Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Lua


(Fotografia de António Sequeira)

Apaga a lua, não quero ver a lua,
que a lua é traiçoeira, é enganosa,
veste de anil dourado, cor de rosa,
as paredes dos prédios cá da rua...

Apalpo as formas que estão à minha beira.
Todas iguais? Não, é puro engano
dá-lhes forma a lua todo o ano,
brilham de luz, assim, desta maneira.

Apaga a luz, não quero a lua aqui,
vem recordar tantas noites que vivi
recostada em teu braço ardente...

Passou a vida. Na dor fiquei sem ti,
mas as horas de luar não esqueci.
Não quero a lua, porque esta lua mente.

Maria Helena Amaro
Braga, 1/10/2010 

domingo, 6 de setembro de 2015

Noite


(Fotografia de António Sequeira)

Ó noite, não cubras os meus olhos
Dá-me a luz, a luz... Dá-me o luar!
Da escura vim eu... irei voltar?
No meu regresso só levarei abrolhos...

De rasgar meus véus estou cansada
de procurar na noite me perdi
Vai-te embora, noite, vai daqui  
Dá-me o luar, a lua prateada...

Que importa o sol surgir no amanhã
Que importa a aurora ser coisa tão vã
Que importa a dor que a riqueza espezinha?
Deixa-me ver a minha alma ao luar
Porque somente na lua hei-de reinar
Eu que já de noite fui rainha...

Maria Helena Amaro
1958

sábado, 14 de junho de 2014

Noites de janeiro





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Noites de janeiro, tão leves, tão formosas
são para mim um sonho já desfeito
têm frescuras de cravos e de rosas
são suspiros guardados no meu peito

Noites tão belas, de sonho, de luar...
A brisa bate no meu rosto tristonho
e a magia lunar vem embalar
as fugidias esperanças  do meu sonho

Sou poeta... Hei de sê-lo eternamente
nas noites de luar cheias de encanto
vendo brilhar a lua intensamente
ouço a vida chorar num longo pranto

E se a lua se apaga lentamente
sobre a terra ardente, adormecida...
Eu sinto na minha alma bem presente
uma saudade... uma dor desmedida...


Maria Helena Amaro
Esposende
31/01/1953



sábado, 16 de novembro de 2013

Noite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Invento um poema para dizer à noite,
quando espreito as estrelas da janela...
Falo com elas... O frio é um açoite,
mas, mesmo assim, eu acho a noite bela.

Não sei se a noite quer escutar poemas.
Mas sei que as estrelas são quase seres divinos.
Levam nas asas duas grandes luzernas.
Levam a Deus mensagens, preces, hinos...

Quedo-me muda a remirar o céu...
Peço-lhe a estrela que achar mais bela:
coloco nela o teu rosto risonho...

Noite fora... noite dentro... Onde vou eu?
Encosto o rosto no vidro da janela...
Quero ser anjo... Quem escuta o meu sonho?


Maria Helena Amaro
Braga, 11 de novembro 2013.

domingo, 14 de julho de 2013

Noite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Na noite caminho
na noite repouso
na noite desenho
caminhos de luz...
Na noite me nego
na noite me busco
na noite projeto
a sombra da Cruz...
Na noite me perco
na noite me encontro
na noite me sinto
mendiga sem norte...
Na noite sou vida
na noite sou cor
na noite sou sangue
na noite sou morte...

Maria Helena Amaro
 
Inédito, fevereiro, 1974

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Noite


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Desce sobre mim a noite escura,
noite escura que tem nome e tem voz,
noite de breu, semblante feroz,
palavras loucas de raiva e amargura.

Não é na noite que a minha alma procura
a paz dos anjos; esta paz é atroz,
escondida assim dentro de nós,
mostrando aos outros que existe só ventura.

Viver assim é dor, é desventura,
é caminhar na calçada fria e dura,
os pés sangrando, em corrida veloz...

Se minha alma se sentisse segura,
nesta noite, pertença de ternura,
ninguém diria que vivemos sós.

Maria Helena Amaro
Inédito, dezembro, 2009

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sem Abrigo

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Na rua estreita
na rua escura
a lua espreita
toda brancura...

Vou pela noite
num tremedouro
frio é açoite
chuva é um choro

Alma descalça
corpo transido
Para quem passa
sopro é gemido

Mágoa sem nome
em cada porta
morro de fome
mas não estou morta

Quando chegar
a madrugada
volta a cantar
a passarada

E eu, então
volto a nascer
O sol na mão
vai-me aquecer!

Maria Helena Amaro
janeiro, 2009

terça-feira, 8 de maio de 2012

Noite (II)


(Fotografia de António Sequeira)
Visto-me de negro
cubro-me de luto
Desisto... não luto...
À tristeza me apago.

Sou como um comboio
que passa e não vê...
perde-se na linha
não sei bem porquê...  

Perdi minha voz
perdi meu alento
nas asas do vento
do bairro dos «sós»

Se pergunto à vida
que rota há de vir...
é a despedida
que me faz sorrir...

Maria Helena Amaro
Inédito, julho 2003

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Noite




Para que vindes falar-me de quimeras
Se não há Primaveras a florir?
O Outono da Alma
É mais triste
Que todos os Outonos que conheço!

Para que vindes falar-me de alvoradas
Se o Sol morreu dentro de mim?
A Certeza do Nada
É o Nada maior que pode haver!

Não venhais falar-me de Quimeras!
Não venhais dizer Canções de Amor!
 Comigo
Neste Nada tão grande como o Tudo
Maior que a minha Esperança
É a certeza
Da minha imensa Dor!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973