Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Menina de Angola


(Fotografia de António Sequeira)

Na rua deserta
a chuva caía
a menina preta
passava e sorria...
Sorriso animado
a todos sorria
no rosto tinado
a dor não se via...
Menina bonita
de saia estampada
não sabe desdita
da terra deixada...
Há-de vir o dia
de alva primavera
dia de alegria
que Angola espera....
O regresso da chuva
e a vida se vai....
Mas a menina preta
sorri... ai... ai... ai...
na rua deserta
quando a chuva cai!

Maria Helena Amaro
Braga, novembro 2014.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Menina de caracóis


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Menina dos caracóis
de cor de rosa vestida,
seus cabelos são 2 sóis,
que tenho na minha vida!

Menina, doce menina,
que gosta de dar ao pé...
Ela vai ser bailarina
porque Princesa já é...

Ela é fada feliz...
Não gosta de brincar só.
É a linda Beatriz!
O amor da sua avó.

Maria Helena Amaro
14/05/2014

terça-feira, 29 de março de 2016

Menina do café


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Rosto oferecido
à brisa que passa,
olhos cerrados
em íntimo deleite...
A chávena tombada.
No seu vestido branco
enorme nódoa de café com leite.

Moço embeiçado
com riso de carícia
beijo ensaiado
que nunca é aceite...
A chávena tombada.
No seu vestido branco
enorme nódoa de café com leite.

Menina tenha tento
não se fie
não vá atrás desse riso
não se deite...
A chávena tombada.
No seu vestido branco
enorme nódoa de café com leite.

Menina do café
um amor mais sério
não rejeite...
Deixe passar a brisa...
O beijo não aceite...
A chávena tombada.
No seu vestido branco
enorme nódoa de café com leite.

Maria Helena Amaro
Lousã, 16/09/2012 

sábado, 15 de agosto de 2015

Menina de dor


(Fotografia de António Sequeira)

Na hora do amor
tu estarás de pé
esperando ansiosa
o sinal da verdade...
Tuas mãos hão de erguer-se lentamente
como orando à tardinha
ao cair das Trindades...
Numa prece de sonho
que só tu compreendes
O céu será azul
As estrelas brilharão com fulgor
E tu
a menina de dor
hás de sentir nos teus olhos profundos
o orvalho da fé
Na hora do amor
no teu jardim os botões carminados
hão de abrir-se a par risonhamente
diante da ventura
Na hora do amor
tu saberás dizer não à loucura
Dizer sim à razão
E serás feliz eternamente
no teu sonho de luz...


Maria Helena Amaro
1958

   

domingo, 30 de março de 2014

Menina do sonho





(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Menina do sonho, das tranças caídas
das tranças caídas, tão negras e belas
de faces mimosas, morenas, garridas
de olhos suspensos em tantas estrelas...

Que sonhas, menina, de olhos perdidos
brilhantes, profundos, cheios de mistérios
de gestos parados, de braços pendidos
estátua jacente d'algum cemitério...

Menina do sonho, das tranças caídas
de olhos sombrios, cheios de tormento...
De pés pequeninos, de saias compridas,
rodadas, vistosas, ondulando ao vento...

De olhos voltados p´ra tantas estrelas
que rezas, menina, em muda oração?
Teus olhos rasgados são duas janelas
onde se debruçam fadas de ilusão?

Menina do sonho, das tranças caídas
a noite é infinda no teu firmamento
que fazes, menina, auroras perdidas
suspensa no alto nesse encantamento?

Que sonhas, menina, nas noites serenas
nas noites de tule, tão negras e belas
no peito, cruzadas tuas mãos pequenas,
de olhos suspensos em tantas estrelas?

Menina desperta do sonho profundo
estende os teus braços às nuvens que passam
menina olha a vida, menina olha o mundo
as sombras aladas que no ar esvoaçam


Ensaia o teu voo não queiras ficar
metida no pó das grandes planuras
o dia se fina muito além do mar
e o sol só desponta nas grandes alturas...
.....................................................................
Menina das tranças tão negras e belas
de olhos suspensos em tantas estrelas!


Maria Helena Amaro
16/08/1957






sábado, 25 de maio de 2013

Menina Má



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


O meu poema

feito de desamparo
vai para ti menina
menina grande feita mulher crescida.


A minha alma espelha-se na dor
de te saber perdida...


Quando te estendo a mão
e tu não a recebes
perde-se em mim todo o sonho de teres
encontrado na vida
um caminho perfeito...


O meu poema
feito de desengano
vai para ti menina
que tão pura julguei...
Ai quem me dera prender-te nos meus braços


Não te deixar morrer...
Ensinar-te a sorrir
Ensinar-te a viver...
Fazer-te pequenina...

 
Tão nova ainda
e já andas caminhos
que nunca palmilhei!...


Maria Helena Amaro
Maio, 1967

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Menina Triste 1


Menina triste...
Menina triste porta-se sempre bem...
Não traz sonhos parados
Nos seus olhos perdidos
Não traz risos de cor
Nos seus lábios caídos...
Menina triste
Habituou-se a ver
Bonecas desenhadas
Nas pedras do caminho...
Subiu depressa as escadas da Vida
E ficou assim
De asas partidas suspensas das estrelas
A contar
A contar, a sós, serenamente
Os dias que lhe faltam
Para alcançar um dia sem Poente!
Menina triste
Menina triste porta-se sempre bem!
As cidadelas erguidas sobre a neve...
- Porque foram sonhadas?
Ai, a Menina que traz olhos sem Luz
Não ri às gargalhadas
E não sonha...
E não vive...
- Quem a vai despertar?
Menina triste...
Menina triste porta-se sempre bem!
E o seu poema
Não é feito de Dor ou de grandeza,
O seu poema
Parado como um lago sem espelho
Suspenso como um riso sem Beleza
O seu poema
É feito de tristeza.

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973.
  

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Doce Menina


Doce menina dos olhos transparentes
Singelos, virginais
Como rendas de berço...
De lábios puros a murmurar canções,
De mãos unidas
Cruzadas sobre o peito
Em gestos de orações...
Doce menina de olhos transparentes,
Quando passa na rua
De boneca nos braços,
De trancitas morenas
De pezitos descalços,
A Primavera dança na calçada
E Deus,
Vendo-a passar,
Há-de sorrir nos Céus...
.............................................................
Doce menina dos olhos transparentes
De farrapos vestida,
Muitos caminhos terás de percorrer
Ao encontro da Vida!
.............................................................
Se a menina morrer,
A menina dos olhos transparentes,
Como rendas do berço
Hei de oferecer-lhe um ramito de rosas
Crescidas no jardim
Perto do Paraíso
Das almas encantadas...
Há de levar com ela
Um cortejo de fadas de cristal
Com estrelinhas de oiro
(Estrelas que os homens fizeram)
Nos cabelos pendentes...
Doce menina dos olhos transparentes!

In, «Maria Mãe», 1973

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Menina Triste


Menina Triste
Menina triste já não se porta bem...
Pediu um Sonho ao Céu
E o Sonho ruiu todo em bocados...
Agora
No caminho sem nome que percorre
Não tem senão as estrelas
Não tem senão estrelas apagadas
E o ruído de cristais estilhaçados...

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973