Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 21 de março de 2016

Carta de férias


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Gostaria de ter passeado
contigo de mão dada
mais vezes
nas ruas de Esposende...
Gostaria que soubesses
como fui feliz
naquela manhã
em que me disseste:
Pede-me o que quiseres...
E não te pedi nada
porque já tinha tudo,
porque te tinha a ti...
Gostaria que soubesses
que quando te perdi
porque Deus não atendeu
os meus pedidos...
Ficou esta carta por escrever
Este poema por declamar
porque não estava ao pé de ti...
Doloroso é partir e não voltar!

Maria Helena Amaro
Esposende, 20 de julho, 2012



segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Carta (2011)


(Quadro a óleo da autoria de  Maria Helena Amaro)

Houve uma carta
que nunca escrevi
porque, em amor eu era analfabeta...
Houve um poema,
que nunca te mandei,
porque perdera a alma
de poeta...
Hoje,
não sei porquê...
Escrevo para ti
cartas que ninguém lê...

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2011


domingo, 13 de dezembro de 2015

Carta


(Quadro a óleo da autoria de Maria Helena Amaro)

Estás aqui comigo o dia inteiro
e queres ver-me feliz em cada hora,
mas, eu pergunto: porque foste embora,
e me deixaste em rude cativeiro?

Sinto que és um anjo mensageiro,
que vigia, que ampara, que me adora,
mas, por ti a minha alma chora
e procuro o teu olhar fagueiro.

Tornou-se a vida uma porta fechada,
a que bato, na noite, angustiada
à procura de uma luz que perdi...

Vivo assim, sozinha, emparedada,
à espera de certa madrugada,
que me leve, em paz, ao pé de ti!

Maria Helena Amaro
Esposende
Agosto, 2010 

domingo, 24 de novembro de 2013

Carta/ a alguém



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me limpes as lágrimas.
Sempre detestei
que me limpassem o rosto
quando choro...
As lágrimas são salgadas
mas são minhas
é só um gesto  meu
deve poder limpá-las...
Se eu não quiser
as lágrimas de sal
vão cair livremente
como livre é a dor...
de te sentir ausente...
Não quero que as vejas...
Não quero que as tenhas...
nem sequer um momento
na tua crua mente...
Não me limpes as lágrimas
(é o vento que retém as ondas...)
O meu ser é do vento
e eu vou retê-las
apenas se quiser...
Tu não sabes o que é chorar...
Se a pedra fosse gente
tu eras como pedra
muda
bruta
uniforme
pesada
agreste
ausente


Maria Helena Amaro
Esposende, 1990
Agosto

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Carta


















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A tua oferta é um hino de Amor
o teu sorriso branco
a redação correta
o teu jeito de dar
a letra mais bonita que fizeste.
A razão grita.
Isto é Escola, Zé! Isto é Escola!
Mas, não sei porquê
fico-me parada
a alma toda a rir à gargalhada
- A razão em mim será senhora? - 

«Não voltes a ir tarde 
ouviste, Zé?»
Mas tu não ouves 
o teu olhar
é um bando de pardais em revoada
em busca do azul janela fora...
Irei ralhar-te?
Não.
Meu Deus, não sou capaz!
Grita a razão:
- Bonita professora!
(E é toda mordaz)
Mas não me importa...
Também já fui criança.
Terei de sê-lo agora.


Maria Helena Amaro
Maio 1974
In Escola Remoçada


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta


















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Meu Amor
o temporal passou
e as ruínas que fez
o sol há de dourar...

Dá-me a tua mão
e deixa-me sonhar...
As velas brancas
da minha alma vestida de Pureza
ninguém há de rasgar...

Ainda creio em ti...
Dei-te o meu perdão
e se mais tivesse do Sonho e da Beleza
mais te quisera dar.


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

domingo, 24 de março de 2013

Cartas de Amor





(Fotografia de António Sequeira)

Leio as tuas cartas uma a uma,
cartas de amigo, de namoro, de noivado,
e recordo como foste tão amado
e que esse amor não se perdeu na bruma...

Leio as tuas cartas com ternura,
e recordo com saudade esses momentos.
Doces mensagens, sinceros sentimentos,
construção firme de vida leve e pura.

Andámos toda a vida de mão dada,
e quando encontrámos na estrada,
tropeços, acidentes, maldições,

foi esse amor que nos salvou na vida,
e agora que estou só e perdida,
é dessas cartas que faço as orações.


Maria Helena Amaro
Inédito, 12 de Março de 2010 


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta/mensagem



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Gostava que soubesses
que foste um sonho lindo
que um dia encontrei
e não quis agarrar...

Tão distante andava
que passaste por mim
que chamaste o meu nome
e não quis escutar...

Onde fui procurar
um caminho diferente
que nunca me encontraste
de tão longe que era...

Ficou-me na lembrança
o teu riso sereno
figura fugídia
em doce primavera...

Maria Helena Amaro
Inédito, março, 2009

 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carta



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ondes estás,......, por onde andas
por que zonas de sombra te deterás?
Por que sítios, por que ruas, por que bandas,
que nada sei de ti e dos teus bens...

Os males estão comigo nesta hora...
- é o mais só que a solidão contém -
Mágoa vai... mágoa é... e mágoa vem...
E o desalento já não vai embora!

Ai que saudades da nossa meninice,
em que amar e desamar era ventura,
em que o riso e o choro eram amigos...

Esquecer é bom... Mas quem o disse?
Na minha alma há restos de ternura
e são bem teus os meus risos antigos!

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro 2009


 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cartas


(Fotografia de António Sequeira)

Sonho cartas
faço cartas
rasgo cartas
e atiro os papelinhos
ao encontro do vento...
São asas brancas
perdidas no espaço...

Ninguém vê
que nos pedaços levados pelo ar
vai o meu amor
esfarrapado
a tentar
esquecer e perdoar...

Sonho cartas
Faço cartas
rasgo cartas...
E tu não saberás.

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro, 2003

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Outra Carta para o Zé



Chegaste atrasado
E trazias na mão
A papoula vermelha...
Era de riso o teu olhar em flor!
Entraste de mansinho
E foste sorrateiro
Pousá-la toda
Na secretária negra
A papoula vermelha
E um sorriso branco...

Obrigado, Zé!
Não és capaz de nada...
Nem contas acertas
Nem zeros em ditado
Nem latras alinhadas
Nem horas pontuais
Nem leitura perfeita...
Mas trazes sempre
Feito de riso o teu olhar em flor
E na mão
A papoula vermelha!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Helena Amaro», 1973

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carta ao Zé



Eu dava tudo
Por um sorriso desses que me dás
Quando perdoo as tuas traquinices...
És tal e qual
Um botãozinho em flor
Encharcadinho de orvalho transparente
A pingar, a pingar
Alegria e ternura
Num poema de Amor...

Aqui muito em segredo
As tuas traquinices dão ventura...
Se não fosses tu
Assim, tonto de vida,
A nossa escola seria a casa velha
Onde os meninos aprendiam só
A pintar «Zés» vestidinhos de negro!
Deixa lá, Zé!
O milagre há de vir...
E alguém há de pôr
Escrito nos jornais
Que nos dias de sol
Nunca mais há escola, nunca mais...
E nós, então,
Havemos de ir os dois
Correr aos gritos, mãos dadas, campos fora
Caçar grilos, espantar pardais...

Trocaremos depois...
(Bem sabes que não deixo trocar nada...)
Eu serei  o Zé... Tu serás a Senhora...
E tu darás lições
Escritas no quadro
Com giz feito do Sol
Que trazes nesse olhar tonto da vida...
.........................................................................
Meu Deus! Ia ser mesmo uma escola divertida!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973