Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 9 de dezembro de 2012

Imagens da cidade












(Fotografia de António Sequeira)

Imagens da cidade
(Outono, 1951-1957)

Morava na Avenida. Ali em frente,
Naquele casarão avarandado,
que, para mim, foi lar abençoado,
no meu tempo de moça, adolescente.

Na primavera, ouvia a passarada,
a chilrear nas tílias floridas.
No verão via festas divertidas,
Na noite longa, alegre, acalorada.

No outono, os pares de namorados,
de regresso às lides liceais,
suspiravam entre arrufos e ais,
nos bancos da Avenida, enfeitiçados.

Caíam das tíbias as folhas amarelas,
que iam leves atapetar o chão.
Gravura bela a óleo ou a carvão.
Moças bonitas pendentes das janelas.

Vinha o inverno de dias mais pesados.
Braga era chuva, nevoeiro e frio.
A Avenida era um lugar vazio,
Depois da missa, ali, nos Congregados.

Era o tempo das aulas no liceu,
das notas, dos pontos, das corridas,
dos atrasos, das coisas esquecidas
das quimeras, dos sonhos… que sei eu?

(Ainda passo muitas vezes na Avenida
e ao ver o casarão tão arruinado…
- Que desencanto! – Os dias do passado,
já são canções de amarga despedida.)

O casarão enorme da Avenida,
era o ninho da Terra Prometida,
do acordar, do chegar e do partir!..

Sete horas da manhã! Tudo acordava.
Sob a varanda o elétrico tilintava,
vestido de amarelo, tão lento e a … sorrir!

Inédito, Maria Helena Amaro, novembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Imagem

(Fotografia de António Sequeira)

Um dia
picou os dedos
a costureira
e encheu de sangue o dedal prateado
e de lágrimas sentidas
o rosto prazenteiro
Ai se eu fosse alfaiate
iria beber
as lágrimas caídas
e ficaria para sempre
enfeitado
preso e abraçado
- é que o feitiço prende -
Doce costureirinha
de uma ruela estreita
da praia de Esposende.

Maria Helena Amaro
Inédito, janeiro de 2008