Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 26 de janeiro de 2014

Que sou eu? (A minha Mãe)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Perco-me aos poucos no encalço da vida
e a vida me foge sem cessar
Perco-me aos poucos  na morte/despedida
Não sei se vou morrer... se vou ficar...

Entre a Paz e a Guerra dividida
entre o riso e a dor tão maltratada,
que sou? Quem sou? Tanta medida!
Medi de dor que já nem sei de nada...

Se tenho pés é para tropeçar
nesse passado em que a traição nasceu
em que troquei a luz que reacendeu
em que pus velas ardendo num altar!

Agora... que sou? que vou dizer?
Se já ninguém ouve o lamento de breu
Se já ninguém me quer prá acalentar?
Se a vida é toda Inferno? Que sou eu?

Maria Helena Amaro
Abril, 1997

sábado, 7 de setembro de 2013

Entrevista




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Falam-me de Deus... creio.
Falam-me de flores... gosto.
Falam-me de espaços voo.
Falam-me de paz... Amo.
Falam-me de dor... sofro.
Falam-me de verdade.. canto.
Falam-me de luz... pinto.
Falam-me de castigo... choro.
Falam-me de amor... sonho.
Falam-me de crianças...
Vivo!!!

Maria Helena Amaro
Maio,1976
Publicado no jornal da Casa do Professor.



domingo, 13 de janeiro de 2013

Identidade (2009)

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)
 
 
Sou como um pássaro
que voa que esvoaça
através do mundo
e não me inquieto nunca.
Minhas asas desenham nos espaços
figuras mágicas
que as estrelas pretendem apagar
nas noites misteriosas.
Sou como um pássaro
fugidio, inquietante, vivo
sem pousada, sem ninho, sem embalo. 
 
Se avistares lá no alto
um pássaro de asas de cetim
esvoaçar ao longe
em gesto de partida.
Sou eu
Sou eu que fujo ao mundo
Sou eu que fujo à vida,
Sou eu que fico em mim.
 
Maria Helena Amaro
Inédito, novembro de 2009



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Identidade - 2012


(Fotografia de António Sequeira)

Sou toda em farrapos repartida.
Coração em Esposende, a alma, na Lousã.
Anda o meu corpo na cidade perdida
em busca da luz doce da manhã.


Ave imigrante de asa enfraquecida,
do mar me vem o Sal (sou tão salgada!)
No peito trago a fé e trago a vida,
barco à deriva de vela incendiada.

Sabe-me a boca à serra e às marés…
Percorro a minha vida lés – a – lés,
Nada quero anular ou esquecer…


Se o mar é sal, a serra é madrugada,
pertenço a três e não me resta nada.
Braga é a cidade que me viu crescer.


Inédito, Maria Helena Amaro
Braga, fevereiro de 2012


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Bilhete de Identidade

(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Sou filha da terra, do céu e do mar
nasci numa ilha chamada tristeza
Vesti-me de rosas, de sol e luar,
Pintei e ternura, amei a beleza
Sou filha da terra, do céu e do vento
brinquei na espuma da onda do mar
Fiz da minha voz um grito, um lamento
Aprendi com a chuva a rir, a cantar.
Ergui os castelos na areia da praia
Com algas castanhas fiz os penteados
Molhei os meus pés, molhei minha saia
Espreitei sereias, barras naufragadas.
Sou filha da terra, do céu, da maré
Enchi minhas mãos de espuma do mar
Enchi-as de lágrimas de estrelas, de areia
Enchi-as de sonhos que vi destroçar

Se fui já não sei; se sei já não sou
procuro uma praia onde naufragar
Sou filha da terra, do céu e do mar
e no mar que acarinho me perco, me vou.  



Maria Helena Amaro
Inédito, abril, 2005