Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Registo


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Foi longa a vida, sinuosa a estrada,
como em histórias de terras de Sicó.
Corpo esquecido de alma iluminada;
a deslizar em skate ou trenó.

De dia o sol, de noite a madrugada,
de pesadelos nunca tive dó
cresci em selva escura e perfumada,
cheia de lendas que me contava avó.

Maria Helena Amaro
Maio, 2014

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Registo (2013)


(Fotografia de António Sequeira)

Quando chamas por mim eu já não vou.
Eu já não vou; que me posso perder.
Canso-me a caminhar neste viver,
aquilo que fui, eu já não sou.

Busco o passado e tudo se esfumou.
O que já houve, aqui, não vai haver.
Vou caminhando até desfalecer.
Nada recebo; também já nada dou.

Por onde andei que a luz me incendiou...
Por onde andei que o sol me enfeitiçou...
E que o mar me bateu até doer?

Na minha alma o amor se apagou.
Estás comigo no pouco que restou.
Estás comigo, na fé, até morrer!

Maria Helena Amaro
Junho de 2013

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Registo


(Fotografia de António Sequeira)

Setenta e cinco anos?! «Linda idade,
não parece, não» me dizem todos.
Mas estes elogios são engodos
que me reportam à minha mocidade.

São cinzentos anos de saudade
Recordá-los assim não é tolice
Eu tinha vinte anos... brejeirice!
A alma cheia de risos e bondade.

Na mão esquerda trazia o coração
Na mão direita o sonho e a razão
O meu futuro era a terra prometida

Nesta viagem muitos me encontraram
Os sonhos que levava mos roubaram
Fiquei, assim, pendurada na vida!

Maria Helena Amaro
Julho, 2012.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Registo I

(Fotografia de António Sequeira)


Todo o bem que fiz
virou maldade
hipocrisia
mentira
maldição...
Procuro
busco
um abrigo sincero
mas levo
o desespero
pela mão...
Com ele vou
com ele me encaminho
sabe-me a fel
a palavra perdão...
Sobra-me Deus
e se Ele não vier
irei viver
como este verme velho
a rastejar no chão.

Maria Helena Amaro
Inédito, fevereiro de 2007

terça-feira, 17 de abril de 2012

Registo

(Fotografia de António Sequeira)

Vais encher-te de lágrimas
e não vais dizer
nem sequer a palavra essencial
que imponha a tua dor...

Vais ficar muda como uma vestal
e não vais fazer nada
nem sequer o gesto necessário
que suspenda o ritual
onde morres de dor...

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro de 2000