Ontem
Pensava
Que a amizade era feita de rosas…
Hoje
Que floriu no meu jardim
A mais bela de todas as flores
Fico a pensar
Que a amizade
Somos nós próprios
Refletidos nas almas sem Amor
Dos que cruzam connosco na estrada…
Ontem
Acreditava
Que havia ruas na vida sem Auroras…Hoje
Que descobri no Céu a minha estrela
Fico a pensar
Que a vida
Somos nós próprios
Projetadas nas sombras sem esboço
Dos que passam perdidos…
Ontem…
E chamaram estrelas a astros apagados!
E ouviram ralhos de bocas de crianças!
E deram poeira a quem pedia oiro!
E atiraram lama a quem amava a neve!
… … … … … … … … ... … … … … … … … … …
… … … … … … … … ... … … … … … … … … …
Depois…
Floriram rosas de calhaus!
Hoje…
Vida!
Amizade!
Plenitude!
E esta Certeza
Estonteante como um milagre!
Vermelha como o sangue!
Ardente como chumbo derretido!
Serena como um riso de menino!
De caminhar
Debaixo do Sol
Direita ao Infinito!
Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973