Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.
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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Calvário


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quero arrastar meus joelhos na calçada
Do teu calvário fazendo-as sangrar
A tua cruz nos ombros colocar
e subir a arfar mortificada

Talvez encontre na dura caminhada
uma Verónica p´ra meu rosto limpar
e eu em sangue, gemendo, a vacilar
hei de arrastar a cruz na minha estrada

Depois no alto do teu roxo calvário
hei de erguer olhos numa prece a chorar
junto à tua cruz abandonada

Hei de contar muitas dores no rosário
e a minha à tua cruz hei de juntar
e nelas ambas ser crucificada!

Maria Helena Amaro
13/03/1955 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Neblina


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


A neblina
sobe, sobe de mansinho...
Sobe a colina,
há nuvens de cor do arminho...
Ó quantos gostos, quanta frescura
pairam no ar, a grande altura!...
Na natureza
quem morrerá?
Quanta beleza, quanta beleza
Jesus nos dá!...
E a alma vai... vai a cair...
Ó meu Jesus! Se pudesse ir,
se eu pudesse ir, por esse mundo,
como a neblina no azul profundo...
Estas gotinhas cheias de cor
da neblina
cantam ternura, dançam amor
sobre a colina.

Se eu fosse neblina,
em gotas de rosário,
ia cair na colina
na colina do calvário!...

E em gotas de frescor
da fresca neblina
ia metigar a dor
que Jesus por nosso Amor
sofreu, chorou na colina
Na colina do Calvário!

Ai, se eu fosse a neblina
em gotinhas de rosário
iria molhar o chão
onde Jesus se arrastou
limpar o sangue cristão
que a poeira secou...

Ai, se eu fosse neblina!
Que paira sobre a colina!
Mas eu sou tão pequenina!...
Tão pequena! Tão pequena!
Mas sou maior   que uma pena!

Ai se eu fosse a neblina
também ia refrescar
o Sacrário pequenino
onde o meu Jesus Menino
noite e dia está orando...
Ai se eu fosse a neblina
Que paira sobre a colina!!! ...

Maria Helena Amaro
24/05/1954



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Calvário


(Fotografia de António Sequeira)

Vi desenhadas as chagas de Jesus, 
no teu corpo doente macerado,
naquele quarto teu corpo reclinado,
já transportava com dor a Sua Cruz.

Ao pé de ti eu quis ser Cireneu,
Verónica, Maria, Madalena,
coração roto de amargor e pena,
vi a tua alma a dirigir-se ao Céu.

Ninguém julga, ninguém sabe, ninguém pensa,
o que é a agonia na doença,
o que é o sofrimento do adeus.


Ao recordar a Cruz do teu Calvário,
vejo-te agora envolto num sudário,
a murmurar canções aos pés de Deus.


Maria Helena Amaro
Inédito, 26/07/2010