Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Vinte anos


(Fotografia de António Sequeira)

Eu tinha vinte anos... Muitos sonhos
ilusões tão puras, tão serenas,
a alma cheia de rimas, de poemas,
ideais nobres, luminosos, risonhos.

A vida era a montanha florida
que teria de escalar pé ante pé
com coragem, fortaleza e fé
pois no cimo era a terra prometida.

A vida era avenida ornamentada
era oceano que não tinha fim
era seara a abrir toda em flor...

Eu tinha vinte anos... Que loucura!
Acreditar que a alegria sempre dura...
que nada morre... saúde, paz, amor!

Maria Helena Amaro
16 de novembro de 2014.

domingo, 23 de abril de 2017

Estação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Reparti todos os sonhos meus
em nome do amor
da fé
de Deus...
Colhi só ingratidão e maldizer...
Agora
nestas noites negras, cruas, frias,
ao olhar as minhas mãos vazias,
nada me prende,
ao gosto de viver...

São velhos
são ateus
são cantilenas
estes poemas meus....
Mas eu,
ao contar os meus dias,
ensaio um sorriso
e adivinho os céus!
Quero alegrias!   

Maria Helena Amaro
Fevereiro, 2014

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Dever eo Sonho


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sempre lutei entre o Dever e o Sonho.
Por mim razões me senti derrotada.
Quando  o Dever me parecia risonho
vencia o sonho. Ficava avassalada.

Por esses dois me senti enganada.
Pois se o Dever, enfim, era medonho.
Lá vinha o Sonho fazer de mim pousada.
Dizendo-me, então: "- Que dever tão bisonho!"

Agora que a vida se esmorece,
o Dever para mim se desvanece.
Não é luta, nem ritual tristonho.

É o sonho que vem, que me enternece...
É o sonho que na alma permanece.
Já não há luta, pois eu escolho o Sonho.

Maria Helena Amaro
16/07/2013



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sonhei...


(Fotografia de António Sequeira)

Sonhei um dia agarrar a madrugada.
Fazer dela um raro diamante
para que o sol ao nascer rutilante
nas minhas mãos fizesse uma morada. 

A aurora do sol foi demorada,
depois de uma noite inebriante,
em que as estrelas em dança lancinante
impediram o surgir da madrugada.

Cantei ao sol a canção combinada.
Enchi de fogo a minha jovem estrada.
Do sol fui irmã, noiva, amante.

Para quê? O sol foi debandada
A minha espera não valeu nada
Ficou o sonho. Tornei-me caminhante.

Maria Helena Amaro
25/06/2013

sábado, 2 de abril de 2016

Sonho


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ao Por do sol
o sol é rubro incandescente
tornando o mar
um tapete de fogo...
Na praia deserta
e esquecida,
caminho docemente,
metendo os pés,
na espuma salgada.
Então
tu vens suspenso
sobre o mar
de braços estendidos
para mim
e de rosto risonho.
ao meu encontro.
Subitamente acordo
Abro os olhos... Pronto!
Lá se foi o sonho!
Coisa ruim!

Maria Helena Amaro
Braga, 2 de outubro de 2012

domingo, 19 de julho de 2015

Êxtase


(Fotografia de António Sequeira)

Ao imenso lago azul do mar sem fim
os olhos eu lancei...
E as ondas balouçando lentamente
muitas coisas belas me contaram
numa canção dolente...
E eu sonhei e esqueci-me de mim...
Depois... quando acordei
achei-me tão diferente!!!...
Não era eu que o mar refletia
nas ondas azuladas...
Era outra imagem de poesia e vida
onde o Amor quisera
fazer sua morada...
E os meus olhos ficaram cor de águas
E azuis se tornaram lentamente...
Azul o mar... azul o céu...
E azul a cor das minhas mágoas!


Maria Helena Amaro
1957

sábado, 18 de julho de 2015

Outros tempos


(Fotografia de António Sequeira)

Também tive o meu sonho, o meu reinado
suspenso nas alturas da ilusão
Tive uma coroa, num castelo, num brasão
e um manto de quimeras bordado...

Tive nos olhos castelos infinitos
pousados de loucuras e desejos
Tive nos lábios o amargor de beijos
recolhidos de sonhos esquisitos...

Tive do nada todo o mundo a meus pés
Corri-o ardente, em ânsias, lés a lés
Independente dos dias que voavam...

Todo o reinado tem um findar na vida
e o meu acabou numa subida
onde os ideais da vida me esperavam...

Maria Helena Amaro
1957

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Rendas de sonho


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Tomara eu ter na cabeça pousada
a neve branca que a serra contém...
Seria tia... avó... ou até mãe,
lua Mãe adorada!
À minha volta haveria só caminho
e num sorriso só Amor...
Palavras de afecto, de calor
no meu lar pobrezinho!...
E teceria nas minhas mãos pequenas
as mil rendas tricotadas em oiro...
E no meu peito o meu grande tesoiro
seriam só cabecitas morenas...
- ... E à noitinha quando houvesse luar
a neve branca seria o meu cabelo...
... ... ... ... ...

Quem me dera ter na alma
já morta
Toda a brancura caída à
minha porta! ...

Maria Helena Amaro
14/05/1954  

domingo, 19 de abril de 2015

Invisível


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminho só em busca d´algum sonho
que a minha alma sonhou na primavera...
Que importa ir em busca da quimera
e ter na vida um abismo medonho?

Caminho só em busca de ventura
que minha alma sonhou sem nunca crer...
Que importa eu lutar e perecer
se a minha vida é toda noite escura?

Caminho só em busca de fortuna
de algum bem que ele me prometeu
de uma sombra que a noite encobriu?

Louca de mim! Busco nuvens de bruma
a encobrir tudo o que já morreu
e esse tudo ninguém vê... Ninguém viu...

Maria Helena Amaro
18/03/1955

domingo, 29 de março de 2015

Sonhar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu tenho um medo imenso de sonhar
Mais esta ilusão, tão tentadora...
Mas... Meu Deus! Bendita a hora,
em que tive a dita de o amar...

Amá-lo? Não. Sei que não é amor
É o começo duma grande ilusão,
de mais um espinho, duma rosa em botão
que murchará antes de ser flor!

Ando a espalhar no mundo ao meu redor
aquela luz que Deus me ofereceu
quando minha alma sã desabrochar...

Pobre de mim! A todos dou Amor
e para mim guardo um sonho ateu...
Um sonho? Não. Um sonho já eu sou...

Maria Helena Amaro
12/11/1954

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O Sonho das Estrelas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu tenho um sonho!...
Um sonho grande, imenso
que um dia fui buscar
às estrelas do céu...

Eu tenho um sonho!...
O meu sonho é quimera...
É dor é sofrimento...
Que eu roubei à miséria...

Eu tenho um sonho...
Um sonho belo, límpido.
Feito de neves brancas
dos meus brancos anseios...

Meu Deus! Será um sonho?
Eu tenho um sonho grande
que tirei às estrelas...
E rezo, e sofro e creio
pois julgo que o meu sonho
não será deste mundo! 

Maria Helena Amaro
20/12/1954

domingo, 28 de dezembro de 2014

Fantasia


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu queria mergulhar nos teus olhos
meus olhos torneados de chorar
que os teus fossem um lago, um verde mar
e que os meus fossem estrelas do céu...

E num sonho todo feito de quimera
eu sentisse o afago dum carinho
como estrela, como guia no caminho
que eu palmilho estivesse à minha espera...

Mas teus olhos são um deserto ardente
onde meus olhos se perdem loucamente
em busca dum «oásis» de ternura...

Que importa isso, se eu constantemente
quando os olho sorrindo docemente
julgo viver num mundo de ventura?

Maria Helena Amaro
17/02/1955

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nunca mais! ...


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Minhas quimeras, meus sonhos, meus anelos
Ninguém os viu, ninguém os encontrou
foram-se com o tempo fugaz que os levou
má desventura a minha de perdê-los

Busco-os no espaço vazio dos meus olhos
em que sonhei não mais os encontrar
que importa o sonho - miragem salutar -
se elas estão tornados em abrolhos?

Um é chaga, outro dor, outro desgosto
outro as sombras sulcadas no meu rosto
outro o eco dolorido dos meus ais

Pergunto se voltou, um sopro, um gemido
ao meu olhar no espaço perdido
e ele diz-me: Nunca mais! Nunca mais!

Maria Helena Amaro
18/03/1955 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pétalas brancas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Pétalas brancas que soltei ao vento
em dias loucos da minha ventura
vejo-as hoje já no esquecimento
cobertas de pó e de amargura...

Pétalas brancas que um dia espalhei
em tarde amena de sereno verão
não mais as vi, não mais as apanhei
elas se foram e não mais voltarão...

Pétalas brancas são sonhos de magia
que desfolho de rosas, dia a dia
no meu jardim de ilusões florido

Pétalas que murcham sem serviço, sem vida
são a imagem duma primeira vida
são os despojos do meu reino perdido...

Maria Helena Amaro
01/01/1954

   

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sonho eterno


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Cai a chuva miudinha
Das estradas ruidosas da cidade
No ar andam nuvens de humidade
Nos campos há cheiro a violetas…

Andam no ar cânticos de poetas
Há ilusões que são realidade
Na minha alma há sombras de saudade
E na minha vida há manchas quase pretas…

No fim da tarde deste dia de inverno
Em que a chuva vai caindo lentamente
Convidando-me a um sono muito terno

Eu sinto que o meu peito está ermo
De lembranças que recordo tristemente
Quando sei que tenho um sonho eterno!


Maria Helena Amaro
Braga, 16/10/1953 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sonhar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

É a hora em que o Astro-Rei
se esconde entre nuvens azuladas
que eu recordo tudo o que sonhei
mesmo aqueles tão pequenos nadas...

E fico-me assim... Como dizer
o que sinto depois dentro de mim?
Não é tortura, não! Não é sofrer!
É viver uma ilusão sem fim!...

E deixo-me embalar só em quimeras
num mundo novo de felicidade
enquanto recordo as outras eras
que me trazem amor e saudade...

Sonhar... Sonhar... pr'a que dizer
que não sonho, que não tenho anelos?
Era mentir, era tentar varrer
todas as ilusões dos meus castelos...

Maria Helena Amaro
Férias de 1953  


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Muro




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ergueu-se muro
lentamente
pedra a pedra
alto a alto
tornou-se fortaleza.
Não tenho forças
para derrubar o muro...
Tudo ruiu em mim
Não tenho força
capacidade
nem sequer confiança...
Regresso ao tempo
em que era criança...
Rodeada de muros
chorava no regaço dos meus
sonhos
e ninguém escutava.

Maria Helena Amaro
julho, 1997

domingo, 12 de janeiro de 2014

Utopia




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)
 

Sair
ir dançar a qualquer lado
rosto no rosto
mão na mão...
Duas palavras
um cigarro
um Whisky...
Uma pausa enorme na conversa
sorrir...
sorrir...
nada dizer...
beber...

Sair
mostrar ao mundo que ainda não morri
ir a qualquer lado
ter o meu canto
a minha mesa
o meu amado...

Sair
num dia de chuva
que cansa
que embrutece
que me faz sentir
um barco naufragado...

Maria Helena Amaro
Março,1995

domingo, 13 de maio de 2012

Sonhar (ao Tono)


(Fotografia de António Sequeira)

Para te possuir
não basta
ter-te aqui
silencioso
e triste
a meu lado...
Para te possuir
é necessário
regressar ao cais
aceitar a mágoa
sem fugir...
Aceitar a dor
e não chorar...
Para te possuir
sem condições
sem forma
sem gesto
sem voz
sem decisão.
Para te possuir
é fazer de mim
um violino
e da vida
canção.

Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 1999. 

sábado, 3 de março de 2012

Sonho



Mais alto que as estrelas
Havia erguido
O meu sonho de Amor
Mais alto que as estrelas
Onde ninguém jamais
O pudesse encontrar…

Somente tu
Com as mãos de neve e olhos de luar
Poderias subir a esse sonho
Comigo de mãos dadas…
Mais salto que as estrelas
Havia erguido
O meu sonho de Amor…
Nesse lugar bendito
Nessa vereda branca
Sem poeiras de estrada
À porta do Infinito…


Vieste tu
De mãos de neve e olhos de luar
E se vieste
- Bendito seja o dia que te trouxe! –
Descer-me toda
Desse lugar sagrado
Onde havia erguido
O meu sonho de Amor
Porque hei de agora
Tecer o riso de Dor?



Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973.