Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Pausa musical


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cerro a cortina. Não quero ver ninguém.
Quero paz, quero noite, quero calma.
Quero descer ao fundo de minha alma.
Quero curar as feridas que ela tem.

Amanhã de manhã abro a janela
e recebo no rosto a madrugada.
A minha alma já não sentirá nada,
pois encontrou na noite a minha estrela.

Na noite sou rainha, no dia sou mendiga.
A vida vai passando ao som de uma cantiga
A minha alma se encolhe ao som de uma guitarra

No corpo velho, alma de rapariga,
trabalho sol a sol como velha formiga.
Mas tenho a sina aérea da cigarra.

Maria Helena Amaro
Janeiro, 2013

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Pausa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

A dor tornou-se espanto...
O riso fez-se pranto...
O sonho desencanto...
E aqui
neste meu canto
se me deito
ou me levanto
é sempre o mesmo quebranto:
rezar a tudo o que é santo
Só por ti e só por ti
que te cubra com seu manto...
Que eu,
que eu, aqui neste recanto
ainda não te esqueci.

Maria Helena Amaro
1 de novembro de 2010

sábado, 25 de janeiro de 2014

Pausa (1997)



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Gastei os melhores anos desta vida
a procurar o teu rosto
refletido
no lago dos meus sonhos...

No lago dos meus sonhos
mergulhei
submergi
morri
mas nunca te encontrei!

Maria Helena Amaro
Março, 1997
(Prémio -Concurso Fernando Pessoa, 1997) 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Pausa




















(Ilustração de Maria Helena Amaro) 


Por onde andam os beijos que me deste
por que caminhos os deixei fugir
palavras são silêncios (mudo agreste)
caminhos, gestos secos, sem sorrir...

Por onde andam os sonhos que teceste
de mão dada na bruma do porvir...
Desencanto sem nome... Será teste
à minha força, ao meu ser, ao meu sentir?

Busco os teus olhos... O que deles fizeste?
Busco o teu gesto... Ternura, onde a meteste?
Busco o teu ombro... Como vais reagir?

Se fosse morta... Que pensamento este!
Talvez meu corpo fosse estrela celeste
que tu passasses no Céu a perseguir...


Maria Helena Amaro
1992
Prémio Camões - participação feminina, Sociedade Portuguesa de Autores, 1993

domingo, 11 de novembro de 2012

Pausa VIII

(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Varre o passado. Não o recordes mais.
Todos os sonhos se tornaram dores...
Já não há madrugadas de flores.
Nem as serenas tardes outonais.

Foste senhora de riquezas tais:
hinos, canções, quimeras, esplendores.
Era um passado de radiosas cores,
versos de amor, cantigas, madrigais.

Tudo se foi, não voltará jamais.
Varre o passado, não o recordes mais.
Morreram anjos, morreram trovadores...

Os desgostos da vida são chacais
deixam na tua vida os seus sinais
rugas, cansaço, amargos dissabores.


Maria Helena Amaro
Inédito, fevereiro 2009.

domingo, 23 de setembro de 2012

Pausa VII

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)
 
 
Sentada na mesa do café
olho a chuva que cai
miudinha e doce
sobre toda a cidade...
 
Braga é assim
quando chega o outono
fica chorosa
cheia de nostalgia
e de saudade...
Silenciosa
triste
velha e parada
cidade tão idosa
e tão cansada!
 
Quando passam a rir
os estudantes da Universidade
também eu sou
como a cidade
sem cor e sem idade...
Recordo o meu liceu
tanta ternura
tanto apego
tanta felicidade
 
Cidade velha
chuvosa e parada
tu és como a saudade
vais e vens
eterna e demorada...
 
 
Maria Helena Amaro
janeiro de 2008.
Publicada no jornal "Diário de Minho" em outubro de 2008. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pausa VI


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Sempre tomei a pior opção
Como se no mar me quisesse afogar
numa maré de dor e maldição...


Sempre disse este meu sim à dor
e sempre me submergi de mágoa
como a vida fosse toda praga
como nunca o sol fosse fulgor...

Sempre chorei estas dores do passado
sempre sorri a quem me queria ferir
sempre estendi os braços à traição

Agora, sabe-me a vida a areia salgada
se a maré vier, mais afrontada,
estendo-me no chão e deixo-me morrer...

Maria Helena Amaro
Inédito, julho, 2004

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pausa V

(Fotografia de António Sequeira)

É cedo
é muito cedo
é demasiado cedo para morrer...

Há estrelas no céu para contar
há dias de sol para nascer
há risos e promessas p'ra cumprir

É cedo
é muito cedo
é demasiado cedo p'ra morrer...

Não vais parar
Não vais ter medo ou desistir
Há canções de amor para cantar
e muitos sorrisos p'ra sorrir...

Maria Helena Amaro
Inédito, 31/01/2004

   

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pausa I

(Fotografia de António Sequeira)

Quando falo de Paz
é a ti que eu encontro
no meio da tormenta
no meio da amargura
Quando falo de Sonho
é o teu rosto que eu vejo
e nele me revejo
e vou e volto
no mesmo chamamento.
Quando falo de Amor
nunca te encontro
Perdido anda o sonho
por veredas estreitas
Onde não cabe este meu
desejar
Quando falo de dor
és sempre tu que estás nesse retrato...
Porquê? Porquê? Porquê?
Então, me flagelo, me revolto, me mato.

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro, 1999

sábado, 14 de abril de 2012

Pausa (IV)

(Fotografia de António Sequeira)

É apenas uma nuvem branca
no azul do céu
É nessa nuvem que eu vou morar
é nesse espaço que eu vou voar
é nesse rio de luz que eu vou ficar
É apenas uma nuvem branca
no azul do céu
Mas se vieres comigo
Não direi
É só
é só que eu quero estar
nesse pedaço branco
suspenso sobre o mar...



Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 1999

domingo, 1 de janeiro de 2012

Pausa ( III )


Se soubesse que eras infeliz
Ia pedir ao Sol
Uma lágrima de fogo p'ra chorar...
Mas,
Como de ti não dizem nada
Eu fico-me assim
Parada
A escutar...
Até que surja nova madrugada.

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Pausa ( II )


Dai-me um raio de Sol
Uma nesga de Céu
E um sorriso de menino virgem
P'ra desfazer a névoa
Desta manhã sem cor...

Dai-me um brinquedo de criança só
E um punhado branco
de onda sem maré...

Dai-me a cantiga rubra
Duma cigana louca
E o primeiro cravo que florir
Divinal e donzel
Na mão de uma criança...

...............................................

P'ra desafazer a névoa
Desta manhã sem cor
Dai-me um pouco de Esperança!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pausa


Hão de quebrar-se as asas do meu sonho
E ver-te-ei passar
D'olhos suspensos em estrelas maiores
Esquecendo-me toda
Que és a própria vida
Onde quero morrer...
A própria Dor há de chamar-se Luz
E dentro de mim
Dentro de mim onde moras senhor
Dos meus sonhos mais puros,
O ruído singelo dos teus passos
Será o eco próximo
Dum sino de cristal estilhaçado!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973