografia de António Sequeira)

Moro muito cá no cimo
No cimo dum 6º andar
Meus olhos são andorinhas
Se à janela vão olhar...

Pintas negras, são os homens
Pintas brancas, as mulheres
Ruas, jardins e meninos
São ramos de malmequeres...

Cá no cimo, cá no cimo
Ninguém me pode agarrar
Moro perto das estrelas
No meu alto sexto andar!...

Maria Helena Amaro
1982

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Cidadela

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Cidadela de Sonho onde morei
rodeada de Amor e de Beleza...
Perdi o tempo; o dia já não sei...
Vivo em pobreza.

Cidadela de luz onde me ergueste...
Tão feliz eu reiniciei...
Agora
Mendiga duma esperança que me enche
a alma, o corpo, o coração,
lá vou descalça pelo mundo fora
suspensa
dum milagre de Amor e de Pureza.


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)