Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Intervalo (Ao Tono)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)



Recomeçar...
Ter ilusões, ter sonhos,
acreditar com Fé no amanhecer,
em montanhas de neve a escalar,
encher de luz as mãos para apertar
sem nada receber...

Recomeçar...
Nascer...
Como o Sol, como a água, como o mar.
Chamar a rir ventura à minha dor,
viver de olhos em ti
suspensa de um milagre de Pureza
eternamente um «só», ó Meu Amor!


Maria Helena Amaro
18-08-1968 
   

domingo, 26 de maio de 2013

Senhor



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Só vós sabeis Senhor
esta enorme Dor feita segredo...

Sinto-me agonizar,
diante dos meus sonhos destroçados
e a dúvida
cresce dentro de mim como um braseiro...

Só vós sabeis Senhor
o nome desta Dor feita segredo...
Ajudai-me, Meu Deus!
Eu tenho medo!

Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Julho, 1968

sábado, 25 de maio de 2013

Menina Má



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


O meu poema

feito de desamparo
vai para ti menina
menina grande feita mulher crescida.


A minha alma espelha-se na dor
de te saber perdida...


Quando te estendo a mão
e tu não a recebes
perde-se em mim todo o sonho de teres
encontrado na vida
um caminho perfeito...


O meu poema
feito de desengano
vai para ti menina
que tão pura julguei...
Ai quem me dera prender-te nos meus braços


Não te deixar morrer...
Ensinar-te a sorrir
Ensinar-te a viver...
Fazer-te pequenina...

 
Tão nova ainda
e já andas caminhos
que nunca palmilhei!...


Maria Helena Amaro
Maio, 1967

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Meu Deus (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Meu Deus:
Sonhos agonizantes...
Ramos de rosas caídas nos caminhos
Levai tudo, Senhor!
Já não há cruzes erguidas na estrada
e as flores cresceram
no cemitério das coisas sem sentido.

Sinto-me morta
e vós Senhor tendes a vida toda
no amanhã do Sol que vai nascer...

Tomai a minha alma
Dai-lhe a frescura do repicar dos sinos
que eu já não suporto
viver suspensa de um sonho ignorado
repartida entre a luz
que doira dois destinos.


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Junho, 1968.

domingo, 19 de maio de 2013

A vida (Ao Tono)

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


A vida és tu...
... ... ... ...
E p'ra ter vida é preciso morrer?!

Na estrada sem fim
se me deixas ficar
caída na valeta
eu sei que vou morrer...

Dá-me a tua mão!
Olha para mim!
Bendita a luz do dia que te trouxe
Bendito o mar que te lançou na praia
onde ia vaguear
meu pobre coração...

Fico-me calada...
A vida és tu...
E a vida para mim é Doação!

Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Maio, 1968



sábado, 18 de maio de 2013

Dedicatória (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Se eu pudesse
gritar ao mundo todo
este vazio  oco...
esta rota sem guia...
Ficava
de olhos abertos implorando sol
na noite morta que antecede o dia...

E tu
havias de gostar do meu lamento;
Só Deus sabe
a enorme grandeza deste ser
e o nome que faz 
crescer dentro de mim
um grande sofrimento.


Maria Helena Amaro
Abril, 1968

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gaivota (Ao Tono)




(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Na noite só
ouvi as asas de uma gaivota branca
bater de manso
numa janela do meu quartinho azul.

Na noite só
a angústia dos meus olhos parados
passou despercebida...
Mas dentro do meu quarto
nessas paredes onde o sonho se perde
fiquei toda gelada
a escutar na noite que se estende
o bater demorado
das asas negras de uma gaivota branca
que andava perdida...

Regressei a criança...
Regressei ao passado...
Pintei de negro a vida...
E toda eu fui dor
ao recordar na noite
o soluçar sem nome
de uma infância dorida...


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Março, 1968.