Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
Mostrar mensagens com a etiqueta Prece. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prece. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de agosto de 2015

Prece


(Fotografia de António Sequeira)

Senhor que fizeste azul
o céu pertinho do mar
as cumeadas de neve
E a ténue luz do luar
e a triste violeta
que na sombra se disfarça
E as flores da valeta
feitas de pureza e graça
- Faz também azuis azuis, Senhor
os olhos do meu Amor! ...

Senhor que fizeste bela
a borboleta azonjada
e ardente como o fogo
a rosinha perfumada
E humilde como o pó
a linda urze do monte
E transparente de luz
o fiozinho da ponte...
- Faz também puro, Senhor
a alma do meu Amor!

Maria Helena Amaro
1958?

domingo, 28 de junho de 2015

Prece


(Fotografia de António Sequeira)

Senhor! A minha vida é amargura
É um abismo onde me vou perder
Eu que busquei viver só na altura
onde tu reinas com Divino Poder...

Senhor! Encontrarei ventura
nos caminhos da vida a percorrer?
Se digo "sim" logo a desventura
vem dizer "não" ao meu alvorecer...

Eu sofro Senhor! Mas porventura
um "sim" de vida é para ti um "não"
Um "não" de vida é para ti um "sim"!

Eu quero Luz, Senhor! Quero ternura
quero merecer do Céu o seu perdão
Quero encontrar-te aqui dentro de mim!

Maria Helena Amaro
24/12/1956

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Prece do escravo



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ergueu a face bela, escurecida
olhando com fervor a negra cruz
a voz saiu-lhe fraca, enrouquecida
mas muito doce ao murmurar: Jesus!


Maria Helena Amaro
1955

domingo, 16 de junho de 2013

Prece II (1968)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Senhora do Perdão
Senhora dos olhos magoados
de vestes cor de céu
a rastejar o chão.

Eu venho aqui
e já não sei rezar
e já não sei pedir...

Menina fui
Menina fui até a Dor surgir...
Agora, não tenho que dizer...
Tenho um ramo de espinhos
dentro de mim,
a crescer, a crescer...

Trago as mãos vazias
próprio já não tenho nada
que vos possa ofertar...

Minha mãe,
Senhora do Perdão...

Deixa-me encostar ao vosso seio
a minha alma
cansada de chorar...

Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

sábado, 15 de junho de 2013

Prece I (1968)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Mostra-me o Sol!
Ensina-me a viver!
Horas amargas vivi em desatino
antes de te encontrar
no meu caminho...

Depois que te encontrei
tive da vida o que de melhor Deus
pode dar à mulher...

Agora
a alma toda em ferida
chaga aberta em dor feita degredo
peço-te de mãos erguidas...

Ensina-me a viver!
Eu tenho medo!


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Braga, 1968

quarta-feira, 20 de março de 2013

Prece (Tono-2010)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Senhora da Saúde de Esposende
Minha Santa Senhora, minha Mãe,
nesta hora de dor que tudo prende,
dá um pouco de saúde a quem não tem...

Senhora dos meus tempos de criança,
em cuja ermida saltitei e rezei,
dá um pouco de luz da vossa Esperança
ao meu amor a quem tudo entreguei.

Senhora dos meus tempos de noivado,
em que tudo era riso e sonho alado,
longe de sofrimento e desespero.

Escondo o meu rosto em teu regaço:
implorar, rezar é o que faço,
um pouco de saúde é o que quero.


Maria Helena Amaro
Inédito 8 de fevereiro 2010 (op. AS)



domingo, 4 de novembro de 2012

Prece (Tono)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Senhora da Saúde
Senhora da Soledade
Senhora da minha dor
e da minha verdade.
Senhor dos Aflitos
Senhor do Bom Jesus
Dos meus sonhos bonitos
cheios de cor e luz...
Senhora dos lamentos
de trajectos tão vários
dos grandes sofrimentos
das Cruzes dos Calvários
Da noite que se vai
perdido na altura
do Sol que há de nascer
pejado de amargura...
Senhora das Esperas
que esperou Jesus
eu espero e não quero
o arrastar da Cruz.
Senhora da Esperança
com rosto de mulher
em olhos de criança
aceita o meu sofrer...
 
Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro de 2009.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Prece





Deixai-me ser criança toda a vida
Já que a vida é tão curta
E o sol não vem todos os dias…
Olhai os olhos das meninas crescidas!
Não vos parecem
Que de tristes
Não sabem já cantar as alegrias?

Deixai-me ser criança toda a vida
Uma menina anjo
Mesmo que tenha de pisar descalça
As pedrinhas da rua…
São tão felizes essas meninas anjos
Que passam de manhã
A caminho da aula
A escrever na bruma
Suspensa dos espaços
Recados para a Lua!
Não lhes tolhais os passos…
São meninas felizes
Já que o Céu mandou de madrugada
Mirar nos olhos delas
O fogo intenso dum bilião d’estrelas…
E eu
Menina grande crescida entre meninas
Recebo-as com o Sol
Pendente dos meus braços!...

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Prece

Senhor…
Quando a noite descer
E me tornar abandonada e só
Dá-me a tua Mão
Para que eu pouse Nela
A minha face crispada de amargura…
Senhor…
Quando o Sonho nascer
E com ele ilusões de Ventura
Dá-me a Tua Mão
Para que leia Nela
O sinal + na minha branca estrada
Senhor…
Quando o Amor vier
E com ele quimeras rendilhadas
Dá-me a Tua Mão
Para que eu guarde Nela
Todos os Sonhos de Pureza e Ternura…
Senhor…
Quando a Morte se erguer
E transformar o meu oiro em poeira
Dá-me a Tua Mão
Para que possa ver
O meu Caminho escrito nas Estrelas…
Senhor…
Senhor das coisas belas !

Maria Helena Amaro – 1960
In «Maria Mãe»