Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Amo o vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Anda o luar a bater-me na vidraça...
Anda à procura duma estrela perdida.
Na noite fria procuro uma guarida.
Mas não me abrigo ao luar que me abraça...

Quero ser livre como o pregão da praça,
que a peixeira solta desabrida...
De asas quero vestir-me de seguida,
e esvoaçar no vento que me enlaça.

É isto a minha sina, a minha raça,
senhora de ventura ou de desgraça,
nem luar, nem maré interrompida...

Amo o luar... Até que lhe acho graça,
mas o vento que ruge e por mim passa
dá um sentido de força à minha vida!

Maria Helena Amaro
Esposende, 2015.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Poema para o vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Hoje
o meu poema
é para o vento que passa
que me foge...
Que me foge há tantos anos
e que passa por mim e não me leva...
Vento
leviano e louco
leva-me contigo
a outras praias certas
sejam de sol
de mar ou de cometas.
Leva-me contigo
em voo, em nado, em furacão,
mas leva-me contigo
vento amigo
antigo
toleirão...
Saudades de ti
na minha mão!

Maria Helena Amaro
Junho, 2014.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vou na sombra do vento
antes que o sol ofusque
a luz que vem do mar...
Vou na sombra do vento
para que ninguém me busque
e me possa agarrar...
Vou na sombra do vento
que o vento não divulga
o que eu possa alcançar...
Vou na sombra do vento
que a sombra me empurra
e me depõe no mar.
Vou na sombra do vento
adormeço no sonho
e acordo a cantar!

Maria Helena Amaro
2 de setembro de 2013 

sábado, 13 de agosto de 2016

Vento


(Fotografia de António Sequeira)

Que vento é esse que te empurra tão forte
ao longo da praia onde o mar se estende?
É a vontade que cavalga do norte,
dunas afora nas terras de Esposende.

De sal e areia é feita a cavalgada.
Tudo abate, tudo pisa, tudo empurra.
Que vento é este que não respeita nada,
agreste e frio que o meu rosto esmurra?

Lá vou com ele sem paz e sem perdão.
Peço que pare, mas não me dá razão.
Talvez à noite ele aquiete e se mude... 

Se entardecer numa tarde de verão,
vai caminhar sereno e molengão
até ao souto da Senhora da Saúde.

Maria Helena Amaro
20 de maio 2013

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Janeiro


(Fotografia de António Sequeira)

Bailava o vento, bailava
por cima da penedia...
E se o sol se atrasava,
então o vento parava
e o nevoeiro descia...

Todo o mar se encapelava
e toda a praia gemia...
Gaivota velha piava,
o farol, enfim, berrava
e todo o barco fugia...

Por cima do casario
o nevoeiro pairava...
E se o sol se escondia...
Era noite? Ou, era dia?
Hora certa não contava.

Por cima do arvoredo
o nevoeiro dançava
E se o sol não aparecia,
toda a gente se escondia...
Noite cerrava... Que medo!

Maria Helena Amaro
15/01/2011


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vento


(Quadro a óleo de Maria Helena Amaro)

Ó vento que beijasflor
não me batas na vidraça,
que eu penso que é meu amor
que na minha rua passa...

Ó vento que és frescor,
não me batas na vidraça,
que eu penso que é meu amor
que me chama e que me abraça.

Ó vento tu gemes tanto
no meio do arvoredo.
Vens recordar o meu pranto,
minha dor e meu segredo.

Ó vento cantas aurora
no cume da madrugada.
Vens lembrar-me a toda a hora
esta vida estagnada.

Maria Helena Amaro
Julho, 2010.

sábado, 2 de maio de 2015

A voz do vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Noite de inverno. Lá fora a ventania
ruge feroz por entre o arvoredo...
Há dentro de mim um frio medo
e uma grande e vã melancolia...

Passa o vento em surdas gargalhadas
a rir da gente que lhe tem termor...
Risos amargos, são gritos de dor...
Noite de inverno e de sombras aladas...

Vento que passas em loucas gargalhadas
a rir do mundo, dos homens e de Deus
em gritos roucos que me fazem pasmar

Eu ouvi o teu rouco cantar
Julgo ouvir roucos soluços meus
Julgo ouvir a minha alma chorar...

Maria Helena Amaro
13/05/1955

domingo, 2 de março de 2014

Moinhos de ventos













(Ilustração de Maria Helena Amaro)




Moinhos de vento! Nunca os viste
de velas brancas redondas eternamente?
Bandeiras rotas de exilado triste
ondulando ao vento docemente...


Que pedem eles voltadas para o Céu
de velas rotas redondo eternamente
fantasmas brancos de certo mausoléu
desenhados na sombra do presente...


Farrapos brancos, paus estilhaçados
num raque, raque, raque eu vos vejo girando
no céu azul, esguios, levantados...


Sois a imagem da minha vida quando
eu levantava os meus braços cansados
ao Infinito, a Fé, implorando!...


Maria Helena Amaro
1957  

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Asas do Vento


(Fotografia de António Sequeira) 

É nas asas do vento
que te encontro
velho e entristecido...
É nas asas do vento
que tu foges de mim
e te perdes no tempo...


É nas asas do vento
que me deixo partir
para não regressar
ao sítio onde te escondes...

É nas asas do vento
que um dia partirei
e farai dessa viagem
um voo sem regresso...

É nas asas do vento
que ouço o teu arfar
dividido em soluços
que não quero escutar...

É nas asas do vento
que escrevo os poemas
que falam só de ti
e que nunca vais ler...

É nas asas do vento...
porque o vento vai e vem
inconstante e perdido
soluçante e fugaz...

É nas asas do vento...
...
Foi nas asas do vento
que o desespero veio.

Maria Helena Amaro 
Inédito, abril, 2000

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vento (Esposende, 1960)



(Fotografia de António Sequeira)
O vento forte soprava
do fundo
ao cimo da rua
minha saia levantava
e ficava
a perna nua...

O vento forte soprava
fazia
a saia balão...
A minha face corava
e ficava
como brasas de carvão...

O vento forte soprava
avisava
a tempestade
na voz do vento escutava
um hino de liberdade...

O vento forte soprava...
aflita segurava
o balão da minha saia
o vento não se calava
e uivando avisava:
olhe, menina não caia...

Cresci  no meio do vento
no seio da minha rua
como o vento
também canto
e no ar toda me espanto
quando ponho a perna nua.

Ai vento da minha idade
Ai vento dos meus lamentos
Ai vento feito saudade
Ai vento desses bons tempos!


Maria Helena Amaro
Inédito, 2004 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Se ouvires a voz do vento...


Se ouvires a voz do vento
chorar entre os pinhais
e o grito das gaivotas
suspensas sobre o mar
não pares no caminho,
não queiras escutar,
que o vento e as gaivotas,
só chamam temporais.

Se ouvires a voz do vento,
cantar entre os trigais,
à hora em que o sol
é rubro diadema,
sou eu que te procuro
e não encontro mais
e faço dessa busca
uma razão suprema…

Se ouvires a voz do vento,
saltar sobre os beirais
e a chuva miudinha
cair sobre o telhado,
recorda-te de mim
que já não sou miragem
que as asas perdi
numa longa viagem.

Cansada de sonhar
regressei ao passado…
Se ouvires a voz do vento…
dançar sobre o telhado…

Inédito, Maria Helena Amaro
Braga, fevereiro, 2006