Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Ontem


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Foi ontem
que menina se fez entre meninos
e com eles aprendeu
a receber o sol todos os dias.

O tempo veloz traçou estradas
e a senhora - menina
recorda fantasias...

Somar desilusões...,
subtrair certezas...,
multiplicar sonhos...,
dividir alegrias...

Dizer «adeus» não é sempre partir
nem parar nem morrer...
O tempo é velho,
se a alma quiser envelhecer.
A semente lavrada
na alma dos alunos
irá florescer...

Bendita pois a hora,
feliz, abençoada,
em que uma professora
chega ao fim da jornada.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2015.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ontem



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Olha o dia de ontem que perdeste
(que ironia perder o dia de ontem...)
abjeta é a alma
que conta os dias mortos
pelos dedos das mãos...

Hão de ser mil as cores do Sol Poente
para tingir a vida
que irá morrer sem cor
nos dias que virão...


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
1974

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ontem


À Conceição Rego



Era Primavera
A menina corria junto ao lago
Atrás das borboletas…
E as trancitas loiras cor de trigo
Adejavam no ar
Como estrigas de linho
Tinha saias de renda,
Blusa de algodão
E os sapatos salpicados de lama
Eram cor de salmão…


Era Primavera!
A menina parada olhava o chão
Sorrindo às violetas…
E as mãozitas brancas e pequenas
Agarravam as tranças
Com laços cor do Céu…
Tinha olhos azuis,
Dentitos de marfim
E as faces salpicadas de sardas
Eram cor de jasmim…

Quando a noite chegou
A menina de tranças cor de trigo,
Parada junto ao lago,
Colhia violetas…
E as estrelas mergulhavam nas águas,
Como cisnes doirados
Em rios de cetim…
E a menina, retorcendo sua trança,
Ficou como encantada,
Olhando o lago imenso,
Cobiçando as estrelas…

Depois…
Quando surgiu a Aurora
Etérea, transparente,
Envolta em rendilhados…
Encontrou a boiar,
Nas águas cor de esperança
Do lago da Saudade,
Duas trancitas loiras
Com laços cor do Céu…

……………………………………………………
…………………………………………………….

Era Primavera!
Ninguém corria atrás das borboletas
Nessa manhã de luz!...
Junto ao lago,
Nasciam lírios roxos,
Murchavam violetas,
Erguera-se uma Cruz!...

Maria Helena Amaro

In, «Maria Mãe», 1973