Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 4 de abril de 2015

Violeta



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Em sonhos nasci e me formei
e na sombra eu vivo despertada...
Chamaste-me violeta... e eu sonhei!
E toda a vida me pareceu alada!

A vida ser alada... O que penei!
Pobre de mim na sombra mergulhada...
A terra é negra; eu nela me criei...
Como violeta sou triste e apagada...

Porque quiseste dar-me da alegria
os risos etéreos, cristalinos,
tecidos de  sonho e de loucura?

A violeta, amigo, é nostalgia...
É mensagem de tristes desatinos...
É como eu, nascida na amargura!

Maria Helena Amaro
13/11/1956

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Silêncio


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ele foi para mim um sonho nascido
dum pesadelo que um dia sonhei
Quis esquecê-lo mas mais o recordei
e continuei o sonho interrompido

Ele para mim é uma gota de água
onde se esvai na sede, um calor...
Na primavera da vida é todo Amor...
No  outono da vida é todo mágoa...

Tenho dó dele... Parece envelhecido
quando da vida recebe algum tormento
e tenta esconder a dor, um só gemido...

Oh! Quem me dera oferecer-lhe ternura
A paz da alma , tirar-lhe o sofrimento
que ele sorrindo afirma ser ventura!


Maria Helena Amaro
10/11/1954 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ilusão


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Uma ilusão nasceu. Mas eu não quero
que ela seja uma realidade
Quando morrer ficará a saudade
e a sombra dum amor quase sincero...

De ti nasceu esta ilusão fugaz
que há-de morrer como nasceu...
Ó quem me dera ser a Luz do Céu
desses teus olhos onde só mora a Paz!

Eu sorrio, tu sorris. Ao mesmo tempo
eu olho e tu olhas. Num olhar
vejo-te a ti e tu me vês a mim...

Mas é um só instante, um só momento
porque é ilusão o que estou a sonhar...
Ó quem me dera que não tivesse fim!


Maria Helena Amaro
16/11/1954 

domingo, 29 de março de 2015

Sonhar


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu tenho um medo imenso de sonhar
Mais esta ilusão, tão tentadora...
Mas... Meu Deus! Bendita a hora,
em que tive a dita de o amar...

Amá-lo? Não. Sei que não é amor
É o começo duma grande ilusão,
de mais um espinho, duma rosa em botão
que murchará antes de ser flor!

Ando a espalhar no mundo ao meu redor
aquela luz que Deus me ofereceu
quando minha alma sã desabrochar...

Pobre de mim! A todos dou Amor
e para mim guardo um sonho ateu...
Um sonho? Não. Um sonho já eu sou...

Maria Helena Amaro
12/11/1954

sábado, 28 de março de 2015

Fantasmas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Aquelas ilusões que eu sonhei
com fantasmas que por mim passaram
A verdade as matou, eu as enterrei
e os meus olhos para elas se fecharam...

Esses fantasmas que eu amar julguei
foram para mim pesadelos de dor
julguei amá-los! Oh! Bem me enganei
porque p´ra mim não nasceu o Amor!

De todos eles no meu peito eu guardei
doces lembranças que eles me deixaram
e com as quais ainda os recordei...

Tentei esquecê-los... Eles me recordaram
que outrora lhes quis fora da lei
daquele amor, que outras lhe negaram...

Maria Helena Amaro
12/10/1954



quarta-feira, 25 de março de 2015

Ainda te quero


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Ainda te quero... na cinza que ficou
No fundo das chamas em que ardi
A minha alma ainda fala de ti
e eu recordo o tempo que passou...

O tempo foi; com ele velozmente
amor e amor passaram por nós dois...
E eu fiquei, porquê, Amor, depois
a amar-te, como outrora, sempre?

Um amor sem esperança sei-o bem
Um amor, um sonho, uma loucura...
É tudo, p´ra mim só amargura
e para ti, Amor, quem sou? Ninguém!


Maria Helena Amaro
1/01/1953

domingo, 22 de março de 2015

Madrugada


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Escrevam a palavra madrugada.
Sabe a luz, sabe a cor e sabe a cedo.
A palavra tem sabor e tem segredo.
É cetinosa, serena, iluminada.

Tem o doce frescor da alvorada.
Ou do mar brando batendo no rochedo.
Não causa dor, nostalgia ou nada.
É como o voo feliz da passarada.

Escrevam-na lentamente com o dedo.
No papel, na areia e no penedo.
Façam dela meandros de poesia...

Madrugada sabe a cor não tem enredo.
Madrugada é liberdade sem degredo.
Deus inventou-a ao inventar o dia!


Maria Helena Amaro
15/03/2015