Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

sábado, 21 de março de 2015



O Dia Mundial da Poesia celebra-se, hoje, dia 21 de março. Este dia foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999. 

O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia em todo o mundo.

Bem hajam todos os poetas que recriam a realidade, em cada dia da nossa existência, e nos ajudam a sonhar o mundo.

Boas leituras!


Mãe


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Tu és a estrela que Deus pôs
na minha vida cheia de desatinos
e quando  ouço, ó Mãe, a tua voz
julgo ouvir ao longe a voz dos sinos...

Quando a minha alma busca a escuridão
do desespero, da vida insatisfeita...
És tu, ó Mãe, que me tomas a mão
e que me indicas a estrada perfeita!

Quando me embalas nos teus braços
quantas vezes me cantaste com ternura
sonho sem fim que ingrata esqueci

E és tu ainda que guias os meus passos
neste mundo onde vejo só loucura
e onde me perco se estou longe de ti!


Maria Helena Amaro
21/06/1954

domingo, 15 de março de 2015

Distância


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Os meus braços já estão cansados
de acenar para a imagem do passado
Os meus olhos estão tristes, parados
O meu peito dorido, magoado...

E passam os anos uns após os outros,
mais breves, mais velozes do que o tempo,
enquanto eu aceno, em gestos semi- loucos
a um sonho que é do esquecimento.

E lá longe a longínqua  distância
ainda vejo o vulto do meu sonho
O eco de uma voz toda quimera...

E lá longe eu vejo a minha infância
envolta num véu muito tristonho,
sem a luz e a cor da primavera!


Maria Helena Amaro
21/06/1954

sábado, 14 de março de 2015

Despedida



(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Eu vou partir... Bem triste é a partida
Quando a alma de desfaz em amargura
Quando há prantos na breve despedida
e a nossa vida recomeça... continua...

Eu vou partir... Vossas capas velhinhas
são lenços negros a tremular ao vento
são tais alegres, escuras andorinhas
tristes e belas esquivas como o tempo!...

Eu vou partir... Meu triste coração
fica escondido no álbum da saudade
que alguém guardou deste velho liceu...

Mas eu bem sei que a minha mocidade
fica enterrada na fria escuridão
dos meus tempos já moços, sonho meu!


Maria Helena Amaro
21/06/1954 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ao «cabaça» (brincadeiras...)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Tu és aquele ser que eu sonhei
em tarde distante de ameno verão
Tens a elegância dum Napoleão
Teus olhos são faróis dum  "transvey»!... 

O teu rosto é duma cor tão bela!
Será branca, vermelha ou cor de rosa?
É duma cor tão linda, tão airosa!
... E tem a forma duma grande tigela!

Tua careca luzídia, atraente
parece um globo que encerra a poesia
dum sonho louco duma adolescente...

Quando tu passas aqui ao fim do dia
dançando a valsa maravilhosamente
Eu fico a olhar-te em muda nostalgia! 


Maria Helena Amaro
21/06/1954

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Madalena


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Lena, tu és um botão de rosa
abrindo à luz do sol primaveril
em manhã fresca de risonho abril
com cores suaves de flor formosa...

Teus anos são pétalas de flor
que o tempo transforma com ternura...
Há neles anseios, infinda loucura
de viver da vida, o sonho, o amor...

Nos teus olhos verdes há sonho sem fim
os sonhos de cor que sabes sonhar
enquanto a vida se vai desabrochando...

A tua alma é branco jasmim...
Ó Madalena não queiras negar
que vives a vida sorrindo... cantando...


Maria Helena Amaro
26/06/1954 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O Sonho das Estrelas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Eu tenho um sonho!...
Um sonho grande, imenso
que um dia fui buscar
às estrelas do céu...

Eu tenho um sonho!...
O meu sonho é quimera...
É dor é sofrimento...
Que eu roubei à miséria...

Eu tenho um sonho...
Um sonho belo, límpido.
Feito de neves brancas
dos meus brancos anseios...

Meu Deus! Será um sonho?
Eu tenho um sonho grande
que tirei às estrelas...
E rezo, e sofro e creio
pois julgo que o meu sonho
não será deste mundo! 

Maria Helena Amaro
20/12/1954