Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 16 de julho de 2017

Cântico lancinante


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Fora eu arma e seria machado...
Fora eu ira e teria batido...
Fora eu fera e teria rugido...
Fora eu voz e teria gritado...

Mas não fui arma, nem ira, fera ou voz,
nem desespero, nem barco naufragado,
que a tempestade que desabou em nós,
foi apenas um silêncio demorado.

A minha alma grita: eu não matei...
A minha alma grita: não bati...
A minha alma grita: só calei...

Arma, ira, fera, ... Já não sei...
Só me lembro que fugi...  fugi... 
Ao cântico lancinante não voltei.

Maria Helena Amaro
14/05/2014

sábado, 3 de maio de 2014

Cântico amargo




(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Meu amor...
Dos sonhos pobrezinhos
dos sonhos rejeitados
dos meus sonhos perdidos
por estradas de pó...

Meu amor...
Dos sonhos esboçados
das ideias vencidas
dos limites negados...

Meu amor...
Dos sonhos de beleza destroçados!


Maria Helena Amaro
28-05-1961



sábado, 22 de junho de 2013

Cânticos


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ai o cântico negro de amanhã,
ninguém o cante,
pois ele há de surgir,
sem ninguém o prever...
Mas o cântico branco do porvir
ninguém o cante
sem o tentar merecer...
Pois, só Deus sabe
que as nossas mãos unidas feitas prece,
mãos egoístas,
nunca se prendem em cruz sem receber...

Cantemos, sim,
a canção da Esperança
no encontro do sol que nos seguiu...
e se formos capazes,
de cantar um poema cada dia
não haverá cântico negro de amanhã
não haverá cântico branco de porvir.

Mas surgirá a eterna melodia
e cada problema a resolver
será um espinho na vida a florir...

Não acusemos a vida de mentir
porque a harpa do sonho está em nós
e a maré viva da Paz está na alma
de quem sonha ceder...

Dai-me uma gota de lama do caminho
que hei de pô-la azul,
branca de neve,
rosa ou lilás, mas toda pura e leve
e colocá-la nos olhos do menino
que a quiser reter...


Maria Helena Amaro
Inédito, abril, 1970
(Para o bebé Pedro Miguel)  

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cântico da vida



Menina linda de farrapos vestida
Porque na tua dor
Consegues ser resignada e nobre
Humana e pura
Ensina-me as palavras luminosas
Do cântico da vida


Menina linda descalça pela rua
De mãos traçadas num jeito de mulher
Porque na tua dor
Consegues ser resignada e nobre
Humana sem ser má
E pura sem ser fria
Ensina-me as palavras luminosas
Do Hino d'Alegria!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cântico negro de amanhã




Quebraram-se os cristais…
Fecharam-se as janelas…
E os Mendigos da Fé
Ficaram à porta da rua
A espreitar o Céu…
- Ai a tarde sem Sol parece Noite!

Na calçada da rua
Passa o cortejo dos ideais falhados…
E o riso das crianças
Já não fazem sonhar…

Silêncio.
Dor.
Anseio infindo de perfurar espaços
E Agonia surda de sentir os braços
Demasiado curtos…

Andam desejos de Deus em cada olhar…
Sonhos são brados…

E na multidão
As almas sem Esperança
Dobram-se todas
E gritam:

- Ninguém O viu passar!
- Ninguém O viu passar!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Cântico Branco


Venho de longe, de países sem nome
De cidades sem luz
De caminhos sem fim...
Trago comigo os meus sonhos ciganos
Os meus risos de dor
Os desalentos de tardes sem ocaso
De manhãs sem aurora
De estios sem sol
De marés sem espuma
De outonos sem cor...

Venho de longe
Cheguei ontem na calada da noite
E repousei na fé
Amanhã
Fugindo ao desespero
Irei tentar de novo
À conquista da esperança...
Venho de longe...
(onde encontrar guarida?)
A procurar em vão
No mundo ando perdida!!!
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Senhor! Eu tenho a Vida!


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973