Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Cruz


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Numa manhã de certa primavera
pedi a Deus um caminho de luz.
Deus escutou-me. Quis saber quem eu era
e colocou nos meus ombros uma cruz.

Suporto a cruz com a força de meus braços,
na escapada das escarpas do tempo!
A fé em Deus ilumina os meus passos
e alivia ou cura o sofrimento.

A cruz é isto: viver e aceitar.
Tudo, de tudo que Deus nos pode dar,
de bom, de mau, de alegria ou dor.

Connosco vai Jesus de braço dado,
connosco dia e noite, em todo o lado
em promessa, em perdão e em amor!

Maria Helena Amaro
Setembro, 2014

quarta-feira, 18 de outubro de 2017


(Fotografia de António Sequeira)

Não irei. Não vou nesse caminho,
dos que renegam o nome de Jesus.
Andam ceguinhos à procura de luz,
o corpo em fogo, a alma em desalinho...

Não vou com eles. Não consigo ir...
Eu me recuso a caminhar em vão.
Levo certezas na palma da mão...
É a cruz de Cristo que eu quero seguir

Venha comigo quem quiser cantar.
Quem acredita numa vida melhor
Quem é senhor de esperança e bondade

Não irei só, porque irei a rezar.
Fé e Esperança me levam com amor
Encontro rios de luz e de verdade.

Maria Helena Amaro
Maio, 2014

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Onde está Deus?


(Óleo sobre tela de Maria Helena Amaro) 

Há palavras estranhas, esquisitas,
que o povo pronuncia e domina. 
Chama-lhes azar, sorte ou má sina,
praga, degredo ou muito desditas.

O fado é sorte, é tristeza maldita
Nasce connosco e vem desde menina.
Doenças, males que ninguém atina.
Existe a fé e ninguém acredita.

Horóscopos, profecias, previsões,
rezas e mitos, alucinações,
andam no mundo debaixo destes céus...

Estranhas seitas, tantas religiões,
descem à toa sobre as multidões.
Reinam na terra os laicos, os ateus.

Maria Helena Amaro
Março, 2014 

sábado, 23 de setembro de 2017

Deus


(Fotografia de António Sequeira)

Roubem-me tudo: a graça, a luz, o sonho,
o ciciar da voz de uma criança,
auroras róseas de subtil esperança,
o meu gostar de ser rosto risonho. 

Roubem-me o riso dos sonhos que vivi,
miragens vivas da vida ornamentada,
repleta de canções na minha estrada
poemas de ternura que nas noites escrevi.

Roubem-me as telas, os pincéis, as molduras,
flores e frutos que pintei nas gravuras,
rostos e bustos que nunca foram meus.

Roubem-me tudo na velhice encontrada,
pausa, sossego, doença anunciada.
Roubem-me tudo, mas não me roubem Deus!

Maria Helena Amaro
9/01/2014

domingo, 3 de maio de 2015

Aos pés de Deus


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Lanço meus olhos ao azul divino
ajoelhada a rezar a sós...
Ó quem me dera transformar num hino
a dor da minha rouca voz!

Ouço lá longe no pinheiral distante
um passarito gorgear de amor...
E eu comparo essa voz murmurante
ao eco triste da minha dor!

Aos pés de Deus murmuro uma oração
Mais um pedido que um grande louvor
Mais uma prece que um hino de Amor

Como posso eu dar-lhe meu coração
se o trago repartido pelo mundo
aos bocados, exangue, quase imundo?


Maria Helena Amaro
Braga, 1955



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Regeneração


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu queria ser melhor... muito melhor...
Mas a vontade é já sombra na vida...
Aí! Sou tão perca, tão fraca, tão perdida
Não tenho a Luz de Fé, a luz de Amor!

A minha alma tem ânsias do Além
Daquele Além a longínqua distância
Oh! Quem me dera ainda na infância
e ir em busca desse Divino Alguém!

Mas no caminho que julguei dourado
há cruéis espinhos que me põe a sangrar
A minha alma em sofrer inacabado

Virgem Maria! Que seja o teu olhar
aquela estrela que no céu azulado
aos braços de Deus me há-de guiar...


Maria Helena Amaro
29/10/1954

domingo, 14 de dezembro de 2014

... ... ... (sem título)



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Deus fez meus olhos de um pedaço dos céus
e meus cabelos da noite muito escura
pôs no meu rosto de neve, a extrema alvura
e em minhas mãos transparências de véus! ...

E Ele  que era um Divino, um Deus
Supremo artista de sua escultura
quis retocar-me com sombras de amargura
e violetas tornou os olhos meus...

Depois olhou-me e sorriu satisfeito
pôs um cravo de mágoas no meu peito
como um sinal de eterno sofrer...

Com roxos lírios circundou-me os olhos
colocou no meu caminho só abrolhos
e uma cruz nos meus ombros de mulher!

Maria Helena Amaro
11/04/1955 


sábado, 24 de agosto de 2013

Sepulcro


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tu és nada
mas Deus existe em ti
e por ti se quer mostrar aos outros
mas tu não queres
e o pão que dás é pedra
e a palavra grito
o passo pontapé
o gesto soco
o sorriso esgar
a lágrima revolta
a verdade penumbra
a mentira noite
a certeza traição
o sentimento medo
a justiça vingança

Sepulcro vivo
fantasma comandado
a tua ambição é ser Senhor...
Deixa-me rir
(mas tu não deixas)
meu pobre
meu negado
meu palhaço - ditador!

Maria Helena Amaro
Maio, 1975
In Escola Remoçada 

domingo, 21 de julho de 2013

Um poema para Deus


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Pensei um dia
escrever a Deus
uma carta de amor.
Uma carta de fé e de harmonia
cheia de petições…
Uma carta serena
Onde pedisse a Deus
remédio santo
a curar minha pena.

Pensei um dia
escrever a Deus
uma carta de amor…
Uma carta de paz e de alegria
cheia de riso e canções…

Não fui capaz…
deparou-se um dilema…
E se Deus não a lia?
Então
Ergui as mãos…
escrevi um poema!

 


Maria Helena Amaro
Inédito
Braga, 2 de junho de 2013.

domingo, 26 de maio de 2013

Senhor



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Só vós sabeis Senhor
esta enorme Dor feita segredo...

Sinto-me agonizar,
diante dos meus sonhos destroçados
e a dúvida
cresce dentro de mim como um braseiro...

Só vós sabeis Senhor
o nome desta Dor feita segredo...
Ajudai-me, Meu Deus!
Eu tenho medo!

Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Julho, 1968

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Meu Deus (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Meu Deus:
Sonhos agonizantes...
Ramos de rosas caídas nos caminhos
Levai tudo, Senhor!
Já não há cruzes erguidas na estrada
e as flores cresceram
no cemitério das coisas sem sentido.

Sinto-me morta
e vós Senhor tendes a vida toda
no amanhã do Sol que vai nascer...

Tomai a minha alma
Dai-lhe a frescura do repicar dos sinos
que eu já não suporto
viver suspensa de um sonho ignorado
repartida entre a luz
que doira dois destinos.


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Junho, 1968.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nas mãos de Deus

(Fotografia de António Sequeira)

Bateu-me a morte à porta
e eu abri…
Lá fui com ela,
doente,
em convulsões.
Lá fui com ela desamparada e só;
longo era o túnel
estreito
escuro
frio
e lá no fundo,
como o dia a nascer,
havia um sol
aurora boreal…
suspensa sobre um rio.
Ficava o corpo nu
e a alma estarrecida,
lutava em brasa,
entre a morte e a vida,
enfeitiçada por essa luz
que me chamava
e ria.
Surgiam rostos
de formas destorcidas,
frio e calor,
canções, suspiros, palavras, orações,
até gemidos…
Deixei para trás o corpo…
e lá fui baloiçada
em direcção à luz…

Mas,
atrás de mim,
havia braços
grandes laços
que prendiam
e atavam ao chão a minha alma.
Sentia o gelo
o peso
e a lisura
da pedra tumular.
Era um corpo sem forma
e sem textura
a boiar… a boiar…
Ao atingir a meta,
na luz do túnel longo,
alguém gritou por mim,
mas, não falei.
Tanta gente, tanto choro
à minha porta
E eu dizia à alma
«não estou morta»,
por favor, não me enterrem
que estou viva,
só quero apenas
encontrar o corpo que perdi…

Se era a Luz de Deus
que me chamava,
então, eu não quis ir…
Só me cansava.
Houve um dia
em que a luz do Túnel
se apagou.
Abri os olhos: “- quem sou eu?
quem sou?”
Não via nada.
O corpo não mexia.
Mas, a minha alma ciciava:
«estás viva!».
E, juntas de novo,
iniciámos a jornada
ao encontro da vida.

Hoje,
se me perguntam,
se sei o que é a morte,
eu digo que a morte não existe;
a morte é a Luz daquele túnel
cheio de brilho e vida…
É colocar
a nossa alma cansada e dolorida,
sem medo e sem adeus,
nas mãos de Deus.

Inédito – Maria Helena Amaro
Braga – novembro, 2009

sábado, 17 de março de 2012

A Ponte



Deus colocou
Uma ponte de fogo
Entre mim e ti…
Na corda bamba que suporta a ponte
Sinto-me só
De mãos unidas
A ver morrer o mar…

O nosso filho
Olha para nós com olhos de luar…
A ponte quebra…
O fogo morre na água que se esvai.
E eu
Fico de alma fechada
A dar aos outros sonhos que são meus…

Deixa passar o mar…
Eu creio em Deus!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973