Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 24 de maio de 2015

Tédio


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ando cansada de procurar na vida
uma centelha de luz e de verdade...
Quanta mentira! Quanta futilidade!
Quanta esperança, na estrada caída!

Por mais que peça aos céus um ideal
mais o mundo me atrai com enganos
Vão-se em passos leves os meus anos
Fica-se a vida entre bem e o mal!

Nada quisera, eu sei. Mas se a luz
vier abrir as trevas num só jeito
eu queria ser de tudo um bocadinho!

- Fitar meus olhos nos braços de uma luz
Pôr minhas mãos cruzadas sobre o peito
E deixar-me morrer devagarinho...

Maria Helena Amaro
Sem data (1954/1955 ?)  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tédio


Ergo as mãos
Num gesto de abandono
Quando os sinos tangem docemente
Sobre a terra cansada
Ruas desertas...
Ruas estreitas como caminhos negros
Tortuosas, lamacentas, torcidas
Como risos de pó...

Ergo as mãos
Num gesto de abandono
Ao Senhor do Silêncio
Porque me sinto só...

... E só hei de viver a vida toda
Nestas ruas lamacentas, torcidas
Estreitas, sinuosas
Como rios de pó...
E hei de viver só!!!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973