Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Desencanto


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu conheci o amor... e o perdi,
pois quem mo deu, também mo quis tirar,
de nada me valeu pedir, chorar,
em noites de vigília que vivi.

Deus deu-me tudo e tudo me tirou,
soltou amarras onde me quis prender,
tirou-me o sol, a luz do meu viver,
e só esta liberdade me ficou.

Ser livre para atar estes retalhos,
para escolher perder-me por atalhos,
para gritar a minha solidão...

Eu conheci o amor... e não o tenho,
da vida das pessoas, já desdenho,
nada tenho, e nada quero, não!

Maria Helena Amaro
Julho, 2011

sábado, 11 de janeiro de 2014

Desencanto



(Ilustração de Maria Helena Amaro) 

Também o meu Amor foi despedida
foi Adeus.
Não voltou.
Pus um cravo vermelho
na janela
e ele secou.

Pus uma cortina azul
na varandinha
veio o vento e levou...

Pus um sino de fogo
nos meus olhos.
Veio a chuva
apagou.

Também o meu amor
foi despedida...
Foi Adeus
não voltou
e ninguém mais notou.


Maria Helena Amaro
Março, 1995

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Desencanto


(Fotografia de António Sequeira)

Cheguei a ver os filhos, mas não verei os netos
- asas de fogo no espaço a pairar-
Não poderei erguer ou levantar
num só dedo de altura os meus projetos.

Vejo morrer os sonhos mais diletos
Vejo-me a vida aos poucos sem parar...
Ouço a terra docemente a chamar
estremecendo os meus passos incertos.

Não semeei a dor nunca a quis cultivar
mas, ela cresceu como os abetos
cresceu, na serra, ao brilho do luar...

Antes morrer cantando que chorar,
que mendigar nos caminhos desertos,
o pão do amor que não sei encontrar...

Maria Helena Amaro
Abril, 1988
Foz de Arouce