Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 12 de outubro de 2013

Raizes


(Fotografia de António Sequeira)

Eu acredito, meu Deus, eu acredito
que estas árvores são como as pessoas,
só dão o fruto saboroso e bonito
quando no chão têm raízes boas...

Essas raízes, eu sei, estão aqui
nestes terrenos que meus avós desbravaram
com o suor no rosto e roupa de caqui
interessados na terra, a terra semearam...

Veio-me o fruto à mão sem o ter semeado
bate-me o sol a jorros na cabeça, no rosto
- ar tão puro da serra como este não há...

Um cheirinho a maçã a alecrim pisado
essência de giesta a chamar ao sol - posto
Quem quer viver aqui? Quem quer ficar por cá?

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
Abril, 1988
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Raízes (2009)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Do meu pai herdei a lealdade,
da minha mãe o gosto de viver,
da avó Helena a forma de dizer,
do avô Amaro o dom da autoridade.

Da avó Ana o brio da justeza,
do avô Correia a luz da liberdade
de todos eles o rigor da verdade
o culto de Deus e da nobreza.

Esses valores são a minha bagagem,
nos caminhos tortuosos desta vida,
na chegada e na partida da viagem.

Não há recuo, nem pausa, nem voltagem.
São raízes que tenho sem medida,
e de mim, dão ao mundo, esta imagem.

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro de 2009

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As terras de minha gente


(Fotografia de António Sequeira)

Dai-me mais tempo, para cantar os meus
os que viveram cá antes de mim
antes que escute a chamada de Deus
e tome ansiosa o caminho do fim

Dai-me mais tempo para cantar antanho                    
que construíram casas e grandeza,
lavraram terras e guardaram rebanho
fugindo à peste, à guerra e à tristeza.

Crianças, homens, mulheres e mocetões
viveram risos, sonhos, ilusões
em caminhada dura, duro chão.


São os rostos, os nomes, as imagens
que fazem deste livro  as passagens
de uma família que não viveu em vão.

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro de 2008.