Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 30 de dezembro de 2017

Pausa outonal


(Fotografia de António Sequeira)

Sinto da vida o mosto entardecer...
Recordações... ideias... sentimentos.
Abre-se a alma nestes doces momentos...
Busco a paz. Nela me vou prender.

«Tudo passa... tudo vai...» ouço dizer,
num tom amargo de ressentimento,
quem tudo apaga é o rude tempo,
nada na vida nós podemos reter...

O bem fica connosco... é o bem querer...
O mal amargo é preciso esquecer
mandá-lo embora nas asas do vento.

Ficar a sós não é envelhecer,
é recordar em paz todo o viver,
amor e dor... sei lá, sem um lamento!

Maria Helena Amaro
Outubro, 2014

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Vida


(Fotografia de António Sequeira)

A vida é breve como a água corrente,
como o mar ébrio no seu marujar
sempre inconstante no receber e dar
numa permuta sempre permanente.

Na vida que vivi intensamente
O bem e o mal sempre quis aceitar
O meu bem dividi por muita gente
O mal... tento esquecer e perdoar

Vivi do amor a face mais ardente
Dei aos meus filhos um regaço quente
e dei aos sonhos poesia e luar...

No trabalho quis ser eficiente
Dou à saudade o meu lado carente
Espero em Deus... Aprendi a rezar. 

Maria Helena Amaro
Outono, 2014

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A vida, para mim,
era um balão que pairava, pairava...
Quando ele subia
eu sorria... sorria...
quando ele pulava
eu dançava... dançava...
quando ele descia
eu puxava... puxava...
quando ele caía
eu fugia... fugia...
corria... corria...
à procura do nada!

Ficava-me preso
num dos dedos da mão
o fio do balão
que supunha um tesouro...
O balão não voltava,
mas o fio se tornava,
num aro cor de ouro!

Maria Helena Amaro
Junho 2014

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Não vás por aí


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não vás por aí
não queiras procurar
razão para chorar
gritar e maldizer...

A vida é toda isto
e se a ela resisto
é porque em mim insisto
e vou sobreviver...

Maria Helena Amaro
2014

sábado, 6 de agosto de 2016

Cores


(Fotografia de António Sequeira)

O branco é a cor da vida.
O preto é a cor da morte.
O lilás a despedida.
O verde é a cor da sorte.

Cinzento é a cor de espera.
O castanho é a cor de outono.
Amarelo é a primavera.
O laranja é abandono.

O azul é infinito.
O vermelho esta paixão.
Cor de rosa é cor do mito,
do sonho feito ilusão...

Misturo todas as cores,
faço delas uma poção:
sorrisos, lágrimas e dores,
que tingem meu coração.

Maria Helena Amaro
Maio, 2013

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Sinuosa me pareceu a estrada da vida,
por onde caminhei, em sonho, confiante,
ciente de esperança e de fé sem medida,
a bendizer a Deus a cada instante...

Sonhei, amei, sofri, errei perdida,
entre agruras de alma agonizante.
Fui farol da ternura em cais de despedida,
fui onda sem maré em praia bem distante.

Quem sou eu agora cansada, envelhecida,
a recordar da vida a parte cintilante,
sinuosa me pareceu a estrada da vida...
Mas sempre a caminhei com rosto triunfante.

Maria Helena Amaro
Março, 2013

terça-feira, 26 de abril de 2016

História de vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Nasci  numa terra maneirinha,
num pedaço viçoso junto ao mar.
Cresci em sonho de asas e luar,
a bendizer a Deus a sorte minha.

A minha juventude foi louvor
entre a fé e a razão a versejar.
Aprendi cedo a servir e amar.
Meus filhos foram os prémios do amor.

Fui muito feliz no meu trabalho
como pássaro pulei de galho em galho
a cantar todas as cores da vida.

Estou cansada. Na vida me atrapalho,
é para mim viela, beco, atalho.
Estação do fim. A despedida!

Maria Helena Amaro
26/01/2013

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Irmãs


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A vida e a morte são irmãs,
tão gémeas, tão parecidas, tão iguais,
tão envoltas em fantasias vãs!
Não se entendem; não se encontram jamais!

Quando se nasce começa-se a morrer...
Cavalgamos no tempo tão veloz!
Na angústia, na febre de viver,
tantas vezes nos encontramos sós.

Numa das mãos a morte, noutra a vida.
Cada dia que passa é despedida
Cada dia que vem vai fenecer...

Lá vamos nós em alegres manhãs
que a vida e a morte são irmãs
Quem entende isto? Quem as vai entender?

Maria Helena Amaro
Junho, 2012 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Foto


(Fotografia de António Sequeira)

Olhas dentro do teu peito,
e só encontras tristeza,
coração todo desfeito,
e corpo nu de beleza...

Foi duro o teu caminhar,
nas estradas desta vida,
e, mesmo no verbo amar,
sempre te achaste perdida...

E, agora que a vida foge...
Que fazes no dia de hoje?

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2011 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vida


(Fotografia de António Sequeira)

Um pouco de harmonia e poderei sonhar...
Um pouco de fé e poderei rezar...
Um pouco de saudade e poderei chorar
Um pouco de silêncio e poderei pensar...

Um pouco de alegria e poderei sorrir
Um pouco de amargura e poderei fugir
Um pouco de solfejo e poderei sentir
Um pouco de fracasso e poderei partir...

Um pouco de poesia e poderei dizer...
Um pouco de esperança e poderei viver...
Um pouco de vontade e poderei fazer...
Um pouco de doença e poderei morrer...

A vida não se escolhe... É uma aceitação,
constrói-se com amor, com Luz
                      e com perdão!

Maria Helena Amaro
Janeiro 2011

domingo, 31 de maio de 2015

A Vida


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cada espinho que a vida me deu
quero torná-lo uma rosa de toucar
E cada chaga de meu peito a sangrar
numa saudade, num jasmim, num malmequer

E cada estrada que hei-de palmilhar
será coberta com tapetes de flores:
rosas vermelhas, escuras, de mil cores,
cor da aurora e do dia a findar...

E no altar de meu peito vazio
as suas pétalas eu hei-de colocar
de ano a ano, de estio a estio...

E quando o eterno me vier buscar
as minhas rosas crescidas lá no frio
da minha alma serão o despertar!

Maria Helena Amaro
16/01/1955

sábado, 1 de novembro de 2014

Viver


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Dai-me vida, Meu Deus, quero viver
uma existência cheia de verdade
quero sentir a dor ou a saudade
com um sorriso que anseia sofrer...

Dai-me vida, Meu Deus, quero esquecer
o meu passado negra recordação
quero curar o meu ferido coração
E depois então... sei lá... quero viver!

Porque foi, porquê, Ó Deus, que certo dia
tentei viver da vida a fantasia
num sonho louco todo embriaguez?

Louca de mim! Se eu vivesse o "eu"
naquelas horas que a vida me deu
eu seria hoje como Deus me fez.


Maria Helena Amaro
6/01/1954 


quarta-feira, 12 de março de 2014

Baloiço




(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Baloiço que danças
azul ou cinzento
cinzento doirado
azul cor do mar...
Que sonhas baloiço
na dança colorida
que traças no ar
coberto de bruma?
Baloiço da vida!


Baloiço que danças
azul e vermelho
vermelho e cinzento
de branco pintado...
Que danças baloiço
na dança colorida
que te canta o mar?
Sulcando as areias?
Baloiço da vida!


Que sonhas baloiço
se uns pés morenitos
te fazem dançar
suspenso nas cordas?
Que sonhas baloiço
se umas mãos pequenas
te afagam ligeiras
te fazem saltar?
Que sonhas baloiço
meu querido brinquedo
se lindas crianças
se zangam por ti?


Baloiço que danças
que danças no ar...
Baloiças... baloiças...
Pintado de branco...
Baloiças... baloiças...
Na trave colorida...
Baloiço da vida!


Maria Helena Amaro
8/08/1957



domingo, 21 de outubro de 2012

Vida V

(Fotografia de António Sequeira)

Pés assentes na terra
e coração
na mão
fui sempre pela vida fora
em busca do saber
e do irmão...

Irmãos eu encontrei
no meu caminho
e de mão dada
construi poemas
e com eles atravessei
a dor
o maldizer
a tempestade
as penas.
Pés assentes na terra
e coração
na mão
ainda vou
em busca da harmonia
e da Verdade...

Mas
que encontro eu?

Perderam-se os irmãos
morreram os poemas
e
agora
na minha soledade
apenas ouço
o apelo do Céu!

Maria Helena Amaro
novembro, 2008 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Vida IV

(Fotografia de António Sequeira)

Em horas de ilusão
por atalhos diversos
perdi o meu coração
a compor os meus versos...

Fiz do Amor um sonho
e da vida canção,
um futuro risonho
com estrelas na mão...

Olho as mãos tão vazias
tão cheiinhas de nada
que recebo os meus dias
com a alma fechada.

Maria Helena Amaro
Inédito, abril de 2008. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Vai (À Lola)

(Fotografia de António Sequeira)


Vai pela vida
com um ramo de rosas
na mão
e um punhado de risos
nos olhos...
Não te detenhas
perante o desamor...
A vida és tu
noite, sal, calmia,
tempestade...
A vida és tu
sem dor e sem idade.

Maria Helena Amaro
Inédito, 16/01/2007

terça-feira, 3 de julho de 2012

Vida III

(Fotografia de António Sequeira)

Nascida e criada
na terra do vento
fiz-me menina a escutar o mar
fiz-me mulher a ouvir a nortada
fiz-me senhora a namorar
o mar...
Terra do vento Norte
dos ais e dos lamentos
Senhora da Saúde
Senhora da Soledade
Senhora do Mar dos navegantes
Senhora dos Aflitos
Tanta dor! Tanto choro! Tantos gritos!

E o mar bailava ao sabor dos vento...
E eu crescia entre a Paz e o Tormento.

Fiz-me senhora a ensinar meninos
de olhos cor do mar
filhos de pescadores e mareantes
filhos da água, da terra e da maré...
Filhos da maresia e da tormenta.

Nascida e criada na terra do vento
enchi meu coração de água salgada...

Fui pela vida com o mar no meu peito
e assim fiquei marina deste jeito
nua e perdida
na praia deserta...

Ai se o mar voltasse a ser quem era
lá ia eu de novo marear
lá ia eu escutar a nortada
lá ia eu a namorar o mar...

Lá ia eu... Lá ia eu... Lá ia eu...
sem barco e sem remos
em caminhos perdidos
mas com o som da nortada
a chamar, a gritar
nos meus sentidos!

Maria Helena Amaro
Inédito, Esposende, outubro 2004

domingo, 17 de junho de 2012

Vida II

(Fotografia de António Sequeira)


Pendurei a minha alma numa estrela
e perdi-me de sonho
em certa madrugada...
Chamei de irmãs às nuvens
e fui atrás do vento
a rir e a cantar...


Pendurei a minha alma numa estrela
e busquei no espaço
um voo desejado
embriei-me no azul anil
fui ave, astro, nuvem, ocidente
fui grito de gaivota...

A estrela apagou-se...
O sonho foi embora...
As nuvens foram chuva
O vento tempestade...
Morri no voo
E nunca mais pendurei a alma
na nesga de uma estrela. 

Maria Helena Amaro
Inédito, fevereiro, 2005

segunda-feira, 12 de março de 2012

A vida



A vida…
A vida é o teu riso
A espelhar-se todo
No azulado dos meus olhos rasgados
Que espreitam ansiosos
Das janelas da noite
Uma nesga de sol…

Não me venham perguntar o que é a Vida!
Quando os teus olhos
A traquinar inquietos
Vão de encontro aos meus
Não sei o que compôr…

 ………………………………………………………………


A vida, meu Amor,
Será as nossas mãos feitas Destino…
Será o nosso sonho feito Carne…
Será o nosso ser feito Certeza…
Eu… tu… e Deus ao nosso lado…
Presente sem futuro e sem passado…
E mais que tudo mais, ó Meu Amor,

Infinito…  Ventura… Riso… Dor…



Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973
.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vida I



Há portas zincadas pintadas de branco
Nas casas cinzentas na rua sem sol
Meninos que correm… meninos que saltam…
Telhados vermelhos no céu todo luz…
E na rua sem sol de casas cinzentas
Há portas zincadas pintadas de branco.

A vida não para. A vida é comboio
De corda barata
Pintada de azul…
Tem portas fechadas de branco pintadas
Tem rodas de fogo
Tem silvos de dor…

Meninos que brincam na rua sem sol

Não batam às portas
Das casas cinzentas
De portas zincadas
Pintadas de branco…
Que a vida não para
Que a vida é comboio
De corda barata
Pintada de azul…

Quem toma lugar no monstro que corre
Só para na rua
Do riso que é dor…
Meninos que brincam na rua sem sol
Não batam às portas das casas cinzentas
Viradas ao sul… viradas ao norte…
Que a vida é comboio
Que a vida não para…
Que a vida é comboio
Da linha da morte!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973