Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Braga, 2014


(Fotografia de António Sequeira)

Cheguei a Braga criança crescida
Aluna do Liceu Sá de Miranda
O rosto inteiro pendurado na varanda
do lar antigo situado na Avenida.

Braga foi a minha terra de adoção
Livros, estudos, recreios, orações,
cinema, bolos, serenatas e canções,
amizades tão puras, mão na mão.

Tudo passou, tudo foi, tudo morreu,
a Cidade de Braga envelheceu
E o lar da Avenida? Que procela!

A frescura da Avenida feneceu...
Só há cimento a espreitar o céu...
Braga morre em mim. Eu morro nela.

Maria Helena Amaro
Novembro, 2014



terça-feira, 19 de abril de 2016

Braga, 2013


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou pela cidade entardecida,
em busca de ti, de mim, de nós.
Barulho e confusão abafam esta voz.
Sinto-me triste, só entontecida.

Procuro em vão a Braga sem idade.
vejo as montras de luxo e de riqueza.
Nas esquinas há rostos de pobreza,
há entulho, há lixo, há sujidade.

Perdeu de todo a sua identidade,
senhora da bondade e da virtude,
tem um aspecto de louca que me assombra.

Da Roma portuguesa ninguém sabe.
Este seu novo rosto não me ilude:
É silêncio, é saudade, é sombra!

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2013

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Braga - Anos 50

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Puseste a tua capa de estudante
e foste espalhar risos
pelas ruas da cidade...
Desceste a Avenida,,
passaste pela Arcada,
foste à Globo, olhaste a Brasileira,
Rua do Souto abaixo,
rumaste até ao Arco.

Depois
foste espreitar a Lusitânia,
o Passeio dos Tristes,
pouco mais...
E no Campo da Vinha,
no quiosque da Laura,
compraste dois postais...

Olhaste com humor
a esquina do Turismo
pejada de «mirones»
e os pastéis a rir na Benamor
As "tíbias"... os "secones"...
Elétrico a passar
pela Rua dos Chãos
direitinho ao Liceu...

Mas tu ias a pé,
sobe, que sobe Rua de S. Gonçalo...
Atravessavas
com passo de elefante
Largo do Campo Novo,
Rua das Oliveiras,
Igreja das Teresinhas,
Rua de S. Vicente,
com a tua capa de estudante
a ondular
no ar...

Era o tempo da música
na Avenida,
dos pares de namorados,
das verbenas e festas no Casino...
Saraus no Ateneu...
Da Missa "chic" ali nos Congregados...
Se bem me lembro,
o melhor de tudo
e tudo o mais,
era a festa do 1º de dezembro...

Ceia dos Cardeais
e as serenatas ao Luar
ali em frente ao Lar...
No S. Geraldo e no Teatro de Circo
passavam os filmes escolhidos...
"Amanhã será tarde"
"Ana"
"Sabrina"
"Direito de Nascer"
que enchiam de Amor
os corações perdidos...

Se voltares à cidade,
Não tragas espanto ou sentimento.
A velha cidade donairosa
tornou-se nestes tempos
a favor de ideias e projetos,
que a encheram de ruas e rotundas,
de bairros sem flores
de praças de cimento,
barulhenta, trapalhona, vaidosa.

Se voltares à cidade
em dezembro ou em maio
esquece as fitas
as festas
o Liceu...
Tudo passou
tudo se foi
tudo morreu...

Só ficou a saudade...
Agora, viva e fugaz
brejeira, satírica, mordaz
estonteante e ébria
passa a cantar
de estranho tricórnio
A Universidade!

Maria Helena Amaro
Inédito, outubro de 2005