Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 6 de dezembro de 2014

Libertação


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Morreu. Já no esquife escuro
a morte a prende com ar cansado
tanto lutou para ser derrotado
aquele coração tão jovem e puro!

Longa mortalha de extrema alvura
como a sua alma branca de jasmim
botão de rosa que alcançou o fim
quando ao longe lhe sorria a ventura!

Chorai; murchai flores, que ela morreu!
A neve branca  caia lá do céu
para cobrir seu corpo ainda quente...

Venham as nuvens do azul sem fim
venham perfumes do céu e alecrim
e um anjo p´ra velar na câmara ardente...

Maria Helena Amaro
26/05/1954




domingo, 25 de agosto de 2013

Revolução


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

25 de abril
meu dia de gritar
meu dia de crescer
meu dia de rezar
meu dia de viver
meu dia de cantar
meu dia de nascer
meu dia de lutar
sem medo de perder...

Meu poema liberto
com asas de condor
meu caminho deserto
minha arma, minha flor...

Meu sino de cristal
minha canção de Amor
minha manhã de Sol
minha aurora de cor
Quem te falou de "não"?
Quem te ensinou rancor?
Quem fez de ti prisão?
Quem te vestiu de dor?

Exigência de ser
livre para sonhar
amar só por amar
e por amor vencer...
Por verdade falar
sem medo de sofrer
ainda acreditar
dizer... dizer... dizer...


Maria Helena Amaro
Maio, 1975
In, Escola Remoçada  

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Irmão


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Esfarrapado e sujo
faminto e mal cheiroso
és meu irmão...
Patrão e opressor
milionário e chefe
és meu irmão...
Revoltado e liberto
vingativo e mordaz
és meu irmão...
Feitos do mesmo pó
oriundos da mesma região
almas em sangue e carne
temos luz, temos Deus, temos razão...
Por isso
prisioneiros na mesma imensidade
mãos unidas na mesma direção
exigimos à Vida
liberdade!

Maria Helena Amaro
Maio, 1975
In Escola Remoçada 

domingo, 18 de agosto de 2013

Livre




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

No princípio era eu
de pés e mãos atadas
em busca da verdade
que não achei nos humanos...

Depois...
«marginaram-me» porque quis ser livre
e descobri em caminhos comuns
uma rota diferente...
...e cantei debaixo de fogo
os meus poemas brancos...
... e fabriquei umas asas de luz
para atingir estrelas...
... e acreditei em voos ao acaso
e silêncios serenos...
... e pus o Sol onde havia mentira
e combati terror...
... e quebrei minhas algemas de oiro
com chaves de cristal...

Agora...
«marginado» sou livre
como o Sol, como o vento, como o mar
como o sonho a nascer...
como a ave a voar...
como o rio a correr...
como a onda a quebrar...

Sou livre
embora marginado
vou gritar
e vou dizer
e vou cantar
e vou levar
ao meu irmão
na mão
uma flor:
Amor... Amor... Amor...

Maria Helena Amaro
Maio, 1975
In Escola Remoçada


domingo, 10 de março de 2013

Soltura


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Não quero
não me submeto
a um novo padrão...
Meus braços são asas de gaivota
e os meus passos
voos de condor...
Lá vou
lá vou no vento
como doida varrida
entre o não
e o sim tão repartida
a procurar o sol
a lua
a nuvem do espaço...
Sou como a chuva
sou assim
transformo a água dos meus olhos
em rios de cetim...
Sou como a neve
se me esmagam no chão
devagarinho
transformo-me em lama
nas pedras do caminho...
Sou como a tília velha
da Avenida
por fora verde
por dentro carcomida.
Não quero 
não me submeto
a novo padrão.
Deixem- me ser assim
São meus amigos
e a contar
são tantos!
E se desistirem de o ser
fica o papel e a pena
para poemar os desencantos.
Deixem-me ser assim
De outra maneira
seria pena
seria uma asneira
deixava de ser eu
a tola Helena.


Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro de 2009 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Liberdade















(Fotografia de António Sequeira)

É bem fácil ser livre
mas custa tanto a libertação
romper cadeias
soltar as velas
bater nas rochas a nossa embarcação
Hei de ser livre custe o que custar
para viver a minha própria vida
Não vou viver assim
a protestar
uma causa perdida...
Hei de crescer
mas terei que matar
dentro de mim o pouco que ainda resta
da menina que sou.
Hei de ter coragem
para dizer quando não tens razão
Por aí contigo é que não vou
Prefiro ir sozinha
mas, contigo, desta maneira
Não!

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro de 1981. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Libertação


Deixem-me ver o Sol!
Deixem-me ver o Sol!
E estender os braços às Alturas!
Venho cansada
De percorrer caminhos
Cobertinhos
De pó
Chamem-me louca
Ou possessa...
- Pouco me rala o que possam chamar!
Mas deixem-me gritar
De braços para o Sol
Mesmo que o meu grito seja negro
E rubro como o fogo:
- Estou liberta! Estou liberta!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973