Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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sábado, 1 de julho de 2017

Recado

(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me cantes esse fado que eu não quero.
Não me cantes poesia feita drama.
Também já tive retalhada a minha alma
em momentos de dor e desespero.

Não me cantes esse fado da traição,
que a traição não é boa companhia
(vela de noite, esconde-se de dia)
que posso ter retalhado o coração.

Canta-me um fado que construa esperanças
que me recorde os olhos de crianças
plenos de pureza e de bondade...

Canta-me um fado que me recorde danças
que me relembre caracóis e tranças
coisas tão frescas da minha mocidade.

Maria Helena Amaro
4/08/2014



sábado, 21 de dezembro de 2013

Requiem





















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Acabou.
Morreu o Amor.
Agora
é só despedida.
E descobrir
que estás apenas, por favor
na sua vida.

Ainda recordas o dia em que isso foi?
Não queiras recordar
que isso dói.
É dor intensa sem cor e 
sem medida.

Acabou.
É hora da saída.

Mas tu não sais...
Tu ficas serenamente
a construir de novo
um ninho feito esperança
na curva do regaço.

Tu vais ficar...
Tu vais compor uma nova canção
e na dança rotineira desta vida
vais inventar, talvez,
um novo passo...

Fica.
Nem tudo é desencontro,
desalento,
cansaço.
Nem tudo se perdeu.
Depois da tempestade.
Talvez ressurja um punhado de Sol
numa nesga de céu!


Maria Helena Amaro
Concurso «Jogos Florais» da Casa do Professor
1991
1.º Prémio Poesia Lírica 

domingo, 8 de dezembro de 2013

Recado


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Vou ao teu encontro
com a alma cheia de lágrimas
mas tu não vês...

Caminho para ti
com as mãos cheias de promessas
mas tu não vês...

Ocupo a tua estrada
com os olhos cheios de paixão
mas tu não sentes...

Bato a tua porta
chamo em alta voz
mas tu estás sempre ausente

Puseste cadeados nos portões
e grades nas janelas...
Que me importa chamar
a toda a hora...
e gritar um nome ou um sinal?
Ninguém ouviu falar...
Ninguém sabe de ti...
Tu não vais responder.
Perdi.

Maria Helena Amaro
Março, 1991

sábado, 9 de novembro de 2013

Recado (1989)
















(Fotografia de António Sequeira)

Podes levar-me tudo
mas não me levarás
a alegria de ser...
Podes fechar tudo
as portas, as janelas
para que os outros não possam escutar...
o meu grito na noite...

Podes tirar-me tudo
cioso do teu sereno querer
mas não me levarás
a alegria de ser...
Todos dizem aos outros que estou louca
que não consigo dar-te
uma paz prometida...
Podes tirar-me tudo
que não me tiras vida...

Podes criar castelos
e fechar-me
entre grades - metais...
Mas estas asas não me tiras tu
este voar entre a serra e  céu
este desejo de transportar estrelas
este roteiro que criei é meu
e meu vai ser até eu ser pessoa...
Ninguém mo vai tirar...
que a caminhada é boa!


Maria Helena Amaro
Foz de Arouce
14/8/1989

domingo, 4 de agosto de 2013

Recado (a uma colega)




(Ilustração de Maria Helena Amaro)


És feliz?
Dizem as tuas gargalhadas loucas
os teus gestos libertos
as maças vermelhas
suspensas no teu rosto
dizem-me que és feliz...
E acredito.
Mas não posso aceitar-te
porque no teu egoísmo sem fronteira
há indiferença pela vida que nasce...
És feliz?
Quero  mostrar-te
Vem,
vem ver comigo
famintos aos montões
que vão morrer ao sol
encerrados na fome comum
vítimas inocentes
de uma sociedade
feita por muita gente como tu!


Maria Helena Amaro
Fevereiro, 1974 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Recado


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Irmã Pedra
não partas
agreste
o vidro da janela
da velhota zangada e presumida...
Por ti
por ti leviana e traquinas
o Zé
vai levar
na mão pequena, estreita,
talhada em carne negra
aquela reguada prometida...
Irmã Pedra
tosca, disforme,
fica-te ai...
Quero-te adormecida.


Maria Helena Amaro
Fevereiro, 1974
In Escola Remoçada 

sábado, 20 de abril de 2013

Recado (2010)



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Que faço eu Amor, que faço eu,
Tu não respondes, mas sei que estás no Céu
e pedes por mim ao Deus de Amor!

O luto faz de mim um mausoléu,
tudo na vida de belo se perdeu
apenas resta este rio de dor!

Mas a Esperança ainda não morreu,
toda a alegria que a tua alma me deu
permanece em mim, é um valor.

Recordo o meu amor que foi só teu,
mágoas e dores já tudo se esqueceu,
mas não te esqueço, não, ó Meu Amor!

Maria Helena Amaro 
Inédito, Braga 27/04/2010

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Recado V















(Fotografia de António Sequeira)

Que me farias tu se te dissesse «Não»,
não mais mandas em mim,
senhora sou...
Que me farias tu se te dissesse,
és um covarde,
contigo é que não vou!
Que me farias tu se te dissesse
que sonhas ser herói
e és falhado!
Que te julgas senhor condecorado
o rei de toda a vida
e és negado...
Que me farias tu, se te dissesse
que és ribeiro que não conduz a rio
e que és rio que não conduz ao mar,
que és um marco que já foi sinal
e que agora
prostrado na estrada
em gesto principal
és uma ajuda que não conduz a nada!

Maria Helena Amaro
Inédito, setembro 1982

sábado, 15 de setembro de 2012

Recado IV

(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Escrevi o teu nome na orla do mar
vieram as ondas teu nome apagar...
Escrevi o teu nome na luz do luar
vieram as estrelas teu nome apagar...
Escrevi o teu nome no rio a passar
vieram os barcos teu nome apagar...
Escrevi o teu nome nas nuvens do ar
vieram as chuvas teu nome apagar...
Escrevi o teu nome no sol a brilhar
vieram os ventos teu nome apagar...
Escrevi o teu nome na rosa a toucar
vieram abelhas teu nome apagar...
Escrevi o teu nome na terra a lavrar
vieram as aves teu nome apagar...
De tanto escrever
De tanto apagar
Ficou-me este ser
Ficou-me este amar!

Maria Helena Amaro
Inédito, 5 de junho de 2007. 
 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Recado (III)


Não tenhas medo
deixa-te envelhecer
Quando partires
para além da montanha
vais encontrar
uma luz que não morre
lá no lugar suposto
onde não há entardecer
nem noite
nem ocaso
nem sol posto.
Acredita
Não tenhas medo
Deixa-te envelhecer
Quando a hora chegar
e partires em viagem
para lá da montanha
tu irás encontrar
a tua própria imagem.

Maria Helena Amaro
Inédito, julho 1999

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Recado (II)

(Fotografia de António Sequeira)


Dá-me a tua mão
anda daí
e vamos percorrer
os caminhos distantes
que já fizemos juntos.
Sós
com a recordação doce
de outros tempos
em que foram nossas
as gargalhadas
os risos
os gemidos
os lamentos.


Maria Helena Amaro
Inédito, agosto, 1999.




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Recado



Quando a noite me vier buscar
e tingir de negro a madrugada,
eu irei num raio de luar,
alma cheia de tudo e quase nada.

Irei a Deus, sem dor, sem despedida,
buscando no espaço algum lugar,
onde encontre essa paz prometida,
que neste mundo ninguém me pôde dar.


Andei caminhos. Estradas palmilhei.
Fiz opções; atalhos escolhi,
em muitos me perdi, noutros me achei.

Procurei Deus e sempre O encontrei.
Mas onde estão as estrelas que colhi?
A vida as apagou? Ou eu as apaguei?

Maria Helena Amaro
Inéditos – fevereiro 2007