Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Solidão


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Congelavam-me
os olhos
quando estendia
para ti
as minhas mãos vazias...
Talvez já aguardasse
a amarga solidão
que são estes meus dias...

Maria Helena Amaro
Braga, março, 2011

domingo, 20 de abril de 2014

Solidão























(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Mais triste que a tristeza
é a certeza de te perder na vida...
Amargura sem fim
é sentir-te
aqui dentro de mim
e tentar procurar-te
cá fora, muito fora
onde eu sei
que nunca passarás...

Se a vida não me der

mais do que sombra e pó
eu hei de ir assim caminho fora
de braços levantados
em direção da Aurora
a murmurar:
Estou só...


Maria Helena Amaro
18 de julho de 1960





domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quotidiano
























(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A vida é isto.
Silenciosamente
na solidão
escuto a voz das coisas.
Todos os objetos
da minha casa
têm um nome
recordam-me uma voz
conversam de um assunto.
Fecho os olhos
e adormeço embalada
pelo som
pela presença
pelo sussurro
quase nada.


Maria Helena Amaro
Julho, 1997



domingo, 15 de dezembro de 2013

Solidão




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Aqui

é o quarto escuro
onde a solidão me mete de castigo
quando o meu coração se porta mal
e vai janela fora questionar...

Aqui

é que eu encontro o meu ego fechado
a minha sombra em meandros talhada
a minha porta verde
persiana corrida
mansão deserta
de goivos enfeitada...

Aqui

ninguém vem perguntar porque chorei
ninguém vem dizer porque menti
ninguém vem perguntar porque parei...

Aqui

é o quarto escuro
onde a solidão me mete de castigo
quando pergunto à vida o meu sinal
e a Deus o eco de outros passos...

Aqui 

sou eu
perdidamente Helena
ou Helena perdida
a que ninguém conhece...
Aqui
lápis, caneta, papel, livro,
paleta,
apaixonadamente
no silêncio do meu quarto escuro
renasço para a vida:
Sou poeta!


Maria Helena Amaro
Março, 1991

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ilha


(Fotografia de António Sequeira)

Cada um de nós é uma ilha.
Bate-lhe o mar
o vento...
A solidão é barco
a atracar no cais
em maré de tormento...

Nascem flores
nas encostas vidradas
o sol as beija
o vento as estiolas
a solidão é barco
que as leva ao mar alto
sem esperança de vida...

Cada um de nós é uma ilha
por isso somos um bando de gaivotas
esfomeadas
tentando angariar
um gão de paz
em searas alheias...

Cada um de nós é uma ilha...
Se não fizermos pontes
cada um de nós irá morrer
como morrem nas encostas vidradas
flores secas que não sabem boiar!

Maria Helena Amaro
Outubro, 1984
Concurso Jovens Poetas

quarta-feira, 5 de junho de 2013



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Minhas horas primeiras...
meus sonhos de pureza...
meu ideal de Fé nunca negado...
Barcos unidos e nunca separados...
Rumos iguais e nunca divididos...

Subi tão alto, Senhor
e queimei incenso a quem merecia pó...
Agora
os sonhos destroçados
são fantasmas de ideais vencidos.
Na dor
sinto-me só.


Maria Helena Amaro
Agosto, 1968
(Concurso Pedro Homem de Melo)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Solidão V


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Tão longe da vida estou
tanta riqueza desdenho
que nem parece que sou
a mãe dos filhos que tenho.

O sonho porque lutei
aos poucos tudo perdi.
E agora que me encontrei
regresso donde fugi.

Sou uma ilha deserta
cercada de verdes águas
de aves famintas coberta
que se alimentam de mágoas

Lancem boias façam pontes
Venham tirar-me daqui
Transformem águas em montes
com flores que nunca vi.

Pior que a ilha deserta
é este meu coração
Noite e dia a porta aberta
e sempre a mesma solidão.

Maria Helena Amaro
Lousã, setembro de 1981. 

sábado, 7 de julho de 2012

Solidão IV

(Fotografia de António Sequeira)

O meu projeto de vida está no fim
de quimeras, sonhos e afetos.
Não sei se poderei viver assim
confinada aos carinhos de meus netos.

Outros sonhos, sonhei, outras paragens,
mundo fora em busca de ventura,
fiz em sonhos de luz grandes viagens
em busca dum punhado de ternura.

Muitas vezes a meio da jornada
abandonei a rota em desespero
e me detive na curva da estrada

Dei tudo a todos e nada recebi
Por caminhos de mágoa me perdi
Vivi assim, a vida, amargurada.

Dei tudo a todos e não recebi nada
Nada tenho da vida, nada quero,
Sou irmã da saudade, abandonada.

Maria Helena Amaro
Inédito, fevereiro, 2005 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Solidão III


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

É nesta solidão que eu me encontro
e ponho nome às coisas e ruídos
pelo cheiro
pelo som
pela forma
e encho os meus sentidos.

É nesta solidão que eu me encontro
que recordo os tempos que passaram
Não lhe chamo Saudade
pois todos os dias estão comigo
e ficam comigo
toda a tarde...

É nesta solidão que eu me encontro
e rezo o meu rosário
e ofereço cada conta
por alguém que partiu e não voltou
Descubro assim quem sou
donde venho, onde estou,
para onde vou
e não vou caminhar
em sentido contrário...

É nesta solidão que eu me encontro
escrevo e sonho
e me sei descobrir...

Solidão tão povoada
tão colorida tão doce tão fagueira
é nela, que me encontro
neste silêncio e luz que não comprei
mas que herdei
e cultivei
que recebi e dei
a vida inteira!

Maria Helena Amaro
Inédito, 2/11/2004

   

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Solidão II

(Fotografia de António Sequeira)

Escrava no pensar...
Escrava no dizer...
Escrava no sentir...

Sempre viveu escrava
Nas lágrimas
na revolta
no sorrir...


Maria Helena Amaro
Inédito, (sem data 2003 ?)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Solidão I


Só eu fiquei
Na berma da estrada
A mendigar Amor aos que passavam
De olhos postos no Sol
De alma suspensa em outras madrugadas...
Só eu fiquei
Nas pedras do Caminho
A murmurar canções aos que passavam
De braços estendidos
De risos moços a rendilhar o ar...
Só eu fiquei
Nos mistérios da Fé
Dessa Fé imensa que não morre
Na frieza das Auroras vazias
A mendigar Amor...
Só eu fiquei
E qual rosa que ninguém colheu
Desfolhada tombei
Disforme encanecida
De braços mortos erguidos às Estrelas
Implorando Vida!!!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973