Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sombra


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tantas vezes
ao longo desta vida
senti no peito
esta opressão estranha...
Vai e vem
sem aviso
e deixa-me vazia
de cabeça perdida.
Fecho a porta ao mundo
desço a persiana
e tudo à minha volta
se transforma em fumaça
de uma chama.
Não se demora muito
é só um instante
como um nevoeiro que se dissipa
e passa.
Apenas me conforta
e me enche de paz.
Tantas vezes
quis abrir a janela,
escancarar a porta
e já não fui capaz...

Maria Helena Amaro
20 de abril de 2013

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Flor de Sombra


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A minha voz já está rouca cansada
de cantar ao mundo o meu tormento...
Oh! Se pudesse viver, só, descansada
sem o sonho, a dor, o sofrimento!...

Deus não quis que eu tivesse luz
como estrelas em noite de luar...
Oh! Pobrezinha! A mágoa me conduz
até à morte onde vou repousar!...

Dizem para aí que eu nasci poeta
mas é mentira que a verdade sei-a eu
e com ela vou sendo sonho louco...

Eu sou isto: uma escura violeta
que escondida vai implorando ao céu
d'algum carinho e do Amor um pouco!


Maria Helena Amaro
25/10/1954 

domingo, 31 de agosto de 2014

Eu sou...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu sou aquela sombra que ficou
duma imagem feita de luz e cor
sou a criança dum apagado amor
sou a lembrança de algo que passou

Eu sou peregrino errante que outrora
partiu em busca dum tudo que era nada
sou entre tantas uma desventurada
que a sorte abandonou pela vida fora

Sou um rasto do que fui, do que sonhei
no mundo vago que alto elevei
e que o destino cruel me derrubou

Sou aquela que pobre, anda à procura
da palácio da paz e da ventura
que um dia na dor arquitetou...

Maria Helena Amaro
Esposende, 23/07/1953

sábado, 30 de agosto de 2014

Sombras


(Ilustração de Maria Helena Amaro) 


Que saudade eu tenho desses dias
que passei, além, junto de ti
dos meus sonhos, das minhas alegrias
que me recordam o sonho que perdi

Que saudade eu sinto ao recordar
a tua imagem, um prodígio de cor,
a minha ilusão, o meu breve sonhar
e o despertar do meu primeiro amor

Que saudade! Que eterna amargura
são os meus dias vividos sem te ver
todos feitos de dor e de loucura! ...

Tu estás longe, eu sei! E o meu sofrer
é maior que nunca, é desventura
é o princípio de vida a perecer...

Maria Helena Amaro 
20/07/1953

domingo, 13 de outubro de 2013

Sombra



(Fotografia da António Sequeira)

És como uma sombra de mim, negra saindo
caminhando no chão, sempre a meu lado...
Fantasma de duende condenado
de rosto em frente à morte, reagindo...

Quimeras vão chegando e vão partindo,
erguendo mausoléus ao meu passado...
E tu ficas serena no pecado...
cinicamente a vigiar, sorrindo...

Desejos meus são dores que vais parindo
num pesadelo de todo ignorado
de amargura que vai crescendo e ferindo.

E por que és sombra sou eu que vou fugindo
num labirinto de noite inacabado,
à procura de Sol que for surgindo...

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
Abril, 1988