Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 27 de abril de 2014

Introspeção





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não pares
não tentes bater à porta.
fechada às portas da vida...
Avarenta do meu redor
não dou pousada a ninguém...


Quem quer partilhar comigo
minha miséria dourada?


Vai adiante,
não pares!
Deixa a pergunta no ar...
Há caminhos luminosos
onde ninguém passou
só por passar...


Deixa-me só!
Deixa-me só com os farrapos roxos
dos meus sonhos azuis...
Nas tardes de solidão
Um... Dois... Três...
Quero contar
Chego a contar um milhão
das horas todas vazias
dos dias todos do mês...

Minha miséria dourada,
de  verdade,
é quase nada....
Choro e canto
e sofro... e rezo!

Às vezes sonho também!
Avarenta do meu nada
não dou pousada
a ninguém!

Ai estas horas vazias...
Estas horas ninguém
tem!

Maria Helena Amaro
31 de agosto de 1960

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Introspeção (II)

(Fotografia de António Sequeira)
Ando á procura de mim!
De' outra que não seja eu.
Em que a rosa seja jasmim
e o branco seja breu.

Há tanta contradição
Tanta mentira/verdade
Que ventura é perdição
Tibieza santidade.

Maria Helena Amaro
Inédito, junho, 2006


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Introspeção


Não sei...
Não sei se a Vida é o tal caminho verde
Por onde caminhamos de mãos postas
Vestidinhos de negro
Como crianças pobres
De rua em rua
A cantar mendigando
Um pedaço de pão...

Passam por nós
Caminheiros antigos
- Andrajos de luar -
E nós paramos de costas para o Sol
A meio caminho
A meditar...
Quantos passam por nós a soluçar!

Não sei
Não sei se vale a pena
Abrir as portas brancas
E dar Pousada aos caminheiros cegos
Que passam a cantar
De guitarra quebrada...
Há tanta rosa caída na estrada!

Não sei...
Não sei porque paramos a meio caminho
Acreditando ainda
No dia de Amanhã que vai nascer...
Sofrimento... alegrias...
Quem há de encher as nossas mãos vazias?

Há pássaros feridos
De asas partidas
Porque quiseram voar mais alto que as estrelas
E temendo as Alturas
Preferiram morrer...

Não sei...
Não sei se a vida é o tal caminho verde...
Se rio, sou criança...
Se choro, sou mulher...
- Quem me vai entender? -

Não sei...
Não sei...
Não sei se a Vida é o tal caminho verde
E tenho um medo imenso...
Só Deus pode Saber!!!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973