Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 26 de maio de 2018

Regresso


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Que é feito de vós minhas meninas,
minhas meninas da Escola de Criás?
Olho as fotos e não vos reconheço...
Só lembro bem os vossos olho ledos,
cheios de luz, de pureza de paz!
Que é de vós meninas de soquinhas,
de avental e saia quase até aos pés?
Que é de vós alegres pequeninas,
atrás de mim em voo de andorinhas
a arrastar, presas, sempre as minhas mãos?
Passaram tantos anos! Tantos... Tantos...
Já sois, talvez mamãs, até avós.
Já vós crescestes em graça e em encantos!
Mas eu não me esqueci... de todas vós.
Vivo ainda e por entre desencantos
olho as vossas caritas encantadas...
Branquinhas de luar... Morenas como a noz
e fico-me a pensar...
Ai Criás, da minha mocidade...
Meu Deus, tanto amor, tanta saudade!

Maria Helena Amaro
Abril, 2015


sábado, 30 de março de 2013

Regresso aos anos sessenta


(Fotografia de António Sequeira)

Se alguma das que me deste,
eu não a quis,
acreditei que podia ser feliz
e de mão dada
conquistar a vida...
Se ganhei ou perdi já não me lembro,
apenas sei que te amei loucamente
desde aquela tarde de Novembro...
não interessa a dor ou a lembrança
dos dias longos vividos sem esperança;
Interessa, sim, apenas recordar
que conjugámos bem o verbo amar
e que ajustamos sempre o nosso passo...

Agora,
no cair da vida, sem agrado,
entre risos, lágrimas e saudade
regressamos juntos e ternurentos,
aos tempos felizes de noivado,
Amor sem malícia, sem pecado,
cheio de sofrimento.

Maria Helena Amaro
 
Inédito, março de 2010

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Regresso III

(Fotografia de António Sequeira)


O sonho faz-me partir
a vida faz-me voltar
morro de Fé no porvir
assim perco o meu lugar

Que o Sonho é barco perdido
nalguma praia encalhado
vida que tenho vivido
sem futuro e sem passado.

Maria Helena Amaro
Inédito, abril de 2007

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Regresso I

(Fotografia de António Sequeira)

Ai se eu pudesse voltar a ser quem era!
Ai se eu pudesse voltar a escolher!
Não acreditaria na Luz da primavera
Mas confiaria na Luz do Entardecer.

Ai se eu pudesse retroceder meus passos
Ai se eu pudesse fazer a minha escolha
Não estenderia à luz estes meus braços
Não escreveria a vida folha a folha

Ai se eu pudesse repreencher os dias
Ai se eu pudesse cantar minhas canções
Ai se eu pudesse amar uma outra vez

Não buscaria tonta na Luz as alegrias
A luz só cega, só riscas clarões...
A sombra é doce, é cheia de mercês!

Maria Helena Amaro 
Inédito, julho, 1998

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Regresso II


Durante muito tempo
Os nossos passos traçaram paralelas
Depois
Não sei porquê
O Sol ridente deixou de ter sentido
E a escuridão aconchegou-nos
Nos seus braços mortos...

Agora
Que voltamos à luz
Só temos pr'a lembrar
A dor sem nome
Desses caminhos tortos!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973.