Periodicidade de publicação de poemas

Caros leitores:
Espero que desfrutem na visita a este espaço literário. Este sítio virtual chama-se “Maria Mãe” e tem como página principal os poemas de Maria Helena Amaro.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gaivota (Ao Tono)




(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Na noite só
ouvi as asas de uma gaivota branca
bater de manso
numa janela do meu quartinho azul.

Na noite só
a angústia dos meus olhos parados
passou despercebida...
Mas dentro do meu quarto
nessas paredes onde o sonho se perde
fiquei toda gelada
a escutar na noite que se estende
o bater demorado
das asas negras de uma gaivota branca
que andava perdida...

Regressei a criança...
Regressei ao passado...
Pintei de negro a vida...
E toda eu fui dor
ao recordar na noite
o soluçar sem nome
de uma infância dorida...


Maria Helena Amaro
(Concurso Pedro Homem de Melo)
Março, 1968.

domingo, 12 de maio de 2013

Sol (Ao Tono)



















(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Não me tires o Sol...
Nunca me deixes só...
Vivo suspensa de ti
e sinto-me fugir do teu caminho,
numa nuvem de pó...  

Dá-me a tua mão, ó Meu Amor...
É tão segura a mão que nos detém
É tão claro o Sol onde nasceste
É tão distante o porto onde me guias
que eu
não sei viver
nesta agonia de te sentir fugir
sem conseguir
ontem e hoje
sei lá
todos os dias
suster teus passos
e prender-te todo 
no fogo dos meus braços!


Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo
Fevereiro de 1968. 

sábado, 11 de maio de 2013

Menino (1967)


(Ilustração de Maria Helena Amaro)

Cala-te menino.
Não sejas maçador...
Nesta tarde de sol é bom calar
e ouvir na sombra a voz do Sol...
- Ó minha Mãe, deixa-me falar...
eu tive um sonho...
Dentro das mãos, eu apanhei o mar.
Que lindo mãe!
E o mar era meu...
... ... ...
Perdoa-me, meu filho!
maçadora sou eu
que não fui capaz de te escutar
e perceber nos teus olhos de louco
algum sinal do Céu!

Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo   
Maio 1967.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mãos

 
(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Abre as tuas mãos
e vê o que tens nelas...
- Não tenho nada...
Vazias são de sonhos e pecados
São asas mortas as minhas mãos fechadas...

És louca, meu Amor!
Tu tens nas mãos um bilião de estrelas

E oiro puro
mas, assim inertes e crispadas
jamais poderás vê-las...

Abre as tuas mãos...
E vê o que tens nelas...
Cada mulher que nasce
traz nas mãos abertas para a vida
O laço enorme que liga a terra ao Céu...
feito de graças... tantas
que ninguém pode tê-las...

Abre as tuas mãos
tu trazes dentro delas
o oiro puro dum bilião de estrelas!


Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo
Maio de 1967 

domingo, 5 de maio de 2013

Meninos de Coro



(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Meninos de Coro
Meninos de Coro ides crescer
e depois já não quereis
as estrelas do Céu...

Deixai-vos ser assim sempre meninos
asas postas à luz como cardos em flor
Olhos vivos de cor
Mãos levantadas
esguias e pequenas
como cachos em flor...

Meninos de coro
as vossas mãos sujas ou morenas?
Não há mais riqueza
Nem ventura maior
que as vossas asas sempre postas à luz
que os vossos olhos suspensos das estrelas
que os vossas mãos esguias e pequenas
Como cachos em flor!

Maria Helena Amaro
Concurso Pedro Homem de Melo, 1967

sábado, 4 de maio de 2013

Zita




















(Ilustração de Maria Helena Amaro)


Menina de nome Zita

Amava os pássaros azuis
Os sinos tocavam muito
Os dentes doíam tanto
Os peritos fiavam muito
Que a Zita estava doente...




Maria Helena Amaro
Inédito,1967      

quarta-feira, 1 de maio de 2013

82º Concurso de Quadras de S. João 2010 JN - IV



(Ilustração de Maria Helena Amaro)



XII
Vai um balão na subida,
incendeia, cai no chão...
É como esta dor sofrida
que trago no coração.

XIII
Mas que desplante é esse,
ao arranjar tanto «tacho?»
Se S. João aparece,
vai tudo pela água abaixo.

XIV
S. João vai estampado
na roda da tua saia.
Só te falta um namorado,
de Vila Nova de Gaia.

XV
Na cascata da Ribeira
encontrei um grande amor,
mas foi tudo uma asneira
que se transformou em dor.

XVI
No meio de tanta festa
de quem sou muito devoto,
aquela que sempre presta,
é o S. João no Porto.




Maria Helena Amaro 
(pseudónimos: Maria Dor, Maria Tacho, Maria Gaia e Maria Festa) 

Concurso de Quadras Populares de S. João do, Jornal de Notícias, maio de 2010.