Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

domingo, 19 de maio de 2013

A vida (Ao Tono)

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


A vida és tu...
... ... ... ...
E p'ra ter vida é preciso morrer?!

Na estrada sem fim
se me deixas ficar
caída na valeta
eu sei que vou morrer...

Dá-me a tua mão!
Olha para mim!
Bendita a luz do dia que te trouxe
Bendito o mar que te lançou na praia
onde ia vaguear
meu pobre coração...

Fico-me calada...
A vida és tu...
E a vida para mim é Doação!

Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Maio, 1968



sábado, 18 de maio de 2013

Dedicatória (Ao Tono)




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Se eu pudesse
gritar ao mundo todo
este vazio  oco...
esta rota sem guia...
Ficava
de olhos abertos implorando sol
na noite morta que antecede o dia...

E tu
havias de gostar do meu lamento;
Só Deus sabe
a enorme grandeza deste ser
e o nome que faz 
crescer dentro de mim
um grande sofrimento.


Maria Helena Amaro
Abril, 1968

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gaivota (Ao Tono)




(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Na noite só
ouvi as asas de uma gaivota branca
bater de manso
numa janela do meu quartinho azul.

Na noite só
a angústia dos meus olhos parados
passou despercebida...
Mas dentro do meu quarto
nessas paredes onde o sonho se perde
fiquei toda gelada
a escutar na noite que se estende
o bater demorado
das asas negras de uma gaivota branca
que andava perdida...

Regressei a criança...
Regressei ao passado...
Pintei de negro a vida...
E toda eu fui dor
ao recordar na noite
o soluçar sem nome
de uma infância dorida...


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Março, 1968.

domingo, 12 de maio de 2013

Sol (Ao Tono)



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me tires o Sol...
Nunca me deixes só...
Vivo suspensa de ti
e sinto-me fugir do teu caminho,
numa nuvem de pó...  

Dá-me a tua mão, ó Meu Amor...
É tão segura a mão que nos detém
É tão claro o Sol onde nasceste
É tão distante o porto onde me guias
que eu
não sei viver
nesta agonia de te sentir fugir
sem conseguir
ontem e hoje
sei lá
todos os dias
suster teus passos
e prender-te todo 
no fogo dos meus braços!


Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo
Fevereiro de 1968. 

sábado, 11 de maio de 2013

Menino (1967)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cala-te menino.
Não sejas maçador...
Nesta tarde de sol é bom calar
e ouvir na sombra a voz do Sol...
- Ó minha Mãe, deixa-me falar...
eu tive um sonho...
Dentro das mãos, eu apanhei o mar.
Que lindo mãe!
E o mar era meu...
... ... ...
Perdoa-me, meu filho!
maçadora sou eu
que não fui capaz de te escutar
e perceber nos teus olhos de louco
algum sinal do Céu!

Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo   
Maio 1967.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mãos

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Abre as tuas mãos
e vê o que tens nelas...
- Não tenho nada...
Vazias são de sonhos e pecados
São asas mortas as minhas mãos fechadas...

És louca, meu Amor!
Tu tens nas mãos um bilião de estrelas

E oiro puro
mas, assim inertes e crispadas
jamais poderás vê-las...

Abre as tuas mãos...
E vê o que tens nelas...
Cada mulher que nasce
traz nas mãos abertas para a vida
O laço enorme que liga a terra ao Céu...
feito de graças... tantas
que ninguém pode tê-las...

Abre as tuas mãos
tu trazes dentro delas
o oiro puro dum bilião de estrelas!


Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo
Maio de 1967 

domingo, 5 de maio de 2013

Meninos de Coro



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Meninos de Coro
Meninos de Coro ides crescer
e depois já não quereis
as estrelas do Céu...

Deixai-vos ser assim sempre meninos
asas postas à luz como cardos em flor
Olhos vivos de cor
Mãos levantadas
esguias e pequenas
como cachos em flor...

Meninos de coro
as vossas mãos sujas ou morenas?
Não há mais riqueza
Nem ventura maior
que as vossas asas sempre postas à luz
que os vossos olhos suspensos das estrelas
que os vossas mãos esguias e pequenas
Como cachos em flor!

Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo, 1967