Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 26 de agosto de 2017

Mágoa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

É uma mágoa que trago no meu peito,
tão negra como a noite, e longa como o mar.
Cresce e decresce no meu respirar
e se transforma em pranto desfeito.

É uma mágoa que trago comigo,
nasceu comigo, assim, desde menina.
Primeiro era uma rosa pequenina 
a quem, zelosa, dei o meu abrigo.

Cresceu depressa. Comigo quis ficar,
junto de mim foi dia e foi luar,
foi alegria, desespero, pena...

Abro o peito, mas nunca quer fugir,
anda vestida de lilás a florir,
toda se estende neste meu poema.

Maria Helena Amaro
Esposende, agosto, 2014.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Mágoa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Bateu-me a mágoa à porta. Não abri...
Fiquei a sós, serena, desprendida.
Mas ela perseguiu-me toda a vida.
Fugi-lhe sempre à procura de ti.

À procura de ti... longa viagem...
Deixei a porta aberta e ela entrou.
Entrou, porquê? Se ninguém a chamou...
Ela parecia, apenas, só miragem.

Bateu-me a mágoa à porta. Eu gritei,
quando na minha casa a encontrei.
a controlar meus sorrisos e passos.

Que vou fazer da mágoa, já não sei...
Não tem nome, nem rigor, nem lei.
Anda a dançar suspensa dos meus braços!

Maria Helena Amaro
14 de agosto de 2013.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Mágoa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Come na minha mesa
dorme ali ao lado
é a penumbra da minha manhã
e o desassossego da noite serena...

É a gota de sangue
da minha veia aberta
a lágrima suspensa
do meu rosto apagado...

É a pergunta ansiosa
do meu olhar vidrado
o ranger de uma porta que
permanece aberta
e o fru - fru dessa cortina solta.

Colada a mim como um verme nojento
descansa no sofá da minha sala
e respira o ar que eu exalo...

Toda a vida a vê-la
a pressenti-la
a espiar-lhe o rosto e o arfar
é a névoa da tarde pardacenta
e o gotejar da janela embaciada...

Envolve-se no ar que eu respiro
no meu cheiro, no meu gosto
no meu ser...
Para sempre... para sempre
para sempre...
É só olhar e ver...
Não vale a pena tentar
sacudir
gritar
esbracejar
romper...
Rasgo a alma só de a
expulsar...
Mas ela permanece...
Até morrer!

Maria Helena Amaro
Abril, 1995
(Prémio Camões)