Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Aguarela


(Óleo em tela de Maria Helena Amaro)

Um regaço de penas...
Um cesto de flores...
Um copinho de pérolas...
O vento veio e levou as penas.
O sol brilhou e queimou as flores.
O mar galgou a terra
e levou as pérolas...

Na areia da praia
ficaram as pegadas...
Ninguém as apagou. 

Maria Helena Amaro
setembro 2013

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Telas


(Fotografia de António Sequeira)

Perco-me tonta por caminhos estreitos.
Dou pinceladas em velhas aguarelas.
Encho de luz e cor as minhas telas.
Tento traçar arabescos perfeitos.

Busco nos campos as flores mais singelas.
Papoilas, rosas e amores perfeitos.
Não sou pintora, mas tenho certos feitos.
Das mãos me saem gravuras algo belas.

Alguns quadros para mim são imperfeitos.
Outros são os mais belos, os eleitos,
que eu exponho à guisa de querelas...

Livre, sou livre. Nem deveres, nem direitos.
Pinturas para mim são filhos feitos.
Amo-as tanto que não quero perdê-las.

Maria Helena Amaro
24 de maio, 2013  

sábado, 2 de agosto de 2014

Aguarela (1953)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Vê o saloio que caminha cansado
enxada ao ombro, jaqueta mal talhada
como é feliz empurrando o arado
de sol a sol na territa arrendada!

Quase à tardinha, quando a luz se faz pouca
vai para casa pensando certamente
com um sorriso de doçura, na boca
na família que ama loucamente

Pelo caminho ouvindo os passarinhos
a chilrear ali junto à estrada
ele pensa... pensa nos seus filhinhos
na sua esposa... na casita alindada...

Depois, pertinho do ninho construído
ele recebe demonstrações de amor
o gato... os filhos...um grilito escondido
a companheira... a bênção de Senhor...

Acomodam-se os filhos na lareira
alegres, entretidos, a brincar...
E enquanto a mulher prepara a ceia
ele fica-se sozinho, a meditar...

Rezam depois o terço juntamente
na mesma crença, na mesma devoção
Jesus no Céu abençoa sorridente
a doce paz que há nessa mansão.


Maria Helena Amaro
26/11/1953

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aguarela (2009)

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminhava descalça na areia da praia,
o sol a bater-me no rosto sardento,
o vento enrolado na roda da saia,
gaivotas gritando no mar num lamento.

As crianças brincavam em muitas pocinhas,
pocinhas formadas na baixa maré,
barquitos vagavam de velas branquinhas,
traineiras «Maria», «Jesus» e «José».

Caminhava descalça na orla do mar,
em buscas de conchas nas praias vizinhas,
de alma tão cheia de sal e de sol.

Longo era o caminho, tão leve o andar,
penedos tão perto e logo as Marinhas,
tão longe Esposende, tão longe o farol.

 
Maria Helena Amaro 
Inédito, dezembro de 2009


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Aguarela


Alguém pisara aquelas folhas secas
Na margem, junto ao rio...
À tarde, a ventania
Os pedaços levou em rodopio...

Aquelas folhas secas
Aquelas folhas tiveram Primavera...
Folhas perdidas
Folhas tingidas
Pequenos nadas dessa Grande Quimera...

Aquelas folhas secas
Aquelas folhas anunciaram o Verão...
Folhas pequenas
Folhas morenas,
Amarelas, caídas pelo chão...

Aquelas folhas secas
Que o vento levou em rodopio...
Da copa dum choupo se miraram,
Vaidosas, lá no rio...
......................................................

Eram umas folhas secas
Caídas pelo chão
Numa tarde esquecida...

Folhas de Outono!
Folhas da Vida!

Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973