Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Anoitecer


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Calam-se as noras ao findar do dia
Balem ovelhas entrando no povoado
Nos pinheirais já cantam a cotovia
leves queixumes num chinfrim magoado...

Sinos repicam... doce nostalgia
Cantam os rios descendo o valado
Hora das rezas - Salvé ó Mãe Maria!
Rezam mulheres no regresso do prado...

O sol já desceu vermelho e dourado
velho, tão velho de fazer chorar
É o mar azul a sua campa bela

Há nos olhos moços reino adorado
Há nos campos loiros rendas de luar
Beijam-se as flores à minha janela...

Maria Helena Amaro
Foz de Arouce, 18/11/1955

domingo, 9 de novembro de 2014

3º Aniversário da fundação do blogue Maria Mãe

Caros leitores:
Este vosso espaço literário comemora hoje, dia 9 de novembro de 2014, 3 anos de vida.
São 1095 dias de atividade literária em que foram sendo publicados mais de 850 poemas e 21 contos da autoria de Maria Helena Amaro.
Agradecemos a todos aqueles que permitiram a este espaço virtual ter ultrapassado as 45.000 visitas.
Esperamos que as criações literárias apresentadas neste nosso «lar digital» vos tenham proporcionado bons momentos de fruição.
Atentamente,
António Sequeira (editor).  

Mater dolorosa


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Minha mãe! Tu tens dentro de ti
alguma coisa que cura e vivifica
e o teu peito de mãe onde vivi
tem algo belo que também purifica...

Quando eu olho  os teus olhos cinzentos
onde se espalha a mágoa e o pesar
tu tens sempre ternura para dar
aos meus abrolhos escuros e sangrentos...

Quem me dera olhar por toda a vida
o teu olhar de Mater Dolorosa
que sofre, que perdoa, que enternece...

Ó quem me dera minha mãe tão querida
que a morte viesse vagarosa
e reunidas o Céu nos recebesse...

Maria Helena Amaro
Esposende, 17/01/1955


sábado, 8 de novembro de 2014

Fantasia


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Ele passou... passou e não me viu
Mais um que passou e não foi meu
Quimera morta, num sonho todo ateu
E que, por Deus, ele não descobriu...

Ele passou... levava no olhar
a chama ardente que a vida acalenta
Ele passou e minha alma sedenta
ficou na bruma, suspensa, a esperar...

Ele passou... Quisera eu pedir
que ficasse, que falasse para mim
que me desse a esmola dum carinho

Ele passou... Não me viu a sorrir
Não viu minha alma a suportar o fim
duma esperança, que perdeu no caminho...

Maria Helena Amaro
Braga, 23/07/1955

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pétalas brancas


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Pétalas brancas que soltei ao vento
em dias loucos da minha ventura
vejo-as hoje já no esquecimento
cobertas de pó e de amargura...

Pétalas brancas que um dia espalhei
em tarde amena de sereno verão
não mais as vi, não mais as apanhei
elas se foram e não mais voltarão...

Pétalas brancas são sonhos de magia
que desfolho de rosas, dia a dia
no meu jardim de ilusões florido

Pétalas que murcham sem serviço, sem vida
são a imagem duma primeira vida
são os despojos do meu reino perdido...

Maria Helena Amaro
01/01/1954

   

domingo, 2 de novembro de 2014

Avozinha


(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Quando me ponho, avó, a meditar
na minha infância distante que passou
sinto minha alma baixinho soluçar
ao recordar os sonhos que sonhou...

Eras toda carinhosa, branquinha
suave, terna a segurar meus passos
recordo os teus carinhos avozinha
e o aconchego dos teus cansados braços...

Quando partiste nessa viagem infinda
levaste a ventura dos meus alegres dias
dos meus tempos distantes de criança

E eu sinto avó pairar ainda
nos risos loucos, nas minhas fantasias
a tua imagem a Luz da Rocha Esperança

Maria Helena Amaro
2/02/1954
(Dedicado à Avó Helena de Jesus)

sábado, 1 de novembro de 2014

Viver


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Dai-me vida, Meu Deus, quero viver
uma existência cheia de verdade
quero sentir a dor ou a saudade
com um sorriso que anseia sofrer...

Dai-me vida, Meu Deus, quero esquecer
o meu passado negra recordação
quero curar o meu ferido coração
E depois então... sei lá... quero viver!

Porque foi, porquê, Ó Deus, que certo dia
tentei viver da vida a fantasia
num sonho louco todo embriaguez?

Louca de mim! Se eu vivesse o "eu"
naquelas horas que a vida me deu
eu seria hoje como Deus me fez.


Maria Helena Amaro
6/01/1954