Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Aguarela


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sentam-se as velhas
à porta do lagar,
a recordar
aquilo que a vida
não lhes deu...
O amor,
foi como um raio de luar,
brilhou tanto, 
mas veio a madrugada
e logo se apagou...
Desapareceu.
Partiram todos
e ninguém ficou
nas casas do lugar...
Foram tormentos e dores
por que passaram
mas, não, ninguém ligou.
Sós e carentes
na aldeia adormecida,
se ficaram
à espera de alguém que não voltou.
Sentaram-se as velhas
à porta do lagar
a recordar
o tempo que morreu...

Velhas, velhinhas
são,
de meter dó,
mas, ninguém para,
para ouvir,
com dó,
estas lamechas
que, por velhas, não cabem
no mundo jovem
afastado do Céu.

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
Novembro, 2010


   

domingo, 17 de março de 2013

As velhas


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Sentam-se as velhas na orla do mar
rostos ao sol e lenços ao vento,
a recordar estórias desse tempo
em que estendiam sargaço a secar...

Sentam-se as velhas nas pedras do cais,
a segredar coisas tão mexeriqueiras,
falam de amores, de negras carpideiras
e de naufrágios em noites de luar...

Sentam-se as velhas no adro da igreja
esconjurando a bruxa malfazeja
que as tornou tão velhas e cansadas...

Sentam-se as velhas no "jardim dos peixinhos"
por ali andam a saltar os netinhos
que são os anjos nas noites estreladas.

Maria Helena Amaro
Inédito, Janeiro, 2010