Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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domingo, 20 de maio de 2018

Ai esta primavera!


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Este mar tão salgado de saudade
Esta esperança de que estás à minha espera.
Desse outro lado na luz da eternidade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Esta certeza, esta dura verdade.
Esta solidão tão crua e tão severa
a que chamo tristeza, dor, maldade.

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que me alegra, me magoa, me venera,
que me traz o teu rosto sem idade...

Ai esta primavera! Ai esta primavera!
Que já me lembra que não sou o que era.
Que me recorda a nossa mocidade!

Maria Helena Amaro
Março, 2015

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Primavera (2014)


(Óleo sobre tela de Maria Helena Amaro)

Chegou a primavera. Vem em pranto
que o planeta não merece rosas.
Esqueceu Deus e as leis preciosas.
Vive em guerra, dor e desencanto.

O filho ataca o pai; o pai o filho.
A insanidade tornou-se passageira.
A mentira é verdade lisonjeira.
A injustiça é toda luz e brilho.

Onde está a primavera prometida
terra de amor, de promessas, de vida,
com andorinhas pousadas nos beirais?

Os velhos são velhice desvalida.
A juventude anda louca, perdida...
E os que partem... Esses, não voltam mais!

Maria Helena Amaro
Março de 2014 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Março


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Abro a janela. O sol está tão doce!
Quero que entre e inunde a minha casa.
Traga com ele o bater de uma asa
e me recorde as manhãs de Foz de Arouce.

Tão longa é a distância e o caminho,
tão desigual o sol em aguarela,
que este abrir e fechar da janela,
provoca em mim desencanto mesquinho.

As rosas já abriram perfumadas...
Mas a chuva tornou-as tão meladas,
tão caídas, coisas da tesoura...

A chuva doce tem as suas ciladas.
Toda me molha em tardes repousadas
Mas vem o sol. Todo ele me doura.

Maria Helena Amaro
Junho, 2012

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Primavera


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Canta dentro de mim a primavera
numa canção com algo de ventura
O céu azul... dos campos a verdura...
Uma grande ilusão... uma quimera...

A dor imensa que outros dilacera
vem até mim em rostos de amargura...
Vinde comigo! Deixai a desventura!
É bom viver! Chegou a primavera!

Canta dentro de mim a terra inteira
e os meus olhos de negra carpideira
parecem olhos dum anjo, dum vidente...

Canta dentro de mim a natureza!
Eu quero beber a tragos a beleza 
que a vida me oferece ternamente!


Maria Helena Amaro
13/03/ 1955


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Primavera



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Hoje houve mais ânsia em cada peito
mais na linda luz da madrugada
mais fantasia em cada hora passada
mais esperança no sonho já desfeito

Tudo sonhar voltar de novo à vida
ser alegre, rir, ser tudo ardente...
Passam sombras que correm velozmente
a fazer parte duma estação perdida...

Tudo teve mais luz, muito mais cor
o sol bafejou com mais calor
tudo viveu momentos de quimera

Houve um concerto junto de cada ninho
e as flores disseram-me baixinho:
Irmãzinha! Chegou a Primavera! 


Maria Helena Amaro
Braga, 10/04/1953


sábado, 26 de julho de 2014

Andorinhas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eis que chegais alegres chilreando
de ramo em ramo, em hino constante
escuras mensageiras esvoaçando
subindo e descendo, a todo o instante...

Não há nuvem, astro ou raiozinho
que não se curve em humildade sã
quando passais em direção ao ninho
cantando alegres logo de manhã...

E quando ainda no meu leito
acordo triste, estremunhada
sinto tanta alegria no meu peito
quando ouço a vossa chilreada!

Escuras mensageiras trazeis a Primavera
trazeis amor, saudade ou esperança?
A ver-vos sou menina, sou quimera,
e a cantar convosco sou criança!...


Maria Helena Amaro
2/02/1953   

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Primavera sem flores

(Fotografia de António Sequeira)


Passo por cima das dores
como não fossem minhas
faço delas um bando de andorinhas
que esvoaça num campo sem flores.
Procuro o sol
em cada madrugada,
em cada madrugada friorenta
e o sol não responde
não diz nada.
Apenas surge de forma muito lenta.
Chegou a Primavera
e não chegou.
Parece triste, parada, sonolenta.
Vem com chuva, vai com sol
na tarde tão cinzenta
e eu com ela vou
com ela estou
de Alegria sedenta.


Maria Helena Amaro
Inédito, maio, 2005 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Primavera (III)

(Fotografia de António Sequeira)



Houve uma primavera que eu perdi
e um sonho que não ficou comigo...
Houve um pedaço de céu azul que já vivi
e um sinal de fogo que eu não sigo...

Houve uma primavera que fugiu
e um clamor que ninguém escutou...
Houve uma nesga de luz que ninguém viu
e outra alma de uma alma que não sou...

Houve uma primavera que cantou
e fez poemas de sol dentro de mim.
Houve um grito de dor que se escapou
e um raiar que se apagou perto do fim

Hoje
não vou construir de novo a
minha primavera...
Vou repousar no sonho/saudade
que está à minha espera.


Maria Helena Amaro
Inédito, abril, 2002

sexta-feira, 23 de março de 2012

Primavera (A minha mãe)




Era Março. Minha mãe fazia anos
a vinte e um, Dia da Primavera,
tempo de Amor, de Paz e de Quimera
que a vida transformou em desenganos.

Minha Mãe fazia anos! Nesse dia,
era dia de festa em nosso lar,
connosco a natureza a festejar,
tão cheia de surpresas, de alegria!

Eram rosas, beijos e abraços,
para aquela que guiou os nossos passos,
Mãe/coragem, Mãe/trabalho, Mãe verdade….

Tão depressa passou a nossa vida!
Tão depressa surgiu a despedida!
Ficou connosco um lago de saudade.



Inédito, Maria Helena Amaro
Braga, Março, 2011.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Primavera (II)





A Primavera chegou ao meu jardim,
Anda louca de amor a passarada.
É feita de canções a madrugada
e cheira a rosas, a mel e a jasmim.

Abro a janela e é tudo um festim;
asas negras saltam em revoada,
vêm bater na janela envidraçada,
à procura de ti à procura de mim.

Digo-lhe que não estás, que foste embora
e que por ti a minha alma chora
e não gosto de ouvir o seu cantar…

Fecho a janela. Deito a alegria fora.
A saudade regressa sem demora.
E fico só. Só a recordar…


Inédito- Maria Helena Amaro
BRAGA - março, 2012








sábado, 4 de fevereiro de 2012

Primavera (I)



Se vieres
Ó primavera
Traz contigo o perfume das rosas
O sangue das papoulas
O voo etéreo de brancas mariposas
A prata azul dos lagos cristalinos…

Se vieres
Ó primavera
Cobre de rendas as ervas das valetas
As pedras de calçada
Tinge de Esperança os campos cor de fogo
E de Alegria as roxas violetas
Caídas na estrada…

Se vieres
Ó primavera
E encheres a terra toda de hinos…
……………………………………………….
Traz à minha alma
A suave canção
Do repicar dos sinos…



Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Primavera Azul


Todo te espelhas na Primavera Azul
Que há dentro de mim
E te reténs no gargalhar de renda
Da minha boca moça...


E este Sol que brinca inquieto e rubro
Nas minhas mãos pequenas
É toda uma riqueza
Que tenho para dar
Em troca dessa Fé sempre nova
Em recompensa dessa Manhã de Luz
Que em ti vim encontrar...


Maria Helena Amaro
In, «Maria Mãe», 1973