Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 23 de agosto de 2015

Entardecer


(Fotografia de António Sequeira)

Este vazio...
Este tudo de não encontrar nada
Este anseio de palmilhar na noite
Esta infinda jornada...
Este olhar perdido além... além...
Muito dentro de mim
Onde não chegam as vozes do alerta...
Este estender as mãos ao pé da  estrada
Este arrastar de pés na caminhada
de horizontes brancos...
Este oceano sem nome, sem luar
Este deserto sem medida, sem sol
Este vazio de dor!
É todo teu Senhor!

Maria Helena Amaro
1958

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Poema do entardecer...






(Ilustração de Maria Helena Amaro)


É impossível que eu tenha escrito
Tantos sonetos repassados de dor...
Fui eu quem os cantei ou foi o Amor?
Se fui eu não sei... nem acredito...


Ainda há pouco quando os soletrei
alguém me disse com voz emocionada:
«Quem os cantou? Pobre alma torturada!»
E eu respondi: "Quem os cantou não sei!...»


Não sei... Não sei... Só sei que fui alguém
alguém muito diferente do que sou
alguém sem vida, sem começo ou fim...


Fui eu quem os cantei? Ninguém! Ninguém!
O grande Amor que eu cantei passou
E eu passei... (Esqueci-me de mim!)


Maria Helena Amaro
1956

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Entardecer (Deixai-me adormecer...)





Deixai-me adormecer
No silêncio da noite sem estrelas…
Na sinfonia dolorosa da chuva…
Como adormece
O menino enjeitado
Nas silvas do caminho…

Deixai-me adormecer
E esquecer
A certeza de atalhos sem saída…
E sonhos…
E angústias…
E risos destroçados…
E amanhãs sem fé…

Deixai-me adormecer…
Deixai-me adormecer
Até que o Sol se decida a nascer!



Maria Helena Amaro
In «Maria Mãe», 1973

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Entardecer



Gritavam as gaivotas na curva das ondas
e tornavam sinistro e magoado
o arenal deserto…
Eu caminhava na orla do mar
e enterrava os pés,
na areia humedecida da maré.
O mar era um braseiro
onde o sol se afogava…
as gaivotas saltitavam ligeiras
sobre a espuma branca
que as ondas formavam…


Gritavam as gaivotas nas curvas das ondas
e no silêncio feito de magia,
só os seus gritos preenchiam
o espaço deserto…
Nunca mais vi o pôr do sol no mar
e não mais passeei
descalça e divertida,
na orla da maré…

Ficou-me na memória
o grito das gaivotas
que tornavam sinistro e magoado
o arenal deserto…

Fora eu gaivota e iria voar,
naquele entardecer cheio de luz,
sobre a espuma que rendilhava o mar.

Mas não fui.
Mas não irei.
Ficarei para sempre a reviver
a doçura, a paz, a solidão:
- gaivotas a descer
- o mar a estender
- o sol a despedir-se
naquele entardecer…


Gravo a imagem que sempre me prende:
O pôr do sol na praia de Esposende.

Maria Helena Amaro
Inédito, 15 de Agosto 2004