Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 3 de maio de 2015

Aos pés de Deus


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Lanço meus olhos ao azul divino
ajoelhada a rezar a sós...
Ó quem me dera transformar num hino
a dor da minha rouca voz!

Ouço lá longe no pinheiral distante
um passarito gorgear de amor...
E eu comparo essa voz murmurante
ao eco triste da minha dor!

Aos pés de Deus murmuro uma oração
Mais um pedido que um grande louvor
Mais uma prece que um hino de Amor

Como posso eu dar-lhe meu coração
se o trago repartido pelo mundo
aos bocados, exangue, quase imundo?


Maria Helena Amaro
Braga, 1955



sábado, 2 de maio de 2015

A voz do vento


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Noite de inverno. Lá fora a ventania
ruge feroz por entre o arvoredo...
Há dentro de mim um frio medo
e uma grande e vã melancolia...

Passa o vento em surdas gargalhadas
a rir da gente que lhe tem termor...
Risos amargos, são gritos de dor...
Noite de inverno e de sombras aladas...

Vento que passas em loucas gargalhadas
a rir do mundo, dos homens e de Deus
em gritos roucos que me fazem pasmar

Eu ouvi o teu rouco cantar
Julgo ouvir roucos soluços meus
Julgo ouvir a minha alma chorar...

Maria Helena Amaro
13/05/1955

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Feliz Aniversário


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

O que eu digo à saudade
quando ela entra sorrateira
e vem sentar-se
a tarde inteira
aqui à minha beira
a conversar comigo?...
A saudade é visita de amigo
tem o teu rosto...
O teu riso...
O teu olhar...
As tuas mãos... 
E o teu sonho...
Oh! e o teu computador!!!
E a poesia com eles...
São irmãos!
Olho a saudade e nada lhe peço...
Mas ela toma-me no regaço
e embalo-me como se fosse um berço
e guardo-me do frio
até ao teu regresso...

Maria Helena Amaro
20/04/2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Beleza


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Era miúda quando ouvi dizer
a alguém a quem me apresentaram:
- Linda pequena! Que formosa mulher! -
E pouco a pouco os meus anos passaram.

Depois mais tarde um pouco mais crescida
esse mesmo alguém olhou-me com ternura
Não me achou bela, não me ofereceu ventura
Nem de beleza me disse ser colorida...

Eu vi então meu rosto reflectido
no raso espelho das almas infelizes
e minha alma soltou débil gemido...

Minha beleza tinha-a levado o tempo
Mas dentro de mim ficaram as raízes
duma beleza feita de sentimento!


Maria Helena Amaro
13/04/1955 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dor


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Era miúda quando ouvi dizer
a alguém a quem me apresentaram:
- Linda pequena! Que formosa mulher! -
E pouco a pouco os meus anos passaram.

Depois mais tarde, um pouco mais crescida,
esse mesmo alguém olhou-me com ternura
Não me achou bela, não me ofereceu ventura 
nem de beleza me disse ser colorida...

Eu vi entrar meu rosto reflectido
no raro espelho das almas infelizes
e minha alma soltou débil gemido...

Minha beleza tinha-a levado o tempo
Mas dentro de mim ficaram as raízes
duma beleza feita de sentimento!

Maria Helena Amaro
13/04/1955

domingo, 19 de abril de 2015

Invisível


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Caminho só em busca d´algum sonho
que a minha alma sonhou na primavera...
Que importa ir em busca da quimera
e ter na vida um abismo medonho?

Caminho só em busca de ventura
que minha alma sonhou sem nunca crer...
Que importa eu lutar e perecer
se a minha vida é toda noite escura?

Caminho só em busca de fortuna
de algum bem que ele me prometeu
de uma sombra que a noite encobriu?

Louca de mim! Busco nuvens de bruma
a encobrir tudo o que já morreu
e esse tudo ninguém vê... Ninguém viu...

Maria Helena Amaro
18/03/1955

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Calvário


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Quero arrastar meus joelhos na calçada
Do teu calvário fazendo-as sangrar
A tua cruz nos ombros colocar
e subir a arfar mortificada

Talvez encontre na dura caminhada
uma Verónica p´ra meu rosto limpar
e eu em sangue, gemendo, a vacilar
hei de arrastar a cruz na minha estrada

Depois no alto do teu roxo calvário
hei de erguer olhos numa prece a chorar
junto à tua cruz abandonada

Hei de contar muitas dores no rosário
e a minha à tua cruz hei de juntar
e nelas ambas ser crucificada!

Maria Helena Amaro
13/03/1955