Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Trevim


Perguntei à montanha
que fizeram dos meus,
desses antepassados
que nunca conheci.
E a montanha se abriu
e apontando os Céus,
serena respondeu:
- serenos e felizes
já repousam ali…

Perguntei à montanha
que caminhos percorro,
entre o sol e o vento,
que se estendem velozes.
E a montanha calou,
vestida de cinzento,
cintilante de luz,
na noite se estendeu
em gemidos atrozes.

Perguntei à montanha,
na luz do amanhecer,
pelos rios que cantam
entre fragas partidas.
E a montanha sorriu,
estendeu os seus braços,
chamou os castanheiros,
dançou nos olivais
e não fez despedidas.

Por isso é que eu a miro,
aqui do meu terraço,
aqui lhe canto loas
e mando o meu abraço.
Que a montanha foi
o riso dos meus pais,
que a viram de neve,
tão perdida de amores,
em voo lento e leve,
a chamar os açores.

Maria Helena Amaro
Inéditos
Lousã, outubro - 2007

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Coisas minhas


A Aldeia de meus pais fica na Beira,
terra fria de gente boa e sã,
tão pertinho da Serra da Lousã,
apaixonada pelo Rio Ceira.

Vem-lhe da serra o cheiro maneirinho,
a castanha, a mel e a mimosa;
Tem a graça, a frescura de uma rosa,
a florir por entre o rosmaninho.

Terra dos meus avós, memória doce,
dos olivais cinzentos, sem idade.
Vem da nascente da Senhora da Piedade,
tem nome de água, chama-se Foz de Arouce.

Arouce e Ceira buscam o Mondego,
deslizam por encostas em sossego
e, na descida, fazem um só laço.

Está Coimbra a sorrir à sua espera,
noiva vestida de rendas, de quimera,
a estender-se num amoroso abraço.




Inédito, Maria Helena Amaro
Abril 2011