Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Loas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O poeta é «mentidor»,
mente por tudo e por nada,
do sapo faz uma flor
dum boi faz uma manada.

O poeta é «mentidor»
mente de noite e de dia,
de um sorriso faz amor,
de uma tristeza, alegria.

O poeta é «mentidor»
da guerra faz harmonia,
de afeto faz favor,
do sonho faz nostalgia.

De tanto, tanto mentir,
ninguém vai acreditar
que é mendigo a pedir
que é barco a naufragar.

Maria Helena Amaro
Janeiro de 2011

domingo, 23 de novembro de 2014

Já não sou poeta


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A noite escura cobriu os olhos meus
e a inspiração ameaçou fugir
Já não sou poeta! Já não busco a sorrir
no espaço azul a vibração dos céus!

Já não sou poeta! Já não tenho em mim
um doce sonho, feliz, abrasador
não tenho em mim a beleza do amor
e só peço a Deus um prematuro fim...

As minhas mãos no peito se cruzaram
e os meus dedos ficaram-se crispados
numa revolta, cruel, indefinida...

Já não sou poeta! As ilusões passaram
só os meus sonhos, em versos transformados
ressoam tristes, na minha triste vida!

Maria Helena Amaro
27/03/1955

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Será loucura?


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Irmão: será loucura ser poeta
viver assim um longo sonho louco
ter a vida de certa borboleta
voar, voar, morrendo pouco a pouco?

Irmão: será loucura ser cantora
dum sonho que a alma acalentou
recordar o tempo que passou
quando o tempo foge vida fora?

Irmão: será loucura eu cantar
sentindo o mundo já a bocejar
destas maleitas  que não têm fim?

Irmão: será loucura querer venturas
será loucura chorar só amarguras
vivendo a dor pela vida, por mim?

Maria Helena Amaro
Braga, 8/02/1954

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Poetas





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


No mundo destruído
vazio de valores
repleto de chorar e rancores
já ninguém acredita
numa vida melhor...

No mundo transviado
de causas sem sentido
vão as crianças crescendo sem flores
e os pobres vivendo sem abrigo 
por culpa de senhores...

No mundo desviado
de Deus, da Partilha, de colectas
a favor do Sonho
e da ternura
na rua da amargura
só sobram os Poetas.


Maria Helena Amaro
Inédito,  dezembro de 2009